Posts Tagged ‘Carla Osório



31
maio
13

Vai rolar na Palavraria, nesta segunda, 03/06: Clube de Leitura, com O pintor de batalhas, de Arturo Pérez-Reverte

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clube de leitura

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Leitura de junho: O pintor de batalhas, de Arturo Pérez-Reverte

Mediação: Carla Osório

 

03 de junho de 2013, segunda-feira, 19h

Na Palavraria

o pintor de batalhas - capa

O consagrado escritor Arturo Pérez-Reverte, autor de um dos maiores best-sellers da Europa – a série do Capitão Alatriste -, traz neste O pintor de batalhas um profundo “romance de idéias”. A história começa em pleno retiro de um ex-fotógrafo de guerra, o espanhol Andrés Faulques, que depois de trinta anos de carreira de sucesso abandonou as câmeras para dedicar-se à pintura de um grande mural em que tenta representar aquilo que escapou às suas lentes: a essência da guerra. Logo seu isolamento é interrompido pela chegada de um visitante inesperado, Ivo Markovic, ex-combatente croata que ele fotografou, e cujo retrato se tornaria símbolo internacional da resistência. O que Faulques não sabe é que essa foto teve conseqüências terríveis para o fotografado, e a única coisa que o manteve vivo foi a idéia de se vingar do fotógrafo.

Os encontros dos dois personagens e seus diálogos tensos diante da pintura em curso logo se revelam o fio condutor do romance, ao qual se entrelaça o da memória do pintor. Com essa matéria, Pérez-Reverte, ele próprio ex-fotógrafo de guerra, construiu seu romance mais reflexivo e autobiográfico. Uma obra que, sem decepcionar seu público afeito às grandes aventuras, trabalha com sofisticada maestria questões fulcrais da condição humana contemporânea.
O pintor de batalhas venceu o prêmio Vallombrosa Gregor von Rezzori de 2008.

perez-reverteArturo Pérez-Reverte nasceu em Cartagena, Espanha, em 1951. Foi jornalista correspondente de guerra e, em 1994, abandonou sua carreira para se dedicar exclusivamente à literatura. Seus livros já foram traduzidos para mais de vinte e nove idiomas, e alguns foram adaptados para o cinema. A série As aventuras do Capitão Alatriste vendeu mais de 4,5 milhões de livros na Espanha. Sempre polêmico, escreve artigos na revista dominical XLSemanal. Neles critica com dureza a sociedade espanhola, a igreja católica, o sistema financeiro internacional, a precariedade laboral juvenil, o feminismo radical, o separatismo basco e catalão, a linguagem politicamente correta, o terrorismo da ETA, entre outros temas.

Site oficial do autor: www.perezreverte.com

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Clube de Leitura Penguim/Companhia das Letras – Palavraria

Inscrições gratuitas

O Clube de leitura reúne, preferencialmente na primeira segunda-feira de cada mês, pessoas interessadas em ler e trocar idéias sobre obras da literatura clássica e contemporânea.

A primeira reunião foi em novembro de 2012, e discutiu o livro Terra Sonâmbula, de Mia Couto. Já foram enfocados Se um viajante numa noite de inverno (Italo Calvino), Caixa preta (Amoz Oz), Jacob, o mentiroso (Jurek Becker), Barba ensopada de sangue (Daniel Galera), A ausência que seremos (Héctor Abad) e Risíveis amores (Milan Kundera).

Em cada reunião os participantes escolhem as obras a serem discutidas nos próximos encontros e os respectivos mediadores, que serão sempre alternados.

Os participantes do Clube de Leitura terão um desconto de 10%, ao adquirirem na Palavraria os livros destinados à discussão. 

Informações e inscrições na Palavraria
Rua Vasco da Gama, 165 – 51 3268 4260 – de segunda à sexta das 11 às 21h
ou pelo email palavraria@palavraria.com.br.

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Palavraria - livros a.

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08
nov
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Aconteceu na Palavraria, nesta segunda, 05/11: 1º encontro do Clube de Leitura

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Aconteceu na Palavraria, nesta segunda, 5, o primeiro encontro do Clube de Leitura Penguin/Companhia – Palavraria, que discutiu o livro Terra sonâmbula, de Mia Couto, com mediação de Carla Osório. Fotos do evento.

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Conversas na biblioteca, com Carla Osório: Arrumação da Biblioteca, a saga

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Arrumação da Biblioteca, a saga – por Carla Osório

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Confesso que ainda não arrumei minha biblioteca. Os dias quentes do verão porto-alegrense e desse inverno que não me deixam sentir frio me dão um desânimo de dar dó.

Mas aconteceram coisas interessantes. Procurava um livro já há algum tempo, Medo dos Espelhos, do Tariq Ali, e de repente ele resolveu dar as caras. Sem mais nem menos era o primeiro livro da primeira pilha e eu nem tinha reparado.

Esse fato me lembrou uma animação que está na internet, cujo nome é The Joy of Books, e começa quando o livreiro fecha a porta da livraria e os livros ganham vida, passeiam pelas estantes, mudam diversas vezes de lugar, dançam e quando amanhece o dia voltam a normalidade com que nós, humanos, estamos habituados. Desconfio que alguns livros se apaixonam e ou tornam-se amigos e, por isso, não voltam ao lugar onde o livreiro os deixou. Como já encontrei Crime e Castigo na estante de História, imagino que Dostoiévski ou Raskolnikolv tenham tido uma certa curiosidade histórica.

Aqueles que pensam que os livros são meros objetos inanimados, tenho que dizer que se enganam redondamente. Livros são encontrados quando não os estamos buscando e teimam em se esconder quando os queremos obsessivamente. Suspeito que tenham um prazer em nos ver procurando-os, pensando que nunca mais iremos vê-los, desesperados porque aquela edição é especial (afetiva ou materialmente) para logo em seguida se apresentarem, quase com um sorriso na capa, dizendo: estou aqui e não te abandonei.

Costumo dizer para alguém que entra na Palavraria para dar uma “olhadinha”, que são os livros que nos escolhem e não o contrário. Quem de nós não chegou cheio de razão para comprar um determinado livro e de repente, por um motivo inexplicável, leva outro, que sequer fazia parte da eterna lista que todos nós leitores temos, na mente ou no papel.

No Cemitério dos Livros Esquecidos (lugar situado em Barcelona nos romances A Sombra do Vento e Jogo do Anjo, de Zafón) o leitor iniciado pelo livreiro Sempere caminha por estantes intermináveis até que um livro o escolha, e este livro o leitor se compromete a não deixar que seja destruído. Um dos aspectos interessantes nesses dois livros é que o leitor se perde no labirinto de estantes, encantado com as milhares de possibilidades e leva um só livro. Com os amigos e os amantes também acontece o mesmo. Quantas pessoas conhecemos todos os dias e por quantas nos apaixonamos? Quem escolhe quem e por que critrérios?

Por que escolhemos um livro em uma estante e não outro? Quem escolhe quem? 

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Carla Osório é sócia-proprietária da Palavraria.

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30
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Conversas na biblioteca, com Carla Osório: Estantes

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Estantes, por Carla Osório

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Pois muito bem, resolvi passar um anti-cupim em uma das minhas estantes, logo aquela da sala. Tirei todos os livros, empilhei em vários lugares e agora olho para eles e me dá uma agonia, aquela bagunça toda me deixa angustiada: será que Borges está ao lado ou sobre Sábato; Vargas Llosa ao lado de Garcia Marquez? Esses equívocos seriam imperdoáveis, eles se rebelariam contra a ordem estabelecida autoritariamente ou me desprezariam por colocá-los juntos em posição tão incômoda, ou ainda pior: ordenariam um ataque de cupins e traças a todos os livros!

Preciso arrumar a estante e resolver essas pendências, deixá-los (os livros) tranquilamente intranquilos. É algo como organizar  os pensamentos depois de um susto ou um trauma qualquer. Preciso de ordem e método, como diria Poirot. Mas também me pergunto se as estantes do detetive Espinoza (personagem das novelas policias de Garcia-Roza) não seria um modo mais prático de resolver esse assunto (o das estantes e seus respectivos cupins).

Espinoza faz estantes com os próprios livros: primeiro na vertical, depois na horizontal, depois novamente na vertical e assim por diante. Seria uma forma interessante, consigo imaginá-la até com uma certa graça. Mas e se eu resolvesse reler um livro que está na horizontal, como ficariam todos os de  cima? Caíriam? Certamente sim, talvez fizessem uma ou duas concessões pra mim e durante um certo tempo. Mas no final das contas acabariam  por me deixar com uma pilha desarrumada e provavelmente machucada. E alguns machucados de quedas são irreversíveis, principalmente quando se trata daquelas brochuras mais antigas, ou pior daquela nova edição de Guerra e Paz (belíssima, objeto de desejo e puro fetiche publicado pela Cosac Naify).

Pronto: problema resolvido, as estantes do Espinoza não são pra mim, portanto voltarei àquela questão que não quer calar: ao trabalho e arrumar essa biblioteca!

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Carla Osório é sócia-proprietária da Palavraria.

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25
fev
12

Cartas à Palavraria, por Reginaldo Pujol Filho: abaixo os smurfs

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Abaixo os Smurfs, por Reginaldo Pujol Filho

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O lado bom de mandar cartas é que dá pra falar de coisas que aconteceram há mais tempo. Não o hoje, o nesse minuto. Em cartas, pelo menos do que eu lembro, se falava da semana, do mês passado, do ano passado. Pues, feita essa brilhante reflexão missivista, começo dizendo que existem muitos culpados por eu estar nesse momento em Portugal. Em primeiro lugar, empatados, claro, eu e a Jajá, que inventamos e abraçamos essa história. Mas, entre tantos que me empurraram pra cá, que me motivaram, é claro que aparece a Carla. Como não? Veja só, foi a Carla que, no longínquo ano de dois mil e internet discada, recomendou pra minha amiga Ana Marson que me desse de amigo secreto o livro Senhor Henri, do Gonçalo M. Tavares. Dizem, as duas, que a Carla teria dito que achava a minha cara. Não sei se pelas quantidades de absinto que o personagem bebe, mas, se não foi por isso, até hoje acho esse um dos melhores elogios que já recebi. Porque, pelo menos como leitor, sim, o Senhor Henri era e é a minha cara. Fiquei fissurado naquele livrinho por muito tempo e, quando vi, já tinha comprado Senhor Valéry, Senhor Brecht, tudo o que saía do Gonçalo M. Tavares e, bem, virei um fã incondicional do sujeito e dos seus livros a ponto de estar aqui, em Lisboa, a dois dias de começar a ter aulas com ele. Então, me parece lógico, que, se a Carla (via Ana), inoculou esse vírus em mim, tem sua parcela de culpa por minha estada lisboeta. No que lhe sou muito grato, Carla.

Mas, se há males que vem pro bem, há bens que vem pro mal?

É que, Carla, por causa desse vício de leitura que tu me ajudou e estimulou a desenvolver, como qualquer viciado hard, acabo fazendo bobagens. Coisas feias. Não, ainda não vendi controle remoto pra comprar livro – o que não seria má ideia se não passasse Simpsons na TV. Mas, um tempinho atrás, descobri por esses lados de cá do oceano que o Gonçalo não ia lançar um, mas dois livros. Numa tacada só. Short Movies, pela Caminho e Canções Mexicanas, pela Relógio d’Água. Me cocei todo. Fui na Pó dos Livros na semana prevista pro lançamento e não tinha ainda. Ia chegar. Fui em outras livrarias e nada. Pesquisei e descobri. Tinha acabado de chegar naquele sábado. Na FNAC.

Pois, senhores e senhoras, com Pó dos Livros, com Ler Devagar, com muitas outras livrarias bacanas a descobrir por aqui, fui parar num shopping, numa FNAC pra saciar minha vontade de comprar os livros no dia em que eles chegassem na loja. Numa FNAC. Nem precisa apresentar essa livraria (entre-aspas) pra ninguém aqui. Todo mundo sabe como é. É um BIG que, por acaso, em vez de costela minga, tá vendendo Gonçalo Tavares. E ainda era época próxima de Natal, com promoções mil não só de livros, mas de TV LCD, notebook, fone de ouvido. A vontade era de entrar, catar os Gonçalos e sair. Mas, pombas, já que tava no inferno, tinha que abraçar o diabo. Pelo menos, os caras têm muitos descontos, então é um pouco difícil de resistir a folhear uns livros em promoção, com preços convidativos, quem sabe fazer uma descoberta? Ah, tente fazer isso com umas quatro TVs divulgando o DVD dos Smurfs. Descobri que é impossível prestar atenção na primeira página de qualquer livro com a trilha sonora do menu do DVD dos Smurfs rolando em looping eterno. E o seguinte: não sei por que, mas essas TVs estavam estrategicamente posicionadas do lado das prateleiras de promoção. Sei lá, talvez fosse pra entrar na mente dos pais que procuravam livros, um compre-batom, compre-batom, compre-batom. Não sei. Enlouquecedor. Acabei descobrindo que eles até tem uma sala anti-smurf, uma sala de leitura, mas parece que o negócio dos caras não é mesmo ver gente lendo. É que a tal sala, que eu olhei rapidinho, era um meio termo entre uma sala de espera de dentista, e um fumódromo. Asséptico, impessoal, uns bancos ao longo da parede, nenhum sex ou read appeal. E aí que eu pensei: como esse tipo de coisa faz mal pro mundo dos livros, eu acho. Pensa bem:

Se a única vantagem que a FNAC e outras hiperultragigamegastore têm é preços imbatíveis, e, se isso a gente encontra na internet também, no conforto do lar-doce-lar e sem música dos Smurfs (a não ser que o cara curta a trilha dos Smurfs e ouça no computador), mas se é só isso que eles oferecem a nós, leitores, me pergunto, por que é que nós, leitores, vamos levantar a bunda da cadeira e ir tomar ombrada dos compradores de câmera digital, depilador elétrico e leite longa vida (entrou por engano na livraria achando que era o hipermercado)? Me parece que, quando se cria essa imagem sem graça, corrida, hora-do-rush do lugar onde se compra livro, ninguém vai ter mais prazer de ir nesse lugar. Praticidade por praticidade, fica-se em casa. E cria-se o hábito de comprar em casa. E não se entra mais em livrarias de bairro, como a Palavraria, a Pó dos Livros, a Bamboletras e deixa acontecer coisas como, além do livro que se quer comprar, folhear um desconhecido e descobrir um autor por acaso e conversar com um livreiro-de-carteirinha, ou um outro leitor mesmo, sobre esses e outros livros. Não. Fica-se em casa, digita na comparação de preços o livro, compra exatamente o livro e deixa a livraria da esquina ser comprada pela Igreja Universal.

Que que eu vou dizer?

Se o Gonçalo lançar mais um livro, espero um diazinho a mais pra comprar. Ou, abaixo os Smurfs.

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Reginaldo Pujol Filho, escritor portoalegrense, é um dos primeiros autores da Não Editora. Tem dois livros de contos publicados, Azar do Personagem e Quero ser Reginaldo Pujol Filho e é o organizador da antologia Desacordo ortográfico. Publicou contos em antologias como 101 Que Contam e Histórias de Quinta (organizadas por Charles Kiefer), 24 Letras Por Segundo (org. Rodrigo Rosp), no Janelas (projeto de cartazes literários dele com o amigo e poeta Everton Behenck) e no youtube. Mantem o blog Por causa dos elefantes.

29
dez
11

Cartas à Palavraria, por Reginaldo Pujol Filho: o pão de queijo metafórico

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O pão de queijo metafórico, por Reginaldo Pujol Filho

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Então um dia eu falei por e-mail pra Carla que tava com saudade do pão de queijo (me senti um pouco imigrante de Varginha com essa). Ela me perguntou se não tinha aqui. E isso me lembrou de quando, bem gauchito orgulhoso barbaridade, perguntei pra Miranda (uma guria da Nova Zelândia que fez intercâmbio no meu colégio) se ela já tinha comido churrasco. Ela me respondeu que sim, e eu perguntei qual carne ela tinha gostado mais. Ela me perguntou Carne? Eu respondi Ué, sim, carne. Ela retrucou Mas churrasco não é desculpa pra tomar cerveja? O churrasco metafórico, o pão de queijo metafórico. Pois é, Carla, saudade do pão-de-queijo-desculpa-pra-ir-na-palavraria, era isso que eu tava dizendo.

Pois sigo investigando essa metáfora por aqui. Não, não dispensei a simpática Pó dos Livros, pelo contrário. Comprei lá presente de Natal pro filho de um amigo e também ganhei presente de lá.

Mas é essas coisas estar no exterior, ávido por descobertas. Pois assim fui parar na Ler Devagar. Já simpatizei com o nome por afinidade. E com a livraria pelo que a internet me dizia dela, o dono não queria vender best sellers e coisa assim. Ah, vamos ver qualé. Fomos lá eu e a Jajá, que ir na Ler Devagar é uma coisa até turisticamente bacana de fazer. Ela fica no LX Factory que é uma coisa daquelas que Porto Alegre vive prometendo fazer no Cais, no Navegantes, onde quer que haja coisa velha na cidade. Pois o LX é sim uma antiga área fabril, embaixo dum viaduto gigantesco, que não foi recuperada, restaurada, foi simplesmente tomada. Os espaços são cedidos a preço de bacalhau – banana é caro aqui – pra sujeitos com propostas legais pro espaço. Então tem restaurante, ateliers, lojas, empresas de arquitetura e a Ler Devagar.

Porque a Ler é um espaço legal. Aliás, parece ser um DOS lugares legais no momento em Lisboa. Um pé direito enormesíssimo, um bar de vinhos no meio da loja, instalações com bicicletas voadoras no teto, a tal máquina tipográfica jurássica que já estava lá (e todo mundo acha o máximo), é (infelizmente) permitido fumar – o que deixa o lugar intelecool e tem eventos, shows, lançamentos do Valter Hugo Mãe e vamo que vamo. Pois repararam que eu falei, falei, falei e não falei exatamente de livros. É que a Ler Devagar me parece um lugar legal. Que vende livros. Não exatamente livraria. Claro que tem coisas boas a preços bons (vi muitos livros de autores brasileiros por preços fantásticos, como o Voo da Madrugada do Sérgio Sant’Anna por 3 euros). Mas é até um tanto bagunçada a distribuição dos livros, fui duas vezes lá e ainda não entendi muito bem como achar. Como se os livros não fossem exatamente o esquema por ali. Isso dá até uma aura meio blasé. Uma coisa tipo Livros? Vender? Ah, sim, pois é, vendemos. Vejo mais pessoas lá sentadas tomando um vinho, fumando um cigarro, discutindo pós-estruturalismo em tempos líquidos, do que folheando um livro e perguntando o preço. Peraí, calma lá: claro que eu gosto, e mais do que isso, adoro livraria-buteco. Estamos no blogue da Palavraria, gente. Acho inclusive importante as livrarias terem esse tipo de estrutura, criarem essa aura, é um jeito de fortalecer o mundo e o imaginário ao redor do livro e da literatura. Fazer da livraria um lugar legal, sem carranca, sem cara de aula de literatura e leitura obrigatória pro vestibular. Um lugar onde estão os amigos, se conhece gente, acontecem coisas legais e se encontra livro e a turma que gosta de livro.

Mas, sei lá, parece que a Ler Devagar foi um pouco adiante, que, se precisar botar mais mesas pra bombar, até tiram uns livros dali. Chego a pensar que não seja um descarinho pelos livros. Pode ser é um sintoma. De que é tamanho o esforço necessário pra convencer as pessoas hoje em dia a irem numa livraria, que dá pra perder a medida. É tanto atrativo, tanta parafernália, tanto auê pra motivar a turma, que as pessoas acabam querendo só auê. A parafernália toma conta. Ainda gosto mais das livrarias com bar onde a gente pede o pão de queijo (metafórico ou não) e a Carla pergunta se eu li o último Gonçalo Tavares. Ou, na hora em que vou pagar a cerveja, o Carlos me pergunta se eu já li Francisco José Viegas (ainda não, Carlos). Livraria com bar. E não bar-point-hype com uns livros ao redor. Nunca tinha pensado nisso. Mas acabei de pensar. Esse é o pão de queijo da questão.

Ah, mas vale o passeio pra conhecer.

Livros comprados na Ler Devagar: O Voo da Madrugada (Sérgio Sant’Anna) e uma Revista LER


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Reginaldo Pujol Filho, escritor portoalegrense, é um dos primeiros autores da Não Editora. Tem dois livros de contos publicados, Azar do Personagem e Quero ser Reginaldo Pujol Filho e é o organizador da antologia Desacordo ortográfico. Publicou contos em antologias como 101 Que Contam e Histórias de Quinta (organizadas por Charles Kiefer), 24 Letras Por Segundo (org. Rodrigo Rosp), no Janelas (projeto de cartazes literários dele com o amigo e poeta Everton Behenck) e no youtube. Mantem o blog Por causa dos elefantes.

14
dez
11

Cartas à Palavraria, por Reginaldo Pujol Filho

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Carta pra Carla: tá tudo bem aqui, por Reginaldo Pujol Filho

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A última vez que eu fui na Palavraria, depois de uns abraços na turma, etecétera e tal, aconteceu assim: a Carla me olhou tentando sorrir e perguntou E aí, e as livrarias lá? Na hora não me caiu a ficha, mas agora, sempre que lembro da Carla perguntando e aí, e as livrarias lá, tenho a impressão de ver uma mãe perguntando pro filho que saiu de casa, tentando demonstrar interesse e felicidade pro filho que saiu de casa, alguma coisa como E aí, tá te alimentando direito? Ou, se o filho saiu de casa pra morar com aquela outra que ele insiste em chamar de esposa, a mãe perguntaria E aí, quem tá lavando tuas roupas? Isso aí do lado do bolso da camisa é uma mancha que não saiu? Aquele jeito de mãe de dizer que tá com saudade, que tá preocupada e que não entende porque que tu foi buscar tão longe, entre estranhos, tudo o que tu já tinha em casa, no teu quarto, entre as figurinhas do campeonato brasileiro e os cartuchos de Atari que ela ainda guarda pra ti.

Pois bem, dona Carla, resolvi te contar se tão me alimentando direito, se a minha roupa tá bem passada e por que livrarias tenho andado e vou andar aqui em Lisboa nesse ano longe de casa.  Espécie de cartinhas pra mãe (e quem sabe dicas pra quem vier a Lisboa e tiver uma síndrome de abstinência de livrarias).

A primeira livraria com que eu simpatizei por aqui se chama Pó dos Livros.

 Vai saber se é uma coisa edipiana de buscar uma projeção da Palavraria por aqui, mas é uma loja de bairro, tem muita coisa de editoras pequenas e independentes, realiza eventos e lançamentos (ainda não fui, mas tem) e, principalmente, tem um bar (ou café pra quem quiser assim). É claro que não tem assim, de repente, uma turma do Charles Kiefer descendo a escada e, de uma hora pra outra, lotando a livraria onde só tu estava até então. Nem o Pena chegando e perguntando se tem cerveja nesse buteco, ou o Rosp correndo com uma caixa de livros e, defeito gravíssimo, os donos não sabem que eu não preciso de copo quando peço uma long neck.

Tudo bem, acho que aos poucos vou me convencendo que vai ser preciso que eu frequente durante quase dez anos uma livraria, que os donos tenham a impressão de que me pegaram no colo, pra que eu encontre tudo isso em alguma outra.

Mas, vá lá, vou ter que achar a minha livraria por aqui.

E a Pó dos Livros pode ser. Porque além do bar, da simpatia do ambiente, tem o fundamental: um bom acervo de livros (com direito a um mini sebinho – ou alfarrabista, como eles dizem – na entrada), e gente que gosta de livros. Muitas vezes nem consultam o sistema pra pegar o livro que tu pediu. E, quando não sabem que título é esse que tu tá pedindo, em vez de dar uma meia dúzia de digitadas e te responder com uma voz de phone bank que dá pra encomendar, te perguntam Mas que livro é esse, pesquisam mais sobre ele, querem saber que diacho de livro é esse que eles, livreiros, não conhecem e, claro, depois encomendam. Porque, afinal de contas, é um pouco isso que faz a gente ir numa livraria, não é? É mais do que encontrar um livro, é estar em contato com o mundo desse e de todos os livros. E pra esse mundo ser completo, é preciso que quem está ali do outro lado do balcão não seja alguém que venda tão bem Camus quanto venderia rebimboca da parafuseta recondicionada pro teu Voyage. É saber que pode receber uma recomendação e uma dica bem mais preciosa do que Quem comprou este livro também comprou esse. É esse um dos motivos pelos quais eu procuro e gosto de ir em livraria. Claro, também pra encontrar uma dona que tenha a mania de fazer cócegas na gente. Mas isso eu acho que os portugueses são um pouco sérios demais pra fazer.

O que eu comprei na Pó dos Livros: Crítica e Clínica (Gilles Deleuze), Perder Teorias (Enrique Vila Matas) e Tree of Codes (Johnatan Safran Foer – encomendado, ainda não chegou)

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Reginaldo Pujol Filho, escritor portoalegrense, é um dos primeiros autores da Não Editora. Tem dois livros de contos publicados, Azar do Personagem e Quero ser Reginaldo Pujol Filho e é o organizador da antologia Desacordo ortográfico. Publicou contos em antologias como 101 Que Contam e Histórias de Quinta (organizadas por Charles Kiefer), 24 Letras Por Segundo (org. Rodrigo Rosp), no Janelas (projeto de cartazes literários dele com o amigo e poeta Everton Behenck) e no youtube. Mantem o blog Por causa dos elefantes.




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