Posts Tagged ‘Carlos Drummond de Andrade

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Vai rolar na Palavraria, nesta sexta, 31, Dia D – Dia Drummond, com Pedro Gonzaga, Diego Grando e Diego Petrarca. Mediação de Carla Osório – Na Feira Além da Feira 2014

ESTA SEMANA NA PALAVRARIA b.

31, sexta, 19h: Feira Além da Feira – Dia D – Dia Drummond, com Pedro Gonzaga, Diego Grando e Diego Petrarca. Mediação de Carla Osório

dia drummond 2014


drummondCarlos Drummond de Andrade 
nasceu em Itabira (MG), em 1902. Um dos mais importantes poetas brasileiros de todos os tempos e um dos grandes nomes da poesia internacional do século XX, estreou na literatura em 1930, com os versos de Alguma poesia, e nos cinquenta anos seguintes publicou diversas obras fundamentais em verso e prosa, como Sentimento do mundo, A rosa do povoContos de aprendiz e muitos outros. Consagrado, estudado e admirado por leitores de todas as idades, Drummond morreu no Rio de Janeiro em 1987, aos 84 anos.

diego-grandoDiego Grando nasceu em Porto Alegre, em 1981. Publicou Desencantado Carrossel (2008), o livreto 25 Rua do Templo (2010) e Sétima do Singular (2012). É formado em Letras na UFRGS e possui mestrado em Escrita Criativa pela PUCRS.

pedro gonzagaPedro Gonzaga nasceu em Porto Alegre em 1977, é tradutor, músico, escritor e radialista. Graduou-se em 1998 em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e possui mestrado em Letras pela mesma Universidade (2008). Em 2011 publicou Última temporada, seu primeiro livro de poemas, tendo anteriormente publicado Cidade Fechada (2004) e Dois andares acima(2007), ambos os livros de contos. Gonzaga traduz principalmente do inglês, sendo atualmente um dos principais tradutores no Brasil do escritor norte-americano Charles Bukowski, de quem traduziu sete obras. Pedro Gonzaga é também professor de latim, além de apresentar o programa de jazz e MPB “Música para adultos” na Rádio Elétrica de Porto Alegre. É membro da banda de jazz Chico Trio, onde toca saxofone.

diego_petrarcaDiego Petrarca nasceu em Porto Alegre em 20 de março de 1980. Mestre em Teoria Literária – Escrita Criativa. Publicou três livros independentes: Nova Música Nossa (crônicas) 1998, Mesmo (poesia) 2003, Via Cinemascope (poesia) 2004, e uma edição-xeróx, Banda (poesia) 2002. Premiado em concursos literários. Integrou mais de 11 antologias por editora convencional. Publicou textos e poemas em jornais e revistas. Trabalha em projetos literários: leitura em público, produção de eventos e jornalismo literário. É professor de literatura e ministra oficinas literárias em órgãos de cultura em Porto Alegre.

CARLA OSÓRIOCarla Osório é sócia-proprietária da Palavraria.

 

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feira além da feira 2014b
Feira Além da Feira é um evento para ampliar os espaços e as atrações para aqueles que desejam aproveitar a atmosfera literária que toma conta da cidade em outubro e novembro.
Muitas pessoas trabalham pela organização da Feira Além da Feira, e seria injusto não citar todas, mas o grupo responsável pelas decisões é formado por Gabriela Silva, Jeferson Tenório, Diego Petrarca, Fernando Ramos e Eduardo Cabeda. A ideia compartilhada cresceu, formamos uma equipe e uma rede de parcerias solidárias que permitem que todas as nossas atividades sejam gratuitas. Nosso lucro é a difusão cultural, em constante busca pelo espaço cada vez mais amplo para a literatura.
Em 2014 a Feira Além da Feira ocorrerá no período de 30 de outubro a 16 de novembro, com uma extensa programação em diversos locais da cidade. Convidamos a todos para acompanhar nossa programação e participar deste evento que é um resumo de todo nosso amor pela literatura.

Confira a programação completa:http://www.feiraalemdafeira.com.br/programacao/

Palavraria - livros a

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Vai rolar na Palavraria, nesta quinta, 31, Dia D – Drummond: Leituras de poemas de Carlos Drummond de Andrade, com Gabriela Silva, Carla Osório e Pedro Gonzaga. Na programação da Feira Além da Feira

program sem

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31, quinta, 19h: Dia D – Drummond: Leituras de poemas de Carlos Drummond de Andrade, com Gabriela Silva, Carla Osório e Pedro Gonzaga. Na programação da Feira Além da Feira.

drummond

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira (MG), em 1902. Um dos mais importantes poetas brasileiros de todos os tempos e um dos grandes nomes da poesia do século XX em qualquer idioma, estreou na literatura em 1930, com os versos de Alguma poesia, e nos cinquenta anos seguintes publicou diversas obras fundamentais em verso e prosa, como Sentimento do mundo, A rosa do povo, Contos de aprendiz e muitos outros. Consagrado, estudado e admirado por leitores de todas as idades, Drummond morreu no Rio de Janeiro em 1987, aos 84 anos.

gabriela silva 02Gabriela Silva. Tem literatura no seu DNA. Desde a infância convive com homens e deuses e as histórias que lhe contam. É formada em Letras, estuda o mal e a morte na literatura e todas as teorias conspiratórias e literárias. É doutoranda em Teoria da Literatura na PUCRS, tendo como foco a construção da personagem. Idealizadora e apresentadora (com Lígia Sávio, Jeferson Tenório e Jaqueline Bohn Donada) do Sarau das Seis, programa de leituras e comentários sobre literatura apresentado mensalmente na Palavraria desde 2011.

pedro gonzagaPedro Gonzaga é músico, tradutor e escritor. Já verteu para o português nomes como Conan Doyle, Patricia Highsmith, Raymond Chandler e Charles Bukowski. É autor do livro de contos Cidade Fechada (2004), Editora Leitura XXI. Em 2007, lançou seu segundo livro, também de contos, chamado Dois Andares: Acima!, Editora Novo Século. Participou ainda de diversas coletâneas digitais e impressas.

CARLA OSÓRIOCarla Osório é sócia-proprietária da Palavraria.

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feira além da feira 2013

Feira Além da Feira é um evento paralelo à Feira do Livro de Porto Alegre, com diversas atrações gratuitas reunindo grandes nomes da literatura no Rio Grande do Sul – debates, oficinas, saraus, cursos e outros – em algumas das mais simpáticas livrarias de Porto Alegre. A organização do evento é de Gabriela Silva, Jeferson Tenório, Eduardo Cabeda, Robertson Frizero, Carla Osorio e FestiPoa Literária! As parcerias e apoios: As parcerias e apoios: Palavraria Livros & CafésLivraria BamboletrasSapere Aude LivrosPetit Dalí, Veredas Literárias, Casa de Cultura Mário Quintana e Festipoa Literária! Veja programação completa aqui.

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Vai rolar na Palavraria, nesta quinta, 18/10: Festipoa revisitada e sampleada

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18, quinta, 19h: FestiPoa revisitada e sampleada:  Leituras: Entrechos, com Guto Leite, e Eletropoeteria, com Lucas Reis e Dado Vargas, apresentando poemas de Carlos Drummond de Andrade.

A FestiPoa Literária revisitada e sampleada é a retomada de parte da programação do evento, com a presença de alguns dos escritores que participaram de sua 5ª edição em abril deste ano, e a oportunidade que o público leitor terá de acompanhar a festa literária ao longo de todo o segundo semestre. Temas, reflexões, debates e livros, que estiveram na pauta da última edição, recebem novas abordagens dos convidados, e os escritores revisitam assuntos e textos seus e de outros autores, contemporâneos ou clássicos.

Guto Leite. Poeta, músico, compositor, professor. Poeta dos livros “zero um” (2010), “Poemas Lançados Fora” (7Letras, 2007), “Sintaxe da Última Hora” (Scortecci, 2006) e “Reflexos” (FEME, 2000), além de premiado em concursos literários e presente em diversas coletâneas de poesia. Indicado ao Prêmio Açorianos (Categoria Poesia) no ano de 2010. Co-roteirista dos filmes de curta-metragem “Estado Senil” (2009), “Revés” (2008) e “Bons sonhos, Maria”(2006). Argumentista da personagem Júlio César, publicado em setembro de 2010 pela revista independente “Eixada” e em julho de 2011 na coletânea “O melhor da festa, volume 3”. Linguista pela Unicamp, especialista, mestre e doutorando em Literatura Brasileira pela UFRGS. Atualmente trabalha como professor temporário de Literatura Brasileira na UFRGS. www.gutoleite.com.br. Guto lança ainda em 2012 o livro “Entrechos”: O livro de Guto Leite tem um tanto de desaforado, matreiro e terno, não necessariamente nesta ordem. No conjunto do texto, é possível discernir uma progressão narrativa que oscila entre, de um lado, fábulas e paráfrases, e, de outro, dado prosaico associado à memória ficcional. Uma prosa enigmática repassada de ritmo e procedimentos poéticos, o que não deixa de ser um desafio ao leitor. (Homero Vizeu de Araújo, trecho do prefácio do livro “Entrechos”)

Lucas Reis Gonçalves é poeta e articulador cultural. Novamburguense frequentador da capital gaúcha, formou-se em eletrônica e com ela trabalhou por mais de um ano – até descobrir, por inteiro, a literatura. Depois de três anos esboçando versos, publicou seu primeiro livro, Se soubesse o que dizer, diria em prosa (Paco Editorial, 2011), finalista do prêmio da Ages.  e, através dele, criou, juntamente com o músico Dado Vargas, um novo projeto de declamação poética: Eletropoeteria. Lucas atualmente estuda Letras na UFRGS escreve para sites de literatura (públicos e independentes).

Dado Vargas é músico e compositor, natural de Palmeira das Missões – RS. Em 2005, com 16 anos, começou a se apresentar na região noroeste do estado, fazendo shows em bares e casas noturnas. Hoje, morador da capital gaúcha, estuda Letras na UFRGS e possui, juntamente com o colega e amigo Lucas Reis Gonçalves, o projeto de declamação poética Eletropoeteria.

Eletropoeteria

Eletropoeteria é o mais novo projeto de declamação poética das redondezas da capital gaúcha. Com seu estilo eletrônico lembrado pela guitarra, é capaz de produzir uma nova voz à comunidade poética da região. Construindo e executando o projeto, estão o músico e compositor Dado Vargas e o poeta Lucas Reis Gonçalves. Juntos eles buscam inovar a representação poética e, com isso, trazer a poesia pra dentro da rotina das pessoas. Ousados, transformam a poesia num produto diferente. Produto esse que dá um tapa na cara dos velhos recitais e os convida pra dançar uma nova e divertida dança.

http://eletropoeteria.blogspot.com.br
http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&v=wtKJkJfzbvY&NR=1

Pra nos fazer justiça, aqui vai nosso po-lema:

a poesia pro poeta é uma bolha
a flutuar sobre a realidade.
e ele, tolo que é,
detém-se a assoprá-la
pra cada vez mais alto.
mas atente-se, poeta:
a bolha – que tola não é –
tá pronta pra estourar.

“Vi ao vivo o barulho que a rapaziada faz com poesia e música, e vou te contar: é bom o negócio. Vale a pena conhecer. A guitarra tem talento; o dizedor de poemas também; e os dois juntos fazem acontecer uma dinâmica meio inesperada, que ilumina os dois lados da equação artística implicada ali. Inteligência ao vivo.” Luís Augusto Fischer, escritor, cronista, ensaísta e professor
“O Eletropoeteria está distante das recitações de poesia do tipo rasgação-de-peito, que não correspondem mais ao gosto do público. Poemas ditos com tranquilidade e ímpeto, acompanhados por um fraseado de guitarra e, conforme o caso, da projeção do texto em telão, criam empatia e conquistam. Drummond, Augusto dos Anjos, autores atuais e poemas próprios convivem numa boa. A dupla, além de tudo, entende de literatura e música, sabe o que está fazendo. Alguém quer mais? Basta ir ao próximo evento.” Sidnei Schneider, poeta, contista e tradutor

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Conheça a FestiPoa Literária: www.festipoaliteraria.com

E acompanhe as novidades no blog http://festipoaliteraria.blogspot.com/

nofacebook/festipoa e no twitter

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Cabaré do Verbo: http://cabaredoverbo.blogspot.com

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Vai rolar na Palavraria, neste sábado, 06/10: Sarau das 6

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06, sábado, 18h: Sarau das 6 leituras e comentários sobre literatura, com Gabriela Silva, Jaqueline Bohn Donada, Lígia Sávio, Jeferson Tenório.

Esta edição do Sarau é especial de boa: baladas, sonetos, quadrilhas para amar o amor, para mover a máquina do mundo ou para a contemplar a cinza das horas. Leremos Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira.  Essa edição conta com a participação mais que especial de Luís Fernando Kalife Júnior e Pedro Matias.

Luís Fernando Kalife Júnior é graduado em Letras pela UFRGS e mestrando em Teoria da Literatura na PUCRS. Compõe o grupo os Cancioneiros, que  palestram sobre a história da canção brasileira e sobre as relações entre literatura e música em escolas, universidades e espaços diversos.

Pedro Matias é graduado em Letras pela FAPA, cursa especialização em Literatura Brasileira na UFRGS, é escritor e professor de literatura.  Escreve para a revista Conhecimento Prático de Língua Portuguesa.

O grupo responsável pela produção do Sarau das 6 é constituído por:

Jaqueline Bohn Donada. Apaixonada, em tempo integral, por literatura, cultura e viagens. Viajou às entranhas monstruosas do romantismo quando publicou o livro “Spontaneous Overflow of Powerful Feelings”: Romantic Imagery in Mary Shelley’s Frankenstein, em 2009. Formada em Letras, respira literatura, principalmente a de língua inglesa, há anos. Atualmente vive no século XIX. Nas horas vagas, é professora de inglês e aluna de doutorado pela UFRGS.

 Gabriela Silva. Tem literatura no seu dna. Desde a infância convive com homens e deuses e as histórias que lhe contam. É formada em Letras, estuda o mal e a morte na literatura e todas as teorias conspiratórias e literárias. É doutoranda em Teoria da Literatura na PUCRS, tendo como foco a construção da personagem. Atualmente está em Lisboa, dizem que estudando.

Lígia Savio. Amante do poeta francês Rimbaud desde a adolescência, é professora de literatura, do município de Porto Alegre e doutora em Letras pela UFRGS. Participou de antologias independentes na década de 70 (Teia, Teia II e Paisagens) com a participação de Caio Fernando de Abreu e Wesley Coll. entre outros.

Jeferson Tenório. É feito de literatura. Professor e apaixonado por Dom Quixote. Premiado no concurso Paulo Leminski em 2009 com o conto “Cavalos não choram” e no concurso Palco Habitasul com o conto “A beleza e a tristeza”, adaptado para o teatro em 2007 e 2008, além de ter tido poemas selecionados no concurso Poemas no Ônibus em 2009. Faz mestrado em literaturas Luso-africanas pela UFRGS

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Sidnei Schneider, relendo Drummond

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Relendo Drummond

Convidados pela Palavraria a escrever sobre Carlos Drummond de Andrade, escritores amigos da casa ensaiam dizeres sobre a obra do escritor mineiro. Sidnei Schneider apresenta sua releitura.

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Acessando Drummond, por Sidnei Schneider

Os poetas brasileiros que primeiro me interessaram, pela ordem, foram Ferreira Gullar, Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto. Cheguei a Carlos Drummond de Andrade meio de atravessado, pelo livro Boitempo I (1968), de importância lateral, embora tenha retido poemas como “Negra” e “Copo d’água no sereno”, e gostasse de “O homem; as viagens”, de As impurezas do branco (1973), presente num livro escolar. O poeta mineiro, àquele leitor iniciante, parecia verborrágico e com predileção por temas nostálgicos, diante da secura e da contemporaneidade de Gullar e Cabral.

Hoje, quando penso em Drummond, volto aos livros que inicialmente me seduziram, e marcaram. Primeiro, A rosa do povo (1945), com aquela quantidade impressionante de poemas estelares, um fenômeno da poesia brasileira: “Procura da poesia”, “A flor e a náusea”, “Carrego comigo”, “Nosso tempo”, “Áporo”; os narrativos “Caso do vestido” e “Morte do leiteiro”; a série que trata do terrível momento pelo qual atravessava o mundo de então, formada por “Carta a Stalingrado”, “Telegrama de Moscou”, “Visão 1944”, “Com o russo em Berlim”, revelando também uma espetacular confiança no futuro desde “Mas viveremos”, que deseja-e-prevê um “avião sem bombas entre Natal e China/ petróleo, flores, crianças estudando,/ beijo de moça, trigo e sol nascendo”. Depois, Claro enigma (1951), com o muitas vezes relido “Máquina do mundo”, que por si vale um livro completo, e o agridoce “Amar”, derivado provavelmente de “Amo, amas”, do modernista nicaraguense Rubén Darío. Que essa minha predileção de leitor iniciante tenha coincidido com a posição de boa parte da crítica, foi uma surpresa que só mais tarde eu constataria. Anterior a estes, Sentimento do mundo (1940) introduziria o ponto de vista que redundaria em A rosa do povo, através de poemas como “Mãos dadas” e “Mundo grande”. Drummond, evidentemente, tem muitíssimo mais do que comporta esse pequeno texto.

Recordo a crítica de João Cabral de Melo Neto, talvez ainda parte de um processo de desvencilhamento daquele que foi seu grande mestre, dizendo que Drummond se excedia e publicava demais. Impossível discordar completamente, para quem leu os livros Boitempo I, II e III (1968, 1973 e 1979), repletos de recordações que já apareciam de algum modo no inicial Alguma poesia (1930). O fato é que Drummond sentiu necessidade de revisitar o passado, não se lhe nega esse direito, um poeta escreve sobre o que bem entender, mas a pergunta, se realmente deveria publicar toda essa investida, fica suspensa igual a espada de Dâmocles. Claro, podemos ler só o que mais apreciamos; acontece que essas questões preocupam os poetas, pois eles se colocam o problema de o que publicar continuamente.

Drummond, com sua poesia de faca de ponta (diferente da de Cabral, que parece afiar sua só lâmina na pedra enquanto se ausenta do poema, mas não de sua planejada eficácia), vai escarafunchando as nódoas da sociedade e da civilização, mas antes escarafuncha as que carrega, como se, fazendo-o, colocasse o seu “eu poético” no lugar de todos. Embora tenha escrito excelentes poemas nas mais diversas formas, tradicionais e inovadoras, há nele uma forte dicção logopeica, afeita a extrair a credulidade das estratégias que encobrem os fatos e as relações humanas, sem se preocupar centralmente, nessas ocasiões, em reproduzir uma musiquinha ou mesmo dar a ver imagens com o seu poema. É essa escrita fria, perfurante, não-melódica no sentido tradicional, crítica e autocrítica ao extremo que melhor o caracteriza: vê-se logo quando o poema é dele. Escrever poesia numa língua que produziu poetas como Drummond é uma dádiva e uma responsabilidade. Sua obra, sim, temos que disseminar por aqui e exportar cada vez mais, para que os raimundos de todo o lugar o possam ler.

09-05-2012

Sidnei Schneider é poeta, tradutor e contista. Autor dos livros de poesia Quichiligangues (Dahmer, 2008), Plano de Navegação (Dahmer, 1999) e tradutor de Versos Singelos/José Martí (SBS, 1997). Participa de Poesia Sempre (Biblioteca Nacional/MinC, 2001), Antologia do Sul (Assembléia Legislativa, 2001), O Melhor da Festa 1 e 2 (Nova Roma, 2009; Casa Verde, 2010) e de outras dez publicações. 1º lugar no Concurso de Contos Caio Fernando Abreu, UFRGS, 2003 e 1º lugar em poesia no Concurso Talentos, UFSM, 1995, de um total de treze premiações. Publicou artigos, poemas, contos e traduções de poesia em jornais e revistas. Participa do projeto ArteSesc e é membro da Associação Gaúcha de Escritores.

04
jun
12

Ronald Augusto, Relendo Drummond

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Relendo Drummond

Convidados pela Palavraria a escrever sobre Carlos Drummond de Andrade, escritores amigos da casa ensaiam dizeres sobre a obra do escritor mineiro. O poeta e crítico Ronald Augusto manda seu recado.

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Depois de Manuel Bandeira, sem dúvida, o melhor, por Ronald Augusto

Carlos Drummond de Andrade é um grande poeta, inclusive porque, quando foi preciso, soube reconhecer que Manuel Bandeira lhe era superior. Alguns objetarão dizendo que o itabirano afirma isso no espaço ambíguo de um poema, lugar onde se anulam a verdade e a mentira, e que, portanto, não se pode levá-lo a sério nesse gesto de desprendimento em que concede o primeiro posto ao poeta recifense. Mas como, do meu ponto de vista, a insuficiência do mundo exige a colaboração da arte para torná-lo plausível e tolerável, sou obrigado a discordar e insistir que Drummond não dissimulava, pois, neste momento moderno/pós-moderno, onde tudo se volta equívoco, a começar pala linguagem referencial (que serve de legenda ao mundo), me parece que o poema, paradoxalmente, acaba por se constituir em um discurso forte o bastante para justificar nossas mais caras ilusões.

Por outro lado, se me engano, isto é, se o que afirma o poema de Drummond (no tocante a superioridade de Bandeira) não pode ser levado a sério, então o crédito que se dá aos seus assuntos elevados e graves: o vasto mundo, o medo, a náusea, a memória, a pedra prosaica e dantesca, a bomba, enfim, todos os seus movimentos em direção à tematização do fracasso e da beleza do “humano” não merecem, por conseguinte, nossa devota confiança.

Talvez seja esse o problema: lê-se mais os assuntos e os temas do que o poema drummondiano. A verdade é essa: num poema bom os acordes vão para um lado e as palavras para o outro. Um poema bom se plasma sobre uma consciência de linguagem que não teme a disjunção entre nome e coisa, aliás, essa coincidência não existe. Algo similar acontece com o cinema, a maioria se interessa pela fábula (a história) e se mostra desatenta à narrativa (como se conta a história), à estética fílmica (planos, angulações, movimentos de câmera), ou seja, não se dá atenção àquilo que singulariza tal linguagem. Prefiro ser um intérprete (em sentido musical) da música de Drummond a me solidarizar com os seus ombros fatigados.

A suposta humildade de Bandeira também não é a música de Bandeira. A “humildade” é a fábula. Joaquim Pedro de Andrade em seu curtametragem O poeta do Castelo, filmou muito bem esse personagem da poesia de Manuel Bandeira. Sua música não se esgota nessa virtude-clichê.

Muito bem, mas eu estou aqui, a convite dos meus amigos da Palavraria, para falar de Drummond. E acho que já falei o suficiente. Grande Drummond, o segundo melhor poeta de nós todos.

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Ronald Augusto Poeta, músico, e crítico de poesia. É autor de, entre outros, Homem ao Rubro (1983), Puya (1987), Kânhamo (1987), Vá de Valha (1992), Confissões Aplicadas (2004) e No Assoalho Duro (2007). Despacha no blog www.poesia-pau.blogspot.com e é diretor-associado do website WWW.sibila.com.br

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12
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Aconteceu na Palavraria, neste sábado, 10/03: Espalhe Drummond

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Aconteceu neste sábado,10, na Palavraria, Espalhe Drummond, promoção da Editora Cia. das Letras: uma tarde inteira de poemas drummondianos na voz de Julio Saraiva. Fotos do Evento.

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