Posts Tagged ‘Fragmentos da eternidade

04
maio
12

Fragmentos da eternidade, por Leila de Souza Teixeira: Alguns aspectos do conto

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 Alguns aspectos do conto, por Leila de Souza Teixeira

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Júlio Cortázar, no capítulo “Alguns aspectos do conto”, do livro “Valise de Cronópio”, afirma que se dedica à elaboração de contos chamados fantásticos, mas que pode apontar elementos que são comuns a todo bom conto e que concedem a este o caráter de obra de arte.

Ao tentar demonstrar a peculiaridade do conto enquanto gênero literário, compara-o ao romance. Este seria como um filme, uma ordem aberta. Aquele seria como uma fotografia, uma ordem fechada, na qual o contista (fotógrafo) deve escolher um acontecimento (imagem) significativo, que funcione como uma espécie de abertura, um fermento que leva o leitor (espectador) para muito além do argumento do conto (fotografia). Menciona outro escritor argentino e, ainda comparando o conto ao romance, diz que se entendermos o embate do texto com o leitor como uma luta de boxe, o romance ganha o leitor por pontos, e o conto ganha por knock out.

Quando Cortázar faz analogia do conto com a fotografia, pode estar adiantando seu entendimento sobre a importância do TEMA para um bom conto. Já quando relaciona o conto ao knock out, talvez, esteja antecipando outros dois elementos que considera imprescindíveis para o bom conto: a INTENSIDADE e a TENSÃO.

No que diz respeito ao tema, Cortázar afirma que um tema é significativo quando possibilita a abertura do individual e do circunscrito para a essência da natureza humana. O conto perdurável carrega a semente de uma árvore gigantesca: a árvore crescerá dentro do autor e do leitor e deixará sua marca na memória de ambos. Entretanto, Cortázar realiza duas ressalvas à expressão “tema significativo”. Em primeiro lugar, lembra que não existem temas absolutamente significativos, nem absolutamente insignificantes. Um tema que pode arrebatar um autor, pode ser indiferente para outro. O mesmo ocorre com os leitores: determinado tema de um conto pode significar muito para um, e nada para outro leitor. Em segundo lugar, defende que não há temas bons ou ruins, mas, sim, tratamento adequado ou inadequado do tema.

Para que seja dado o tratamento adequado ao tema, para que o conto consiga funcionar como uma ponte entre o significado que o autor visualizou e a importância que o leitor dará a tal significado, Cortázar entende imprescindível o ofício de escritor. Por meio do ofício do escritor, o autor capturará o leitor com o conto, deixará o leitor alheio a tudo que o cerca durante o tempo do conto e, depois, colocará o leitor em contato com o ambiente de uma maneira nova, mais profunda e mais bela. O “sequestro”do leitor só será efetivado mediante um estilo baseado na intensidade e na tensão.

Cortázar define a intensidade como a eliminação de todas as ideias e a substração de todos os recheios, que o romance suporta e até necessita. A eliminação de todas as fases de transição próprias do romance. A tensão seria uma variante da intensidade, que ocorre na maneira pela qual o autor leva o leitor aproximando este lentamente ao que conta.

Trabalhando com um campo reduzido, com espaço e tempo comprimidos, e eliminando tudo o que fosse supérfluo, o autor escreveria um bom conto e venceria o leitor por knock out.

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Leila de Souza Teixeira, nascida em Passo Fundo/RS em 1979, formada em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, participou dos livros “Outras Mulheres”, em 2010 e “Inventário das Delicadezas”, em 2007; venceu os concursos Osman Lins e Mário Quintana/SINTRAJUFE em 2006 e frequenta as oficinas Charles Kiefer desde 2005. Junto com Cristina Moreira e Daniela Langer, idealizou a Vereda Literária, programa de debates onde se enfocam temas literários, realizado na Palavraria.

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02
mar
12

Fragmentos da eternidade, por Leila de Souza Teixeira: Para ler depois de assisitr ao “The fantastic flying books of Mr. Morris Lessmore”

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 Para ler depois de assisitr ao “The fantastic flying books of Mr. Morris Lessmore”, por Leila de Souza Teixeira

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Desde que o Charles Kiefer enviou o link aos alunos e ex-alunos, já assisti umas oito vezes. Então, mesmo que se tenha dito muito a respeito do “The fantastic flying books of Mr. Morris Lessmore” nos últimos dias, não resisti e escolhi ele como tema da coluna deste mês.

Não falarei como especialista, pois não sou, mas, sim, como simples leitora e espectadora. Não tentarei abordar todos os aspectos do filme, porque, como toda boa obra de arte, o curta-animação vencedor do Oscar 2012 possui muitos elementos e muitas camadas de significação. Apontarei apenas alguns detalhes que me encantaram profundamente.

O mundo perde as cores depois da catástrofe.

As cores começam a voltar para Mr. Morris quando ele encontra a moça desconhecida com os livros voadores. Retornam completamente ao mundo de Mr. Morris quando ele entra na Biblioteca.

Não há nenhuma outra pessoa com Mr. Morris, mas ele não está sozinho, pois os livros são a sua companhia.

Ele dorme sobre os livros. Cuida dos livros.

O livro antigo está jogado em um canto da estante. O livro antigo só deixa de morrer na “escrivaninha de operação” porque Mr. Morris o lê.

E, neste momento, minha sequência favorita. Mr. Morris entra no conteúdo do livro antigo. Sorri, chora, ri, assusta-se, revolta-se, cercado por um turbilhão de outros livros que estão contidos dentro do livro antigo. Depois, Mr. Morris é jogado de volta ao mundo em que vive, pensa no que acabou de lhe acontecer, pega seu livro de anotações e começa a escrever.

O espectador tem acesso a algumas dessas anotações*.

“Minhas últimas investigações transformaram várias das minhas antigas concepções (…) O muitos e variados pontos de vista que encontrei não confundem, mas enriquecem. Eu rio. Eu choro (…)”

“Fico me perguntando a respeito de coisas sem importância. Qual a diferença em saber as respostas? Se a vida é desfrutada, por que ela tem de fazer sentido?”

Totalmente adaptado ao dia a dia na Biblioteca, Mr. Morris passa a dar livros para as pessoas que estavam na catástrofe e que ficaram com uma vida em preto e branco. As cores voltam para as pessoas que recebem os livros.

Os livros voadores substituem as borboletas na mitológica cena das borboletas girando ao redor do corpo que está morrendo. A alma do Mr. Morris não é representada pelas borboletas, mas, sim, pelos livros: os livros são a alma do Mr. Morris.

O livro da vida dele volta à Biblioteca trazendo uma menina. Ela abre o livro e vê Mr. Morris na cena inicial do filme, sentado antes da catástrofe. A história de Mr. Morris retorna, eternizada. Para a menina, uma nova história começa.

http://morrislessmore.com/

*Tradução livre feita com a participação de Paulo Menechelli Filho.

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Leila de Souza Teixeira, nascida em Passo Fundo/RS em 1979, formada em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, participou dos livros “Outras Mulheres”, em 2010 e “Inventário das Delicadezas”, em 2007; venceu os concursos Osman Lins e Mário Quintana/SINTRAJUFE em 2006 e frequenta as oficinas Charles Kiefer desde 2005. Junto com Cristina Moreira e Daniela Langer, idealizou a Vereda Literária, programa de debates onde se enfocam temas literários, realizado na Palavraria.

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05
ago
11

Fragmentos da eternidade, por Leila D.S. Teixeira

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Street art Berlin parte um: a não-exaltação do artista, por Leila Teixeira

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Foto Leila Teixeira.

Tinha programado escrever este mês sobre a street art em Berlim: sobre o modo como a cidade colabora com a criatividade visível nas ruas e com a criatividade na mente das pessoas; sobre o fato de que, devido à street art, as ruas de Berlim mudam constantemente; enfim, sobre o círculo virtuoso que a cidade, os artistas e o público impulsionam. Porém, achei que deveria ler mais a respeito de urbanismo e de sociologia, antes de me meter em assuntos que não conheço direito.

Depois pensei em falar sobre a versão turística (East Side Gallery) e a versão alternativa da street art em Berlim, mas isso seria repetir o que centenas já fizeram: muito mais produtivo listar alguns sites e blogs que apresentam o tema (como fiz abaixo).

Já estava desistindo dos muros de Berlim quando li a entrevista que o FUCK YOUR CREW deu ao Urban Illustration Berlin. Este último é um guia da street art em Berlim, composto por centenas de fotos de intervenções em prédios da cidade, um mapa para o leitor poder visitar os locais fotografados e dezesseis entrevistas com os artistas que estão no guia. FUCK YOUR CREW é um dos artistas e ele me fez identificar o principal motivo que me leva a gostar de street art: a não-exaltação do artista.

Sei que muitos artistas de rua vivem na mídia, expõem até em museu, mas o espírito de humildade permanece. A rua proporciona isso: em um espaço público e democrático, famosos pintam ao lado de totais desconhecidos, iniciantes adesivam ao lado de consagrados. A rua é de todos, e, para ela, não interessa o artista, mas, apenas, a obra. Se eu estudasse filosofia iria falar do subjetivismo nietzscheano contido na estética da embriaguez versus o pensamento heideggeriano no qual o centro de gravidade da arte é a obra, mas a resposta do FUCK YOUR CREW é tão mais objetiva, que preferi transcrevê-la, com a ajuda do tradutor Paulo Menechelli.

“Então… o que nós devemos dizer? É lisonjeiro ter nosso trabalho publicado em livros e ser solicitado a dar uma entrevista. Mas isso não é o que nos motiva a criar arte na rua. Todo esse papo, ultimamente, só nos afasta de fazer arte. FUCK YOUR CREW é uma expressão daquilo que nós fazemos por diversão, e daquilo que nos gostaríamos de ver os outros fazendo com mais frequência. Para nós, não é importante quem nós somos ou de onde nós viemos ou qual é nosso background. Se pensarmos na repercussão dos nossos trabalhos dentro do tempo relativamente curto em que eles existem, podemos acreditar que falam por si próprios. Se nossos trabalhos chamam a atenção de outras pessoas e as fazem felizes, então, nós alcançamos o nosso objetivo (…)”

Em relação ao nome, o artista diz que FUCK YOUR CREW (foda-se o seu time, na minha tradução) é uma piada sobre a mentalidade de rebanho que alguns grafiteiros apresentam por aí.

WWW.blublu.org

http://streetart.berlinpiraten.de/

http://www.alternativeberlin.com/

http://www.eyecandiesblog.com/9/post/2010/9/berlin-street-art.html

http://www.slowtravelberlin.com/2011/07/21/the-heritage-of-berlin-street-art-and-graffiti-scene/

WWW.xoooox.com

http://www.eastsidegallery.com/

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Leila D S Teixeira, nascida em Passo Fundo/RS em 1979, formada em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, participou dos livros “Outras Mulheres”, em 2010 e “Inventário das Delicadezas”, em 2007; venceu os concursos Osman Lins e Mário Quintana/SINTRAJUFE em 2006 e frequenta as oficinas Charles Kiefer desde 2005. Junto com Cristina Moreira e Daniela Langer, idealizou a Vereda Literária, programa de debates onde se enfocam temas literários, realizado na Palavraria.
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01
jul
11

Fragmentos da eternidade, por Leila D. S. Teixeira: auto-estrada do Sul

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Auto-estrada do Sul, por Leila D. S. Teixeira

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Foto de Leila D. S. Teixeira
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O conto “Auto-estrada do Sul”*, de Júlio Cortázar, é um excelente exemplo do uso do tempo e do espaço como elementos de construção do significado.

As personagens estão presas em um engarrafamento quilométrico, em uma estrada que leva a Paris. Na mesma velocidade em que se movem os carros, as relações interpessoais vão sendo construídas. Pessoas vão se conhecendo, grupos vão se formando, funções dentro dos grupos vão surgindo, vizinhos de carros vão se tornando íntimos. Durante trinta páginas, Cortázar estrutura um microcosmos delicado e complexo que vagarosamente passa a abarcar as personagens. É interessante notar que, as personagens vão se movendo lentamente e se tornando cada vez mais próximas, durante o percurso de um caminho com uma única direção, pois todas desejam chegar a Paris e não têm como voltar atrás. O tempo é tratado da mesma forma por Cortázar: em uma única direção. O escritor não utiliza flashbacks ou flashforwards na narrativa e, com isso, não diferencia de forma marcante o tempo da história e o tempo do discurso, coloca-os, ambos, movendo-se no mesmo sentido. Assim, a estrada sem volta, o tempo da história e o tempo da narrativa na mesma direção aparentam ser a linha da vida, na qual não se pode voltar atrás, tampouco adiantar acontecimentos.

O fim dessa estrada (e do conto) será o sinônimo da destruição do microcosmos paulatinamente construído. De maneira veloz e abrupta, em apenas um parágrafo, Cortázar desfaz totalmente a rede antes estruturada em trinta páginas: como acontece fora da ficção, o protagonista se vê sozinho em meio a estranhos, pois as pessoas com quem havia estabelecido intimidade e cumplicidade foram arrancadas de seu convívio, para sempre, sem que ele pudesse se despedir, pelo trânsito que voltou a correr a oitenta quilômetros por hora.

*O conto “Auto-estrada do Sul” está no livro “Todos os Fogos o Fogo”, de Júlio Cortázar, publicado pela Civilização Brasileira.

Leila D S Teixeira, nascida em Passo Fundo/RS em 1979, formada em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, participou dos livros “Outras Mulheres”, em 2010 e “Inventário das Delicadezas”, em 2007; venceu os concursos Osman Lins e Mário Quintana/SINTRAJUFE em 2006 e frequenta as oficinas Charles Kiefer desde 2005. Junto com Cristina Moreira e Daniela Langer, idealizou a Vereda Literária, programa de debates onde se enfocam temas literários, realizado na Palavraria.

Leila publica regularmente neste blog na primeira sexta-feira do mês.

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03
jun
11

Fragmentos da eternidade, por Leila Teixeira

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A jornada do hedonista: a jornada do anarquista, por Leila D. S. Teixeira

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O materialismo e o hedonismo como formas de reavaliar o relacionamento do homem com o mundo? O fazer filosófico baseado nas experiências pessoais de cada indivíduo? Falar se Michel Onfray está certo ou errado, em relação ao que pensam aqueles que o criticam, é pegar o caminho fácil (e, sobretudo, pretensioso) de achar que se tem competência para dizer o que é “certo” e o que é “errado” neste mundo. Dentre todas as coisas que poderiam ser ditas, vou me limitar a dizer que Onfray apresenta, na minha opinião, uma proposta muito atraente.

Em “A Teoria da Viagem – poética da geografia”, traduzido por Paulo Neves e publicado pela L&PM, Michel Onfray aponta três razões não excludentes para o surgimento do desejo de viajar.

Sob uma perspectiva holística, universal, mais ampla, a ânsia por viajar tem sua origem na vontade de voltar à essência, de fazer parte do movimento do mundo outra vez, de retornar à dinâmica molecular que se tinha durante as horas dentro do ventre materno, arredondado como um globo, como um mapa-múndi. Dentro dessa perspectiva maior, a escolha da destinação atende a necessidade que cada corpo tem de reencontrar o elemento no qual se sente mais à vontade e que foi outrora, nas horas placentárias ou primeiras, o provedor de sensações e prazeres confusos, mas memoráveis. “Existe sempre uma geografia que corresponde a um temperamento”.

Do ponto de vista local, menos abrangente, da relação do indivíduo com a comunidade que o cerca, o querer viajar surge da recusa do tempo laborioso da civilização em proveito do lazer inventivo e alegre. “O viajante nega o tempo social, coletivo e coercitivo, em favor de um tempo singular feito de durações subjetivas e de instantes festivos buscados e desejados. Associal, insociável, irrecuperável, o viajante ignora o tempo convencionado”, não possui relógio de pulso, mas, sim, um olho que se orienta pelo sol e pelas estrelas.

Sob um prisma individual, a vontade de viajar nasce no desejo do autoconhecimento, da partida em busca própria com o propósito, muito hipotético, de se reencontrar ou, quem sabe, de se encontrar. “A viagem supõe uma experimentação em nós que tem a ver com exercícios costumeiros entre os filósofos antigos: o que posso saber de mim? O que posso aprender e descobrir a meu respeito se mudo de lugares habituais e modifico minhas experiências? O que resta da minha identidade quando são suprimidos vínculos sociais, comunitários, tribais, quando me vejo sozinho, num ambiente hostil ou pelo menos inquietante?”.

As duas primeiras motivações, global e local, aproximam o viajante do nômade. Ambos sabem-se mortais, mas sentem-se como fragmentos da eternidade destinados a se mover num planeta finito. Ambos, com suas atitudes incontroláveis, com seus modos errantes, questionam as instituições, o Estado, o Direito, a religião: não se submetem facilmente às imposições sociais e políticas.

A terceira motivação afasta o viajante do turista. Para o turista, a viagem não significa busca ou autoconhecimento. Para o turista, a viagem consiste em um ato mecanizado, um preencher o check list de lugares já visitados.

Um detalhe importante que não pode ser esquecido é que, para Onfray, não há Odisséia sem o reencontro com Ítaca. Em outras palavras, o viajante tem que voltar para casa, para organizar o que viu, repensar o que passou e maturar o que aprendeu. O nomadismo perpétuo sairia dos limites da viagem e entraria no da vagabundagem.

O viajante volta ao lar, mas logo já ansia pela próxima viagem. “Saber-se nômade uma vez é o que basta para nos convencer de que tornaremos a partir, de que a recente viagem não será a última. A menos que a morte aproveite para nos colher… Até à beira do túmulo, é preciso querer, ainda e sempre, a força, a vida, o movimento”.

Leila D S Teixeira, nascida em Passo Fundo/RS em 1979, formada em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, participou dos livros “Outras Mulheres”, em 2010 e “Inventário das Delicadezas”, em 2007; venceu os concursos Osman Lins e Mário Quintana/SINTRAJUFE em 2006 e frequenta as oficinas Charles Kiefer desde 2005. Junto com Cristina Moreira e Daniela Langer, idealizou a Vereda Literária, programa de debates onde se enfocam temas literários, realizado na Palavraria.

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A partir desta data, Leila Teixeira passa a publicar neste blog na primeira sexta-feira de cada mês.

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