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A crônica de Emir Ross: Titãs

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Titãs, por Emir Ross

Todo ano é a mesma história.

De um lado o CPERS – professores não precisam apenas dinheiro para se alimentar e pagar o T2. Precisam de um sistema que lhes permita serem professores.

Do outro lado, o Governo – o governo não tem verba para aumentar os salários e permitir que os professores se especializem ou comprem livros. Precisa implantar sistemas em que alunos não repitam o ano, repetência é prejuízo.

No meio, os alunos – alunos acham ótimo que professores e governo não se entendam e que todo ano saia greve. Férias fora de época. Passagem de ano garantida. A ignorância é uma dádiva.

A briga entre quem quer ensinar e quem quer se livrar do problema é um duelo que se estende desde que descemos das árvores. Professores alegam que se quisessem apenas remuneração, não seriam professores. Iam ser qualquer outra coisa. Catar latas ou limpar banheiros públicos. Fazem por ideologia.

Mas nos primórdios do século XXI, as ideologias soam como algo démodé, esquisito. Brega. Ainda mais ao sul tupiniquim.

Ideologia é conta bancária. Dinheiro para as Brahma. Para a vodka com rédibul.

Professores formaram-se para ensinar. Não fizeram seis anos de psicologia. E se sequer conseguem convencer o governo de que são imprescindíveis para o desenvolvimento saudável da sociedade, penso que fica ainda mais difícil convencer os alunos que pensam não precisar estudar, pois o tio pedreiro nunca estudou e “tira três mango por mês.”

Os alunos são clientes do governo. O governo vai pela tangente. Pega o caminho mais fácil. Todos pegam o caminho mais fácil. Empurram com a barriga. Que é o que mais cresce nessa história. Junto com a baixa estima dos professores.

A saída é a greve. A entrada também.

Entrada para um túnel sem saída. Vez por outra aparece uma luz. Mas pouco ilumina. Uns se jogam contra ela. Outros, tapam com as mãos.

O duelo é de Titãs. Seres imortais. Sempre haverá governo, professores e alunos. Uma pena que a parte que deveria estar mais interessada nesse assunto apenas assiste de camarote. Ou nem isso.

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Emir Ross é publicitário e escritor e mora em Porto Alegre. Tem participação em 9 antologias de contos e recebeu mais de 20 prêmios literários. Entre eles, o Felippe d’Oliveira em Santa Maria (3 vezes), o Escriba de Piracicaba (2 vezes), o Luiz Vilela de Minas Gerais (2 vezes), o José Cândido de Carvalho do Rio de Janeiro (2 vezes), o Prêmio Araçatuba, entre outros. Escreve no blog milkyway.

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Emir Ross publica quinzenalmente neste blog.

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