Posts Tagged ‘Alfredo Aquino

04
jul
13

Aconteceu na Palavraria, sábado passado, 29, AGES entrevista no Poesia Blues, com Marlon Almeida e convidados

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aconteceu

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Registro da gravação do programa Poesia Blues – AGES ENTREVISTA, realizado sábado passado, 29. Marlon de Almeida recebeu os escritores Maria Carpi, Nilva Ferraro, Adroaldo Bauer e Gelson Weschenfelder – com participação especial de Alfredo Aquino.

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Palavraria - livros c.

 

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18
jun
11

A crônica de Mariana Ianelli: Um Don Juan celestial

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Um Don Juan celestial, por Mariana Ianelli

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Ilustração de Alfredo Aquino

Eis que no mundo das investigações autorais hoje pairam rumores em torno das famosas Cartas Portuguesas. A suspeita é de que essas cartas de amor ardente desde há séculos atribuídas a Mariana Alcoforado tenham sido na realidade forjadas e que um homem chamado Guilleragues seja o autor dessa façanha literária.

Uma vez confirmada a hipótese, ganha a literatura uma das versões mais ousadas de Don Juan na voz de uma freira que troca sua fé pela má fortuna, que se mortifica, sacrifica sua vida e se deleita em morrer de amor num transe que seria um autêntico transe religioso se Deus não tivesse sido solenemente destronado por um homem. Esperando por uma visita, depois por uma carta e então não esperando mais nada, pedindo ao amante que se lembre dela, em seguida o desafiando a esquecê-la, apiedando-se de si mesma e então se gabando de amar com violência, vai esta freira enlouquecendo de amor, enlouquecendo esplendidamente, repetindo o nome de um homem mil vezes por dia, amando um retrato mil vezes mais que sua vida, até chegar à última carta como a última fase de um delírio, quando o fervor começa a se transformar em “qualquer coisa parecida com a tranquilidade”, um amor satisfeito em si, um amor sem amante.

Rilke, não por acaso, nutria especial admiração pelas Cartas Portuguesas. Assim como deu conselhos a um jovem poeta, também aconselhou certa vez uma de suas amantes a tomar como exemplo o amor de Mariana Alcoforado. Ele que era um solitário, mas sempre cercado de mulheres, fazia prevalecer esse delírio esplêndido em seus galanteios, e o fazia com tamanha arte que realmente acabava sendo visto por suas amantes como “um arcanjo de terno”, um “Fra Angélico”, “uma aparição”. Registre-se aí uma espécie rara de sedutor, um sedutor de almas. Um Don Juan celestial.

Publicado em Vida Breve

 

Mariana Ianelli nasceu em 1979 na cidade de São Paulo. Poeta, mestre em Literatura e Crítica Literária, é autora dos livros Trajetória de antes (1999), Duas Chagas (2001), Passagens (2003), Fazer Silêncio (2005), Almádena (2007) e Treva Alvorada (2010), todos pela editora Iluminuras. Como resenhista, colabora atualmente  para os Jornais O Globo – Prosa&Verso (RJ) e Rascunho(PR). Saiba mais sobre a autora em seu blog http://www2.uol.com.br/marianaianelli/

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04
jun
11

A crônica de Mariana Ianelli

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Um pássaro sujo de neve, por Mariana Ianelli

Assim o roteirista Tonino Guerra definiu certa vez o seu amigo de alma russa, filho de poeta, o cineasta Andrei Tarkovski. Os dois trabalharam juntos em Nostalgia, primeiro filme que Tarkovski realizou fora da Rússia, inspirado por uma saudade tão profunda do seu país que os campos abertos do interior da Itália nesse filme se converteram em campos de névoa iguais aos do vilarejo a trezentos quilômetros de Moscou onde o cineasta e sua mulher tinham uma casinha.

Para a elaboração do roteiro de Nostalgia, Tarkovski visitou com Tonino Guerra o grande portal de pedra que saúda a chegada dos barcos às areias de Flore, a arquitetura barroca das igrejas de Lecce, os paraísos turísticos de Amalfi e Sorrento. Tarkovski se inquietava com uma beleza tão explícita. Eram lugares excessivamente bonitos para o seu filme, radiantes demais para uma paisagem que devia ser a emanação das sombras do seu personagem, um poeta de nome Andrei, que viaja para a Itália em busca de material para biografia de um músico russo do final do século 18 que teria estudado em um conservatório de Bolonha. Nem a pedra ricamente trabalhada nem os cinematográficos espetáculos da natureza interessam a Tarkovski. Tampouco lhe interessam enredos engenhosos, rebuscados, monumentais. Interessa-lhe o detalhe sublime, a força de uma pintura, de uma música, de um poema, o mínimo que poderá fazer do seu filme “um todo metafísico”. Interessa a Tarkovski realçar os interiores, o interior de uma casa, de um quarto de hotel, de uma igreja, e uma planície a perder de vista, um campo a céu aberto que é também um interior, o interior de um homem doente de nostalgia, exilado de sua história, desgarrado de sua pátria e sua família, um homem apaixonado pelo cadáver de sua infância, um solitário que se deixa engolir pela neblina.

Escapando da censura, Tarkovski partiu da Rússia para recriá-la na Itália. Acusado de “ter se afastado da realidade” em seus filmes, não podia estar mais profundamente inserido em seu tempo, na angústia do vazio espiritual de seu tempo. Tarkovski acreditava na dignidade e na verdade da arte quando já esses critérios eram molestados pelos próprios artistas. Acreditava na liberdade nos termos de Púchkin, uma liberdade enquanto pacto de honestidade consigo mesmo, sem esperar agradar ou ter sucesso, sem motivações propagandísticas. Considerava-se filho do seu país, preso à sua vocação, e era livre. Era um pássaro seduzido pelo adágio que sobe das ruínas. Um artista que descobriu no seu passado o seu destino.

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Ilustração de Alfredo Aquino

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Publicado em Vida Breve

 

Mariana Ianelli nasceu em 1979 na cidade de São Paulo. Poeta, mestre em Literatura e Crítica Literária, é autora dos livros Trajetória de antes (1999), Duas Chagas (2001), Passagens (2003), Fazer Silêncio (2005), Almádena (2007) e Treva Alvorada (2010), todos pela editora Iluminuras. Como resenhista, colabora atualmente  para os Jornais O Globo – Prosa&Verso (RJ) e Rascunho(PR). Saiba mais sobre a autora em seu blog http://www2.uol.com.br/marianaianelli/

Mariana Ianelli publica aos sábados no blog da Palavraria.

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26
ago
10

Palavraria indica: Carassotaque, livro de Alfredo Aquino

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Carassotaque, livro de Alfredo Aquino. ARdoTEmpo, 2009.

À venda na Palavraria – R$ 30,00

Reserve seu exemplar – palavraria@palavraria.com.br, 3268 4260
ou venha até a loja: Rua Vasco da Gama, 165 – Bom Fim

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Carassotaque é um romance cujo tema central é o medo; o medo generalizado, silencioso e coletivo de toda a população de um país chamado Austral-Fênix, no qual os habitantes nativos perderam suas faces e suas cabeças. Ali apenas os estrangeiros mantém suas cabeças e vêem a todos os circunstantes com elas. E são vistos pelos habitantes locais também com suas próprias cabeças, daí serem apontados como os carassotaques. O livro é uma metáfora sobre o poder, sobre o autoritarismo demagógico, sobre a atmosfera opressiva e secreta que envolve e domina a todos, sobre a xenofobia, sobre o racismo e a discriminação contra os estrangeiros (ou todos os indivíduos que sejam considerados diferentes).

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Alfredo Aquino é artista plástico, ilustrador, escritor, editor e curador de exposições de artes plásticas. Realizou várias exposições de seus desenhos e pinturas em São Paulo e Porto Alegre. Curador de exposições de pintura e fotografia, é responsável, entre outras, pelas mostras Brasil – Camisa brasileira, fotografias de Gilberto Perin – Porto Alegre, 2010; Ave, Flor – poemas de Cleonice Bourscheid com ilustrações botânicas da artista Anelise Scherer – Porto Alegre, 2009 e Desenho Anônimo – Utensílios, instrumentos e adornos da imigração no sul – São Paulo, 2007. É co-autor, com Inácio de Loyola Brandão, do livro bilíngüe/português-francês Cartas (contos e desenhos, Iluminuras, 2004) e autor do livro A fenda (contos, Iluminuras, 2007). É o editor responsável pela Editora ARdoTEmpo e pelo blog ARdoTEmpo – Blog de Arte, Literatura e Comportamento.


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18
jul
09

Aconteceu na Palavraria – A visita do Schlee

Sábado passado, 11, a Palavraria viveu um momento agradavelmente incomum. O escritor Aldyr Garcia Schlee brindou àqueles que desafiaram o frio da tarde com uma bela conversa sobre seus dois últimos livros: o romance Don Frutos e a coletânea de contos – ou um romance? – Os limites do impossível.

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Eu disse incomum, ali em cima; já o Schlee começou sua fala caracterizando o encontro de “absurdo”. Referia-se à estranha circunstância de nos reunirmos para falar de livros não publicados, que é bem o caso de Don Frutos e de Os limites do impossível. O absurdo, para alguns de nós ali presentes, não se aplicava bem a isso, mas ao fato de aqueles dois livros não terem sido publicados ainda. Mas isso é outro assunto.

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Agora, minha intenção é simplesmente registrar o acontecimento, dando gracias ao Aldyr pelo eloquente testemunho – além da atitude sempre simpática e disponível com tudo e com todos – que deu do seu trabalho literário aos atentos e felizes espectadores.  Nosso agradecido e afetuoso abraço, Aldyr.

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E vai um agradecimento especial ao amigo Alfredo Aquino, que – desde a idéia de trazer o Schlee a Porto Alegre lá do seu distante Capão do Leão, até o momento da sua volta para casa – dedicou-se  com eficiência e atenção aos fazeres da produção.

Luiz Heron

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