Posts Tagged ‘A condição Indestrutível de ter sido

29
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Aconteceu na Palavraria, nesta sexta, 29, Vereda Literária: O deus dos insetos encontra a condição indestrutível de ter sido. Com Helena Terra, Monique Revillion e Leila de Souza Teixeira.

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Aconteceu na Palavraria, nesta sexta, 29, Vereda Literária: O deus dos insetos encontra a condição indestrutível de ter sido. Helena Terra e Monique Revillion conversaram sobre seus livros lançados este ano, com mediação de Leila de Souza Teixeira.

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A crônica de Ademir Furtado: A condição indestrutível de ter lido um bom livro

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A condição indestrutível de ter lido um bom livro, por Ademir Furtado

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Há uma crença antiga entre alguns literatos de que literatura se faz com palavras, não com ideias. Essa máxima é válida com uma condição: a de que as palavras tenham força e vigor, e sejam pronunciadas com a potencialidade de fecundar a página onde penetram. E aí já caímos num paradoxo, porque a palavra fecundante já não é uma simples palavra, é um fluxo semântico capaz de alterar a significação de qualquer enunciado.

Recentemente li um livro que me fez refletir sobre essa questão. Trata-se de A Condição indestrutível de ter sido, de Helena Terra, publicado pela Dublinense em 2013. É o tipo de obra em que a linguagem é o personagem mais importante. A fabulação é simples. Uma mulher jovem cria um blog coletivo e lá conhece um homem e se apaixona por ele. Ou melhor, pelas palavras dele, pois o relacionamento, de início, é apenas virtual. Mais adiante, as palavras adquirem corpo e o homem se materializa num quarto de hotel. Impossível não fazer aqui uma associação com o poder de criação pela palavra. A mulher disse: faça-se o homem da minha vida, e o homem se fez. E a mulher viu que isso era bom e correu ao encontro dele.  Mas, passados poucos dias, viu que o homem era Mau e não hesitou em evocar outras palavras pronunciadas em outro quarto de hotel.

As leituras possíveis são várias. Uma delas, a personagem seria uma espécie de Pigmalião feminino da era da internet. Mas a minha preferida é a que dá à palavra o poder de despertar uma realidade que está potencializada num corpo ainda não fecundado. Porque o estado emocional da personagem é dado em algum momento. Ela vive um relacionamento real que é mais virtual do que aquele iniciado pelo computador, uma situação evidente de privação afetiva. A percepção da própria carência é a circunstância determinante do desejo por algo mais intenso. Porém, esse desejo á apenas latente, porque não tem um objeto em que se projetar. É alguma palavra lançada na tela do computador, que traz o significado de um homem dotado de poderes mágicos, que vai canalizar toda a ânsia por uma vida mais satisfatória. A partir daí, cada palavra desse homem vai se somar à primeira e construir na imaginação dessa mulher um texto que só ela lê. O próprio homem, aliás, cheio de reticências, um sinal muito eloquente da linguagem, parece não corroborar a leitura que ela faz do texto dele. Mas, para ela isso não importa. O texto que ela passa a recitar já estava ovulado, e só precisava do sêmen da palavra para germinar.

Se essa minha leitura tiver algum fundamento, aquela máxima do início desta resenha fica comprometida. E não seria pra menos, pois as palavras com esse poder de criação não andam jogadas ao vento como uma folha de papel em branco. Elas carregam o peso das ideias que transmitem e são certeiras, sempre visam um alvo determinado. A palavra que não tem o poder de transmissão de um pensamento é apenas um ruído para quem ouve, e uma mancha no papel para quem lê.

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Ademir Furtado é autor do romance Se eu olhar para trás (Dublinense, 2011).  As crônicas aqui publicadas aparecem no sítio Ademir Furtado.

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A crônica de Jeferson Tenório: Um mergulho na perda sem choro e nem vela

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Um mergulho na perda sem choro e nem vela: Apontamentos numa noite insone sobre o livro “A condição Indestrutível de ter sido”, de Helena Terra, por Jeferson Tenório

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Semana passada estive na Livraria Palavraria para assistir um evento sobre o “Tempo e Vento”, do Érico. Na saída vi que o livro “A condição indestrutível de ter sido”, de Helena Terra, estava para venda. Comprei. Minha intenção era lê-lo ao logo da semana. Cheguei em casa, jantei e fui dormir relativamente cedo.  A 1h da manhã perdi o sono. Acendi a luz do abajur. Olhei a pilha de livros na cabeceira. O livro da Helena sem mais nem menos furou fila de leitura. Passou na frente dos 14 livros que eu tinha de desbravar. Abri-o e comecei a ler. Li numa tocada só. Entrei na história madrugada adentro, ignorando que teria de estar de pé às 5h 30, para dar aula. Eram 4h da manhã quando terminei a leitura.

E a primeira coisa que posso dizer é que fui atingindo. Atingindo porque trata-se não apenas de uma história, mas de um mergulho na dor da perda afetiva. A interdição do pranto que a narradora anuncia já nas primeiras páginas “Cedo, condicionaram-me a não chorar” me empurrou para o meio do livro. Pois eu precisava saber aonde isso ia me levar. Mais adiante, a narradora diz que “Piazzolas” nos salvam, levantei as duas da manhã, peguei um vinil e coloquei “Oblivion”, queria ser salvo também.

O livro de Helena é o afeto visto com honestidade, mesmo que ele fira. É uma história sobre o processo doloroso e delicado da aceitação do deserto, do vazio e da ausência. A madrugada avançava ao mesmo tempo em que e o texto me incomodava. No interior das palavras iam surgindo as ruínas dos afetos e os detalhes ocultos do fim de um relacionamento que cada um de nós carrega calado. Até me deparar, talvez, com a frase mais inquietante do livro: saber que “as tarefas do afeto são penosas e impossíveis de delegar”, porque ninguém poderá doer por nós. O livro mostra que estamos todos no mesmo barco da condição humana: o eterno desamparo, aquele incomodo sentimento da falta. E buscamos no amor o regresso do aconchego, a ilusão de que não estamos sós.

Há no livro os elementos dos relacionamentos pós-modernos mediados pela tecnologia da internet, blogs, emails, instrumentos em que as relações vão se dando ao longo da narrativa, revelando, que por vezes, um click no mouse ou a espera de um email que não vem, pode nos derrubar o dia. Estamos longe das antigas trocas de cartas, dos telegramas e dos telefonemas em cabines telefônicas num dia chuvoso. Temos, agora, a frieza da tela branca do computador. Lugar onde os sentimentos parecem caminhar na mesma velocidade dos gigas e megas. Mas o tempo do coração é outro. E é disso que o livro de Helena nos lembra. Porque as tecnologias podem ser diferentes de cem anos atrás, mas as dores serão sempre as mesmas.

Por fim, se no livro não há choro, também não há vela, pois não se trata de uma história em que o amor já morreu e foi enterrado, mas é a fotografia de um amor agonizante. Aquele que ainda está morrendo, aos poucos. Não é o tempo do luto. A linguagem para expressar este momento tão específico se mostra rigorosa e bem lapidada, percebe-se um rigor quanto as escolhas das imagens e metáforas, já que se poderia correr o risco de cair num melodrama: “A fruta cai sozinha, mas o vento faz sua parte. A vontade humana é o vento e testa virtudes, paciências e fomes. A vontade humana deveria ser dissecada para comprovar se estamos verdes ou prontos para nos submetermos a ela.”

Após a leitura, fui dormir. Eram 4h30. Uma hora depois tive de levantar. Fui dar aula enquanto o texto ressoava ainda em minha cabeça. Passei o dia parecendo estar de ressaca, e pensando como Nietzsche que apesar de tudo, o amor ainda é a nossa última trincheira, nossa ultima chance para não cairmos no abismo de olhos fechados. Num abismo se cai de olhos abertos, numa experiência vertiginosa “Via a vertigem de uma queda se aproximando, do meu corpo tombando na palidez do chão”. Mas não há chão. O que quero dizer é que não há abrigo no texto de Helena. E a boa literatura é isso mesmo; desabriga, descentra e incomoda.

 

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Jeferson Tenório 01Jeferson Tenório. É feito de literatura. Professor e apaixonado por Dom Quixote. Premiado no concurso Paulo Leminski em 2009 com o conto “Cavalos não choram” e no concurso Palco Habitasul com o conto “A beleza e a tristeza”, adaptado para o teatro em 2007 e 2008, além de ter tido poemas selecionados no concurso Poemas no Ônibus em 2009. Faz mestrado em literaturas Luso-africanas pela UFRGS. É um dos idealizadores e apresentadores do Sarau das 6, evento de leituras e comentários sobre literatura apresentado mensalmente na Palavraria.

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