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18
out
13

Aconteceu na Palavraria, nesta sexta, 18, o lançamento do livro, Fly again, crônicas de Cleci Silveira, Fotos.

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Aconteceu na Palavraria, nesta sexta, 18, o lançamento do livro, Fly again, crônicas de Cleci Silveira, Fotos.

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Palavraria - livros c.

 

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out
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Vai rolar na Palavraria, nesta sexta, 18, o lançamento do livro, Fly again, crônicas de Cleci Silveira

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18, sexta, 19h: Lançamento do livro, Fly again, crônicas de Cleci Silveira (Editora Movimento)

Sem título-1

Um passeio com o tempo

Há quem passe a vida inteira sem compreender as armadilhas do tempo e, numa luta inglória, tente ora aprisioná-lo, ora fazê-lo fugir. Enquanto isso, outros contornam as vicissitudes das horas, dias e anos quase como a conhecer o caminho das pedras, caminhando de mãos dadas com Cronos. Estes privilegiados, às vezes, se propõem a dividir conosco sua jornada, pois lhes resta a outra mão para dar. E, qual ponte entre nós e o tempo, tornam-se cronistas.

Cleci Silveira, cujo sorriso já me encanta há mais de uma década, estendeu-me a mão e convidou a passear nas páginas que seguem. Proposta irrecusável. Sem surpresa, estive guiado por uma escrita segura e sedutora, cuja prosa dita um ritmo confortável. Mais do que dominar o idioma e a técnica, Cleci antecipa as curvas do tempo, contornos às vezes bruscos, propondo uma narrativa que combina lembranças e projeções. Oferece o mesmo olhar generoso e cálido para a criança e para o velho; ao que não mais será e para aquilo que nutre nossas esperanças.

Enquanto caminhamos pelas páginas de seu Fly again, a escritora lança mão de sua bagagem: muita leitura, boa música, vivências. Num instante, somos muitos lado a lado: Neruda, Tom & Vinicius, Carmen Miranda. Rubem Braga, Machado de Assis, Philip Roth. Também figuras muito nossas, como João Antonio Dib, e pessoas muito dela, como a amiga de infância e a vizinha de prédio. E flanamos de Porto Alegre às Américas. Todos de braços dados. Todos na hábil condução da autora – prova de que ela conhece bem o trilhar da crônica, suas pausas e inflexões. Agora que você já está com o livro em mãos, junte-se a nós. Acompanhe Cleci Silveira pelos caminhos do tempo. Garanto que vale o passeio.

Rubem Penz

cleci silveira (2)Cleci Silveira, poeta, cronista e ficcionista, nasceu em Porto Alegre. Trabalhou no Serviço de Radiodifusão Educativa na Rádio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e, de 1988 a 1990, manteve uma coluna no jornal O Moinho, sobre mobiliário antigo. Publicou os livros No Sótão Dormem Bonecas (contos, WS Editor, 2001);  A Trama do Silêncio (contos, Movimento, 2004); O Tocador de Saz e o Sultão (crônicas, Literalis, 2006); Além da Porta (romance, Movimento, 2008); Diário de mulher solteira (romance, Movimento, 2010); Poemas de aprendiz (Movimento, 2011) e. Possui também diversos trabalhos publicados em antologias. http://clecisilveira.com/
Fly again (Coleção Rio Grande: V. 155) — Cleci Silveira
Editora Movimento, 88 páginas
Preço de capa: R$ 20,00
Telefone do autora: (51) 3330-2683

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20
jul
13

Aconteceu na Palavraria, neste sábado, 20, Sarau Musical com Claudia Coelho

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20, sábado, 18h: Sarau Musical – Leitura de crônicas do livro Lógicas invertidas, de Claudia Coelho & pocket musical com Robson Serafini e Fernando Cassiano Barcellos.  Fotos do evento.

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Palavraria - livros c.

 

19
jul
13

Vai rolar na Palavraria, neste sábado, 20, Sarau musical com leitura de crônicas do livro Lógicas invertidas, de Claudia Coelho

program sem

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20, sábado, 18h: Sarau Musical – Leitura de crônicas do livro Lógicas invertidas, de Claudia Coelho & pocket musical com Robson Serafini e Fernando Cassiano Barcellos.

sarau claudia coelho

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“Brincar com as palavras, trocar frases, revirar sentidos, sem dúvida, são maneiras de expressar a necessidade de inverter. É muitas vezes o olhar invertido que mostra o por trás do visível. Inverter a lógica é revirar a blusa e mostrar a etiqueta de quem não enxerga que pode muito mais do que está sendo”.

É dessa maneira que a autora apresenta a proposta do seu  livro de crônicas,  Lógicas Invertidas. Segundo a cronista,” inverter para se reinventar”  é sobretudo ser flexível . Inverter a lógica é abrir, receber, ampliar, desejar…

O Sarau proposto pela cronista,  apresentará um formato dinâmico e descontraído, contando com a leitura das crônicas mais “curtidas” pelos leitores. E a música se misturará dentro dessa lógica invertida que será apresentada pelos músicos, Robson Serafini (violão) e Fernando Cassiano (voz).

Venha conferir!

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claudia coelhoCláudia Coelho nasceu em Porto Alegre, é formada em Psicologia desde 1993 pela PUCRS. É  Psicóloga Clínica e Consultora em Gestão de Pessoas. Especialista em Psicologia do Trânsito e  Projetos Sociais e Culturais.  Atua em  avaliações psicológicas comocredenciada  do DETRAN/RS e  Polícia Federal. Sem dúvida, a característica polivalente da autora propiciaram-lhe vivências enriquecedoras e multifacetadas. É aluna de  Desenho e Pintura  do Atelier Livre  da Prefeitura de Porto alegre,  onde desenvolve trabalhos que dialogam com suas crônicas. As crônicas aqui publicadas estão em Lógicas Invertidas – crônicas / Cláudia Coelho ( Evangraf, 2012). Em 2008  começou a escrever suas primeiras crônicas em seu blog (http://psiclaudiacoelho.blogspot.com.br/).

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18
maio
12

Vai rolar na Palavraria, neste sábado, 19/05: Lançamento do livro Soalho de tábua, de Moacyr Godoy Moreira

program sem

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19, sábado, 18h30: Lançamento do livro de crônicas Soalho de tábua, de Moacyr Godoy Moreira e pocket musical com o autor. (Ateliê Editorial)

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Os contos de Soalho de Tábua são curtos, mas chamam a atenção pelo minimalismo quase poético. Outro aspecto que os aproxima da poesia, sobretudo da poesia de Adélia Prado, cujos poemas abrem cada um dos contos, é este: são narrativas tão importantes pelo que dizem como por aquilo que deixam subentendido; tão importantes pelas linhas, como pelas entrelinhas. Moacyr Godoy Moreira cria um território comum com o leitor onde este pode, ainda que sem escrever, exercer também seu poder de criação e descobrir coisas surpreendentes.

Moacyr de Vergara Godoy Moreira nasceu em São Paulo em 1972, é médico e mestre em Literatura Brasileira (USP/SP). No momento, cursa doutorado na mesma instituição. Tem resenhas e artigos publicados nos jornais Zero Hora (Porto Alegre), Jornal do Brasil (Rio de Janeiro), Jornal do Estado (Curitiba) e nos sites Agência Carta Maior, Rascunho, Cronópios e Germina Literária. Publicou os livros Lâmina do Tempo (2002, contos), República das Bicicletas (2003, crônicas) e Ruídos Urbanos (2008, narrativas, ilustrado por Enio Squeff), todos pela Ateliê Editorial, além de diversos contos publicados em antologias no Brasil e em Portugal.

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05
maio
12

Aconteceu na Palavraria, nesta sexta, 04/05: Lançamento do livro Retrato de um tempo à meia-luz, de Jaime Medeiros Júnior

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Aconteceu na Palavraria, nesta sexta, 04/05: Lançamento do livro Retrato de um tempo à meia-luz, de Jaime Medeiros Júnior. Fotos do evento.

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05
maio
12

A crônica de Moacyr Godoy Moreira: O aconchego da lembrança

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O aconchego da lembrança, por Moacyr Godoy Moreira

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Em Salvador, ao adentrar as instalações reservadas a mim no Íbis e verificar que tudo estava em seu lugar, como em qualquer outro quarto da rede de hotéis, fui tomado de uma paz inexplicável. Um dia chuvoso e abafado, um trânsito que não deixava nada a desejar ao de São Paulo a infestar os caminhos da capital baiana e um cansaço brutal, comum na reta final de um ano atarefado que se encerra, deixaram-me impaciente, ansioso, aborrecido de verdade. Mas ao deixar as malas, tomar um banho, recostar-me à cama para olhar os diversos e multilíngues canais, fui me sentindo melhor e por incrível que possa parecer, com a sensação de estar em casa.

Já havia acontecido, há muito, no Mc Donald’s. Numa viagem à Europa, num longínquo e gélido dezembro, num dia em que tudo dera errado – o museu que planejara visitar estava fechado, o hotel em que ficaria não existia mais, além de ter perdido um trem – entrei no Mc Donald’s. Depois de comprar o lanche e me sentar, fui sendo invadido por uma tranquilidade inexplicável, fui serenando o pensamento e acredito que a disposição das mesas, as cores e símbolos característicos e o cheiro inconfundível das batatas fritas, me levaram diretamente para casa.

Defronte à janela, uma infinidade de edifícios que me lembraram a Avenida Paulista transportaram-me para um lugar familiar. Lembrou-me a loja na esquina da Joaquim Eugênio de Lima, onde meu pai nos levava raramente, uma verdadeira aventura – hoje há lanchonetes do gigantesco M amarelo em qualquer esquina. Quando eu era menino, não. E acho até que este Mc Donald’s da Paulista foi o primeiro da cidade, um lugar austero, sem muito a cara das novas lojas que têm até playground, salas para aniversário e estátuas do Ronald Mc Donald’s em tamanho natural. A loja de Viena era também sóbria, repleta de executivos em suas exíguas horas de almoço, gente de terno e gravata misturada a turistas perdidos ali como eu.

Pois foi o que senti ontem no Íbis: estava em casa. E por estar em casa, fiquei tranquilo e quase satisfeito. Impressionante como em tempos cada vez mais impessoais, justamente uma lanchonete e um hotel cujos padrões fazem de seus estabelecimentos lugares invariáveis e sem graça, possam nos remeter justamente à familiaridade do lar, o aconchego de estar amparado e cercado de signos conhecidos. Na verdade, esta familiaridade vem de reconhecermos, nestes lugares, sinais de outros lugares como aqueles, que, na companhia de pessoas queridas, vivenciamos momentos de felicidade. A impessoalidade do Mc Donald’s e das redes de hotéis pré-fabricados nos conduz diretamente a lugares e momentos em que, cercados por aquele cenário invariável, sem qualquer pitada de criatividade, estivemos com pessoas que nos mostraram que a única razão de estar ali era justamente a alegria inestimável de sua companhia.

A desumanidade do cenário nos leva justamente ao que há de mais humano: o aconchego da lembrança.

11.12.2010

Moacyr Godoy Moreira é escritor, redator de teatro, tradutor e médico. Publica semanalmente crônicas e resenhas na seção “Arte do Tempo” do site http://www.agenciacartamaior.com.br. Publicou, pela Ateliê Editorial, os livros de crônicas Lâmina do Tempo, República das Bicicletas e Ruídos Urbanos.

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07
abr
12

A crônica de Moacyr Godoy Moreira: Viagem à Bahia

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Viagem à Bahia, por Moacyr Godoy Moreira

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Recebi com certo entusiasmo a notícia de que teria um compromisso profissional em Salvador. Havia estado na cidade por duas vezes, a primeira com meus pais, aos 14 anos de idade, durante as férias, e a segunda num congresso acadêmico que levou à cidade mais de 6000 estudantes de medicina de todo o Brasil, evento do qual fiz parte da organização, fato do qual me recordo com indisfarçado orgulho.

Foi também quando descobrimos que nem tudo o que aparece na mídia condiz com a realidade: reuníamo-nos uma vez por dia num plenário respeitável, com capacidade sempre esgotada para 3000 pessoas, com presença de autoridades discutindo abertamente os destinos das políticas públicas de saúde, dentre outros temas. Justamente no dia de folga do congresso, quando não havia qualquer atividade programada, uma matéria do Jornal Nacional mostrou o tal plenário vazio e muitos dos estudantes na praia, provando para todo o país que tais eventos de política estudantil só serviam para os alunos fazerem turismo, muitos deles subsidiados por suas respectivas universidades.

A Bahia e o Rio de Janeiro devem ser, de longe, os lugares mais exaltados pelo nosso cancioneiro popular. Não são estranhos os nomes dos bairros e localidades de Salvador, nomes que surgem nas canções: Boca do Rio, Itapuã, Federação, Baixa do Sapateiro, a Praça Castro Alves (que é do povo, como o céu é do avião) e o Farol da Barra. Andar pelas ruas da cidade e se deparar com algumas placas indicativas de distâncias e caminhos, provoca uma sensação de reconhecimento de algo familiar: Igreja de Nosso Senhor do Bom Fim, Mercado Modelo, Pelourinho, Praia de Amaralina.

O hotel era no bairro do Rio Vermelho. Numa praça próxima podia-se experimentar o melhor acarajé da Bahia, feito com carinho pela Tia Cida. Não duvidei da recomendação, nem provei a iguaria. Mas imagino que, só em Salvador, deve existir pelo menos uns 20 incontestáveis melhores acarajés da Bahia. O dia chuvoso e o mar revolto que se via da janela do quarto não inspiravam visitas a qualquer um dos lugares que me acompanhavam mentalmente nos últimos dias, lembranças vindas de canções em homenagem à terra. Deitei-me para um breve descanso e quando acordei já escurecia.

Saí então para comer alguma coisa. Voltando ao hotel para dormir novamente, tentando recuperar o cansaço das últimas semanas, avistei, ao lado de um simpático restaurante, uma vitrine com livros. A princípio, pareceu-me um sebo. Entrei e não se tratava exatamente destes modestos estabelecimentos que comercializam livros usados.

Vendiam livros de toda sorte, mas o que me chamou a atenção foi uma generosa estante com livros sobre o candomblé e a cultura iorubá. Livros de arte, fotografia (espetaculares volumes com a obra de Pierre Verger), manuais, dicionários, uma vastidão de publicações muito bem encadernadas, de editoras de todo lugar do Brasil. Interessei-me especialmente por um livro sobre São Jorge. Para minha surpresa, era de uma historiadora de São Paulo, publicado por uma editora carioca, falando da história do santo, os mitos que o envolvem e o Orixá, que no candomblé corresponde a Oxossi e na umbanda a Ogum. Um trabalho de uma profundidade e seriedade impressionantes.

Como sou filho de Ogum – não sei como se descobre esta genealogia, mas já me disseram mais de uma vez – e São Jorge é padroeiro do meu alvinegro todo-poderoso -, fui obrigado a trazer o livro para casa. Observando meu interesse, o vendedor perguntou se eu conhecia o novo CD do Carlinhos Brown. Respondi que não, imaginei algo no ritmo da Timbalada, porém o rapaz se prontificou a colocar algumas músicas. Ouvi melodias bonitas, letras poéticas, uma preciosidade. Mas a grande descoberta, o grande achado naquele singelo lugar, foi uma cantora do Recôncavo Baiano, que o vendedor também fez questão de mostrar – visto que eu não tinha nada para fazer e nem ele, a loja estava praticamente vazia.

Voltei para São Paulo sem visitar nenhum ponto turístico, mas feliz com a descoberta da cantora Mariene de Castro, me deliciando com a história bem contada de São Jorge e pensando que, em terras distantes, mesmo que brasileiras, nada mais interessante do que descobrir, através das mãos dos que lá vivem, as pequena jóias escondidas, os verdadeiros tesouros que não estão escancarados nos cadernos de turismo dos jornais.

01.12.2010

Moacyr Godoy Moreira é escritor, redator de teatro, tradutor e médico. Publica semanalmente crônicas e resenhas na seção “Arte do Tempo” do site http://www.agenciacartamaior.com.br. Publicou, pela Ateliê Editorial, os livros de crônicas Lâmina do Tempo, República das Bicicletas e Ruídos Urbanos.

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10
out
11

Vai rolar na Palavraria, nesta terça, 11/10: Lançamento do livro Leia antes de jogar fora, de Márcio Ezequiel

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11, terça, 19h: Lançamento do livro Leia antes de jogar fora, crônicas de Márcio Ezequiel


Trinta e três crônicas recicladas do Jornal Diário Popular, de Pelotas, em embalagem retornável.  “Leia antes de jogar fora” é um manual  sobre a brevidade da vida e frivolidade dos sentidos, em dias em que tudo é descartável e quase nada é reciclável.

Márcio Ezequiel é mestre em história pela UFRGS. Em 2006 fez oficina de contos com Charles Kiefer, participando das coletâneas 103 e 104 que contam. Premiou alguns e publicou alguns contos em concursos literários como o “Histórias de Trabalho” da Prefeitura. Em 2007 lançou o livro “Alfândega de Porto Alegre: 200 anos de História”. Residindo em Pelotas, passou a partir de 2010 a colaborar com o Jornal Diário Popular, e com a FM 104,5 FM, ambos da cidade. Ministra oficina de criação literária de gêneros breves (crônica, conto e miniconto). Elaborou em 2010 o concurso nacional “Histórias de trabalho da Receita Federal”, já em sua segunda edição.  Site do autor: Marca Diabo  www.marcioezequiel.com.br

 


17
mar
10

A crônica de Jaime Medeiros Jr.: Tênues transfigurações


A partir desta data, o escritor e médico Jaime Medeiros Jr. passa colaborar quinzenalmente com o blog da Palavraria, falando sobre os temas do nosso tempo.

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Tênues transfigurações, por Jaime Medeiros Jr.

Já há um tempinho procuro uma forma eficaz de misturar boa disposição de espírito com o fazer boa literatura. Acho difícil, tendo naturalmente a tristeza e a descrença nas macroestruturas nascidas das mãos e da mente dos homens. Mas de outro lado, sou conduzido a crer que o mundo pode se tornar um tanto melhor se dedicarmos mais atenção às coisas belas e boas da vida. Então, acaba sempre a mim se impondo a pergunta, será que o que escrevo pode dar algo de bom a quem o lê? Será que é pertinente buscá-lo? O texto seguinte de Ernesto Sábato, me fez apostar na viabilidade de se unir aquelas duas coisas, o que se tem mantido como um desafio para mim:

“O homem é feito não apenas de desesperança, mas também, e fundamentalmente, de fé e esperança; não somente de morte, mas também de ânsias de vida; tampouco unicamente de solidão, mas também de comunhão e amor. A obra de Saint-Exupéry mostra como a literatura pode ser profunda e, não obstante, estar impregnada de cálidos sentimentos positivos. Disse Nietzsche que um pessimista é um idealista ressentido. Se modificarmos levemente o aforismo, dizendo que é um idealista desiludido, daí poderíamos passar a sustentar que é um homem que não termina jamais de se desiludir, pois há na condição psicológica do idealista uma espécie de ingenuidade inesgotável. E assim como a desilusão nasce da ilusão, a desesperança surge da esperança; mas uma e outra, desilusão e desesperança, são curiosamente o signo da profunda e generosa fé no homem. (…) Destruiu-se demais. E quando o real é a destruição, o romanesco só pode ser a construção de alguma outra fé.

Se esta tese esta correta, não  é arriscado supor que nos próximos anos o romance que mais ressonância terá no coração dos homens será aquele que, de alguma maneira, seja capaz de suscitar uma nova mas genuína esperança.” (de O escritor e seu fantasmas)

Onde encontrar o belo em meio a este grande caos do qual nos fala Sábato? Neste agora em que vivemos, me parece termos muito pouco a fazer senão nos imiscuirmos nas coisas que nada querem dizer, e que contudo belas são, nas coisas efêmeras, nas coisas perdidas que se acham novamente, no inopinado. E esquecer um pouco o programático. Esquecer os índices, as prescrições e saber apenas estar e testemunhar. Neste mundo que se anuncia nada se exclui, registra-se o que se dá. E como no mundo das fadas, sempre há de existir bruxas, e como onde temos vida, sempre haverá de existir morte, olhemos também a figura a se desfigurar, mas com este algo de esperança que não vê só o que passa, mas também aquilo que há de se transfigurar, e sempre emerge a cada renovo de nosso tempo-espaço.

Jaime Medeiros Jr. é poeta portoalegrense (1964), pediatra. Autor do livro de poemas Na ante-sala. Um dos produtores do Portopoesia. Colabora no blog Filhos de Orfeu – http://filhosdeorfeu.blogspot.com/

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