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Recado de Lisboa, por Gabriela Silva: De fado em fado se conhece Lisboa

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De fado em fado se conhece Lisboa, por Gabriela Silva

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Lisboa, tens cá namorados
Que dizem, coitados,
Com as almas na voz

Amália Rodrigues

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Permitam-me que faça uma pequena apresentação: sou Gabriela Silva, estudiosa de Teoria da Literatura, especificamente personagem e construção desse elemento nas narrativas. E foram sses estudos que me trouxeram cá em Lisboa. E nem só de estudo vive a pessoa não é mesmo? Tiro alguns dias para conhecer Lisboa, sentir a cidade, seus lugares, seus aromas, cores e sons. Uma de minhas saídas prediletas em Lisboa é ir a uma casa de fado.  A música símbolo de Portugal é mesmo muito bonita. Nela reside um sentimento que se mostra a cada nota.

A fadista mais conhecida em Portugal é Amália Rodrigues. Se você caminhar tranquilamente por Lisboa, parece que pode ouvir a voz de Amália cantando fados divinos. E eu que achei que resistiria a isso…pego-me a cantar fados e com um sorriso!

Amália Rodrigues é unanimidade entre os portugueses. Falecida em 1999, a cantora tem seu túmulo cercado de flores no Panteão português. Sua música ecoa pelos corredores e salas do local. Sente-se sua forte presença no espirito lusitano. E nas casas e shows de fado, sempre sua voz é referenciada.

A história do fado, marcada por Amália, tem seu lugar no Museu do Fado, que fica Largo do Chafariz de Dentro, número 1. Lá se pode ver tudo que se relaciona ao fado, em diversas épocas: quadros, partituras, cartazes antigos de shows e outros tantos objetos de arte e música. Há visitas cantadas, isso mesmo, não são guiadas, são cantadas! E agora em março, haverá a exposição sobre Amália, começa no dia 21 desse mês e vai até o final de maio.

Considerado patrimônio da humanidade, o fado é uma composição muito interessante. Ele nasceu na Lisboa dos meados de 1800 e como uma música popular, da rua, dos lugares frequentados por marinheiros e prostitutas. Aos poucos o fado foi deixando de ser a música das margens e foi sendo considerado mais erudito. O crescimento do rádio também contribuiu para a difusão do fado. Mas é nos anos 50 dos anos de 1900 que o fado encontra Amália Rodrigues e a partir de então, poetas e eruditos passam a escrever letras para as canções.

Hoje, outros cantores e cantoras de fado constroem sua história. Estando aqui, fui ao show de Mísia, com uma voz inebriante e uma figura que nos faz fixar o olhar o tempo todo no palco. Suas músicas são poemas de diversos autores. E nos tocam a alma.

Fui também ao Clube de Fado, localizado na Alfama, um dos bairros boêmios de Lisboa. É o lugar mais conhecido do gênero. Tocam fadistas a noite toda, revezam-se e fazem as palmas do público ecoarem pelo recinto. E com os temas de amor e de Lisboa. De fado em fado se conhece Lisboa, se conhece uma parte do espírito português.

E não é fábula que o fado nos inebria…ele está aqui em todos os lugares, a todas as horas. Basta você chegar a Lisboa.

Gabriela Silva tem literatura no seu dna. Desde a infância convive com homens e deuses e as histórias que lhe contam. É formada em Letras, estuda o mal e a morte na literatura e todas as teorias conspiratórias e literárias. É doutoranda em Teoria da Literatura na PUCRS, tendo como foco a construção da personagem. Atualmente está em Lisboa, dizem que estudando.

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