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A crônica de Emir Ross: Os gurus

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Os gurus, por Emir Ross 

O Davi Coimbra é um ícone. Um rótulo. Uma marca de texto e de ser humano. Para ser mais específico, uma marca de homem. Um homem que sabe o que está fazendo e, principalmente, sabe o que estão pensando dele. Eu o respeito. Muito mais por ele ser exatamente o oposto do que cria para si: tenho certeza disso. Mas o respeito muito mais por algo que ele disse um dia e apenas eu sei.

“Se o filme tiver a palavra ‘amor’ no título, não assisto que é furada.”

Concordo com o Davi. Confesso que passei a admirá-lo como pessoa após ouvi-lo dizer isso.

O DC conseguiu resumir em uma frase e uma atitude o que eu passara a vida buscando. Contei essa descoberta para a Juliana, que torceu o nariz. Tudo bem, as mulheres sempre preferem não se entregar por inteiro ao que sabem ser verdadeiro.

Agora, finalizo o que falei no início desse texto: o Davi Coimbra é um guru.

Eu havia pensado em escrever esta crônica para relatar uma descoberta fantástica. Uma descoberta minha que mudaria a visão da crítica como um todo. Havia pensado por esses dias que se passaram em relatá-la; para isso utilizaria a frase do DC para introduzir o tema. O Davi nada mais seria que um exemplo como início de raciocínio mais ou menos assim: ‘o Davi Coimbra disse que se o filme tiver a palavra amor no título é uma senha indicando que você não deve assisti-lo. Partindo disso, descobri…’

E, agora que estou escrevendo esse texto, esqueci qual fora minha descoberta fantástica que mudaria a visão sobre as artes como um todo.

Todavia, conhecendo-me um pouco como me conheço, minha fórmula deveria ser mais ou menos um ‘jamais leia um livro que comece com O dia estava…’ ou ‘jamais compre quadros de pintores que tenham feito flores coloridas.’

Como se Van Gogh e Poe não fossem recomendados.

Mas já que esses autores são ícones em suas áreas plásticas e literárias, assim como o Davi é nas guruísticas, creio que nada lhes tenho a dizer, pois sequer tenho a competência de anotar minhas idéias extraordinárias para não esquecê-las no dia seguinte. Está aí a grande diferença entre eu e os grandes mestres.

Idéias inovadores todos têm. Raciocínios fantásticos, todos fazem. Competência para anotar isso na mesa de um bar ao invés de ficar olhando para as pernas da gostosa de vestido curto, só os gurus possuem.

 

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Emir Ross é publicitário e escritor e mora em Porto Alegre. Tem participação em 9 antologias de contos e recebeu mais de 20 prêmios literários. Entre eles, o Felippe d’Oliveira em Santa Maria (3 vezes), o Escriba de Piracicaba (2 vezes), o Luiz Vilela de Minas Gerais (2 vezes), o José Cândido de Carvalho do Rio de Janeiro (2 vezes), o Prêmio Araçatuba, entre outros. Escreve no blog milkyway.

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Emir Ross publica quinzenalmente neste blog.

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