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nov
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A crônica de Clarice Müller: Da Feira ao baião

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Da Feira ao baião, por Clarice Müller

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Verão é rua, definitivamente. Só mesmo o calor pra botar feira no lugar de cinema, livro no lugar de teclado. Mais aquelas bolachas todas se amontoando enquanto seu chope não vem. Normal, algo tem que compensar a canícula que sói ser inclemente por aqui e em Moscou (aquecimento global é chapéu que cabe em todos, sorry). Fiquemos nas delícias, porém, para não antecipar notícias que podem, ou não, ser fatais ao planeta segundo os incas ou maias, não sei qual deles tinha o calendário mais certinho, só sei que com eles a coisa não funcionou, tanto que estão extintos há um tempão enquanto nós seguimos aqui, não muito belos nem muito faceiros, porém ajudando a extinguir quem mais precise de uma mãozinha nesse sentido, êba!

Coisas boas então: Marcelino Freire ensinando o povo a soltar a língua numa oficina pra lá de boa na CCMQ, dois dias de conversa com o sujeito e se aprende a lidar com a palavra como gente grande, esse pernambucano é arretado demais! Outra pernambucana linda e talentosa aportou por aqui e dá os ares de sua poesia de um jeito que deixa todo mundo enamorado: Luna Vitrolira, que deu baile na Palavraria em noite de contos de Noll e Ivo Bender (coisa mais boa, gente!) e outro tanto na CCMQ ao meio-dia, pro povo do almoço se nutrir de outras coisas além de churrasco e sagu. Não bastasse isso, outros tantos a encontrar na Feira do Livro, debatendo, autografando, passeando, essas coisas que escritor se mete a fazer quando tá de bobeira. Bom pra atualizar a agenda que nem te conto. Até o pôr do sol mais lindo do mundo peguei de lambuja.  Na seqüência de tanto povo e literatura, nada como uma boa frescura, então toca pro shopping ver se o 007 continua com aquele corpinho que abalou Paris, promessa cumprida, thanks god!, o cara se puxa, salta, atira, esconde, bate, fode, bebe e corre que dá gosto; podia ter mais sexo e martini, mas parece que não é mais politicamente correto o Bond, James Bond, comer todas e sair matando, então fazer o que, a gente tem que obedecer os tempos modernos, não tem? O mulherio que aprecia homem pelado, porém, não precisa lamentar, que nas telas da cidade ainda tem outra chance: Magic Mike, com o Matthew McConaughey e o Channing Tatum interpretando strippers, sabe o que é isso? E depois dizem que o Papai Noel não existe!

Bom, mas pra não parecer que sou uma tarada full time, vou chegar ao X do cinema nacional: Gonzaga – de pai pra filho. Belíssimo filme! A história do difícil relacionamento entre Gonzaga pai e Gonzaga filho é muito bem contada por um elenco excelente, com destaque pro Julio Andrade, que assombra no papel de Gonzaguinha, parece encarnação, cruzes! O filme me prendeu e emocionou do princípio ao fim, ainda mais com as músicas de ambos perpassando tudo, um prazer enorme voltar a ouvi-los, arrepiei todinha. A turma dos cinéfilos talvez não aprecie muito porque a história tem princípio-meio-fim, é totalmente compreensível e, pior, emociona mesmo, além de não apresentar cortes fotográficos inusitados, mas o Breno Silveira está desenvolvendo uma cinematografia de qualidade e fora daquele binômio cidade-favela-bandidagem que já me encheu o saco.  Recomendo vivamente. Coisa boa é pra já.

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Clarice Müller é natural de Porto Alegre, onde já trabalhou como atriz, bancária, servidora pública e escritora quando a inspiração permite. Participou das oficinas de criação literária de Charles Kiefer e Luis Augusto Fischer e publicou, em conjunto com o também escritor Cláudio Santana, o livro de narrativas curtas VEROVERBO. Atualmente auxilia o amigo Fernando Ramos na coordenação da FestiPoa Literária e outros projetos afins. Ocasionalmente escreve no blog http://verbovero.blogspot.com.br/

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