Posts Tagged ‘Florbela Espanca

30
ago
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Vai rolar na Palavraria, neste sábado, 01/09: Sarau das Seis – A ciranda das poetisas: Florbela Espanca, Sophia de Melo Andrensen, Hilda Hilst e Adélia Prado

program sem

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01, sábado, 18h: Sarau das Seis – A ciranda das poetisas: Florbela Espanca, Sophia de Melo Andrensen, Hilda Hilst e Adélia Prado.Com Gabriela Silva, Jaqueline Bohn Donada, Lígia e Jeferson Tenório, com a participação especial de Robertson Frizero.

Cirandas para amar o amor, cirandas para cantar a vida, círculo de leitura, de canto, de poesia viva e mutante. É essa a ideia da edição A ciranda das poetisas do Sarau das Seis. Serão lidos e compartilhados os amores e modos de ver o mundo e a vida dessas quatro grandes artistas. Cronistas, dramaturgas, ficcionistas, poetisas elas construíram um universo poético compartilhado por milhares de leitores. Florbela Espanca, Sophia de Melo Andrensen, Hilda Hilst e Adélia Prado são nossas leituras, seus poemas e sujeitos líricos serão nosso tema. Se a poesia é o gênero da recordação, se devemos dar corda constante em nossos corações, estejam conosco sábado, tragam seus livros, seus poemas prediletos, suas vozes e seus afetos poéticos. O sarau de é de leitores e para leitores.

Florbela Espanca nasceu em Vila Viçosa em 1894 e faleceu na cidade de Matosinhos  em 1930, ambas as cidades são em Portugal. Sua poesia é marcada pela tristeza dos desencontros amorosos e ausente de questões humanistas ou sociais. Suas produções poéticas são uma tentativa da emancipação afetiva feminina, delimitadas por um eu-lírico de alma instável que se compõe através dos temas como morte, solidão, desejo, distância e paixão.

Sophia de Mello Andrensen nasceu em 1919 na cidade do Porto e faleceu em 2004 em Lisboa. Destaca-se como a mais importante poetisa portuguesa do século XX. Foi primeira mulher portuguesa a receber o Prêmio Camões, considerado o mais importante prêmio literário da língua portuguesa, em 1999. Seus poemas estão repletos de imagens que configuram a memória da artista: a pátria, as casas da infância, a crença nos valores sebastianistas, o humanismo e o idealismo entre tantos outros.

Hilda Hilst nasceu em Jaú, São Paulo em 1930 e faleceu em Campinas, também em São Paulo em 2004. É considerada pela crítica a grande poetisa brasileira do século XX. Estigmatizada com a fama de maldita e obscena Hilda construiu poemas que tem por cerne aspirações metafísicas e imagens de desejo, amor e morte.

Adélia Prado nasceu em Divinópolis, Rio de Janeiro em 1936, seus poemas são marcados pela presença de representações do cotidiano, do feminismo e do feminino numa tentativa de equilíbrio entre os dois. Também é característica de sua produção poética a transformação do que é lúdico em realidade descrita.

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O grupo responsável pela produção e apresentação do Sarau das 6 é formado por

Jaqueline Bohn Donada. Apaixonada, em tempo integral, por literatura, cultura e viagens. Viajou às entranhas monstruosas do romantismo quando publicou o livro “Spontaneous Overflow of Powerful Feelings”: Romantic Imagery in Mary Shelley’s Frankenstein, em 2009. Formada em Letras, respira literatura, principalmente a de língua inglesa, há anos. Atualmente vive no século XIX. Nas horas vagas, é professora de inglês e aluna de doutorado pela UFRGS.

 Gabriela Silva. Tem literatura no seu dna. Desde a infância convive com homens e deuses e as histórias que lhe contam. É formada em Letras, estuda o mal e a morte na literatura e todas as teorias conspiratórias e literárias. É doutoranda em Teoria da Literatura na PUCRS, tendo como foco a construção da personagem. Atualmente está em Lisboa, dizem que estudando.

Lígia Savio. Amante do poeta francês Rimbaud desde a adolescência, é professora de literatura, do município de Porto Alegre e doutora em Letras pela UFRGS. Participou de antologias independentes na década de 70 (Teia, Teia II e Paisagens) com a participação de Caio Fernando de Abreu e Wesley Coll. entre outros.

Jeferson Tenório. É feito de literatura. Professor e apaixonado por Dom Quixote. Premiado no concurso Paulo Leminski em 2009 com o conto “Cavalos não choram” e no concurso Palco Habitasul com o conto “A beleza e a tristeza”, adaptado para o teatro em 2007 e 2008, além de ter tido poemas selecionados no concurso Poemas no Ônibus em 2009. Faz mestrado em literaturas Luso-africanas pela UFRGS.

Robertson Frizero é escritor, tradutor, revisor e professor de idiomas. Mestre em Teoria da Literatura, Especialista em Ensino e Aprendizagem de Línguas Estrangeiras. Tem aperfeiçoamento em Administração de Sistemas e Bacharelado em Ciências Navais. Gestor Cultural da Editora 8INVERSO de 2009 a 2011. Seu livro de estreia na ficção, Por que Elvis não latiu?, foi premiado pela revista CRESCER e indicado ao Prêmio Açorianos de Literatura 2011 na categoria Literatura Infantil.

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19
mar
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Recado de Lisboa, por Gabriela Silva: Florbela, o filme

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Florbela, o filme, por Gabriela Silva

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Rasga esses versos que eu te fiz, amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!

Florbela Espanca

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Então não posso me furtar, estando em Lisboa, de não pensar em Florbela Espanca (1894- 1930). Ainda que seus poemas não definam ruas com exatidão, nem descrevam épocas de Portugal, percebe-se a melancolia que habita o espírito português e que ecoa nos sonetos de Florbela.  Lembro do primeiro poema dela que li,  bem conhecido: “Eu”. E me identifiquei tanto, era como se corressem nas minhas veias, as palavras, como soro, rápidas. Cada verso do soneto parecia dizer o que eu sentia. Desse momento em diante não consegui mais deixar de ler a poetisa portuguesa.

E fiquei muito feliz ao saber da produção “Florbela” de Vicente Alves do Ó. O filme trata de uma parte exata da vida de Florbela Espanca: o casamento com Mário Lage e a morte do irmão Apeles.  Um filme esteticamente belo: a  década de 1920 retratada em seus modismos e cores, dando a impressão de vida que acreditamos que o cinema deve nos proporcionar.

A vida de Florbela, recortada para o filme, tinha muito mais dor do que alguns de seus poemas: a complicada questão de sua filiação, a ausência da mãe, dois casamentos fracassados e dois abortos.  Todos esses acontecimentos  lhe concederam a tristeza que até hoje é lida e percebida em seus versos.

Essa tristeza, essa permanente busca por alguém ou por um sentimento a ser preenchido associada à genialidade da poetisa é colocado de maneira excepcional no filme.  Alentejana de nascimento, Florbela era uma figura que frequentava os círculos literários de Lisboa, cafés, livrarias e era conhecida por sua simpatia e alegria, muito diferente do eu lírico identificado em seus sonetos.

Produzido pela Ukbar Filmes em 2012, escrito e dirigido por Vicente Alves do Ó e com 119 minutos de duração, Florbela é uma obra completamente portuguesa. Dalila Carmo interpreta Florbela, junto a um elenco de bons atores também portugueses.

O filme se encerra com Florbela escrevendo o livro que dedicou ao irmão falecido. Ela morreria três anos após o irmão, aos 36 anos. Ela que queria amar e amar somente.

Assisti ao filme no El Corte Inglés, num sábado, em que a tarde começara com chuva. Saí do cinema muda. Em casa peguei minha antologia da Florbela e precisei ler, ler…para poder encerrar e começar os sentimentos que me haviam tomado: melancolia e alegria.

Espero que o filme chegue ao Brasil, espero que ele chegue a Porto Alegre. Eu sei de muitos amigos e amigas que terão a mesma sensação que eu.

Sobre o filme:  http://www.florbela.pt/index.html

Sobre Florbela Espanca: http://www.vidaslusofonas.pt/florbela_espanca.htm

Gabriela Silva tem literatura no seu dna. Desde a infância convive com homens e deuses e as histórias que lhe contam. É formada em Letras, estuda o mal e a morte na literatura e todas as teorias conspiratórias e literárias. É doutoranda em Teoria da Literatura na PUCRS, tendo como foco a construção da personagem. Atualmente está em Lisboa, dizem que estudando.

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