Posts Tagged ‘João Cabral de Melo Neto

28
ago
12

Aconteceu na Palavraria, nesta segunda, 27/08: Festipoa revisitada e sampleada

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Aconteceu na Palavraria, nesta segunda, 27, bate-papo sobre a obra de João Cabral de Melo Neto, com Guto Leite, Antonio Sanseverino e Richard Serraria, em mais uma edição do Festipoa revisitada e sampleada. Fotos do evento.

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24
ago
12

Vai rolar na Palavraria, nesta segunda, 27/08: Festipoa revisitada e sampleada

program sem

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27, segunda, 19h: Festipoa revisitada e sampleada: Pedra do Sono e outras pedras fundamentais da poesia brasileira: bate-papo sobre a poesia de João Cabral de Melo Neto, com Antônio Sanseverino, Guto Leite e Richard Serraria.

João Cabral de Melo Neto (Recife, 9 de janeiro de 1920 – Rio de Janeiro, 9 de outubro de 1999) foi um poeta e diplomata brasileiro. Sua obra poética, que vai de uma tendência surrealista até a poesia popular, porém caracterizada pelo rigor estético, com poemas avessos a confessionalismos e marcados pelo uso de rimas toantes, inaugurou uma nova forma de fazer poesia no Brasil. Da obra poética de João Cabral pode-se mencionar, ao acaso, pela sua variedade, os seguintes títulos: “Pedra do sono”, 1942; “O engenheiro”, 1945; “O cão sem plumas”, 1950; “O rio”, 1954; “Quaderna”, 1960; “Poemas escolhidos”, 1963; “A educação pela pedra”, 1966; “Morte e vida severina e outros poemas em voz alta”, 1966; “Museu de tudo”, 1975; “A escola das facas”, 1980; “Agreste”, 1985; “Auto do frade”, 1986; “Crime na Calle Relator”, 1987; “Sevilla andando”, 1989.

Antônio Marcos Sanseverino. Mestre em Letras pela UFRGS e doutor em Letras pela PUCRS, com a tese “Realismo e Alegoria em Machado de Assis”. É professor adjunto de literatura brasileira da UFRGS. Pesquisou a poesia de Carlos Drummond de Andrade, analisando como as tensões sociais dos anos 30 e 40 transformaram-se em problemas formais de sua poética. Atualmente desenvolve pesquisa sobre a formação da crônica no Brasil, especificamente trabalhando com a crônica de Machado de Assis. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Machado de Assis, atuando principalmente nos seguintes temas: literatura brasileira, Machado de Assis, ironia, alegoria e poesia brasileira.

Guto Leite. Poeta, músico, compositor, professor. Poeta dos livros “zero um” (2010), “Poemas Lançados Fora” (7Letras, 2007), “Sintaxe da Última Hora” (Scortecci, 2006) e “Reflexos” (FEME, 2000), além de premiado em concursos literários e presente em diversas coletâneas de poesia. Indicado ao Prêmio Açorianos (Categoria Poesia) no ano de 2010. Co-roteirista dos filmes de curta-metragem “Estado Senil” (2009), “Revés” (2008) e “Bons sonhos, Maria”(2006). Argumentista da personagem Júlio César, publicado em setembro de 2010 pela revista independente “Eixada” e em julho de 2011 na coletânea “O melhor da festa, volume 3”. Linguista pela Unicamp, especialista, mestre e doutorando em Literatura Brasileira pela UFRGS. Atualmente trabalha como professor temporário de Literatura Brasileira na UFRGS. www.gutoleite.com.br.

Richard Serraria é músico, compositor, poeta, graduado em Letras pela UFRGS, Mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS, professor universitário na Feevale NH e agitador cultural com atuação na cena porto alegrense há mais de 15 anos. Atua junto à banda Bataclã FC há 11 anos, tendo com esta recebido 4 prêmios Açorianos: Melhor Compositor Pop Rock 2002 e 2004 e Melhor Grupo Pop Rock 2001 e 2002. Em 2008 lançou seu primeiro disco solo, Vila Brasil, que em 2010 recebeu distribuição nacional da Tratore. Em 2010, gravou segundo trabalho solo, Pampa Esquema Novo, com participação de Zeca Baleiro e Daniel Drexler, entre outros.

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17
abr
10

Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto

Toques da Palavraria

12

Morte e vida severina. Cenas da parte final da minissérie produzida em 1981 pela Rede Globo, adaptada do poema Morte e vida severina – auto de Natal pernambucano, de João Cabral de Melo Neto. Aqui, Severino (José Dumont), recém chegado a Recife, depois de longa jornada pelo sertão, aprende com José, o Mestre Carpina (Sebastião Vasconcelos) o valor da vida.

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12ª cena – Aproxima-se do retirante o morador de um dos mocambos que existem entre o cais e a água do Rio:

– Seu José, mestre carpina,
que habita este lamaçal,
sabes me dizer se o rio
a esta altura dá vau?
sabes me dizer se é funda
esta água grossa e carnal?

– Severino, retirante,
jamais o cruzei a nado;
quando a maré está cheia
vejo passar muitos barcos,
barcaças, alvarengas,
muitas de grande calado.

– Seu José, mestre carpina,
para cobrir corpo de homem
não é preciso muito água:
basta a que chega o abdome,
basta que tenha fundura
igual à de sua fome.

– Severino, retirante
pois não sei o que lhe conte;
sempre que cruzo este rio
costumo tomar a ponte;
quanto ao vazio do estômago,
se cruza quando se come.

– Seu José, mestre carpina,
e quando ponte não há?
quando os vazios da fome
não se tem com que cruzar?
quando esses rios sem água
são grandes braços de mar?

– Severino, retirante,
o meu amigo é bem moço;
sei que a miséria é mar largo,
não é como qualquer poço:
mas sei que para cruzá-la
vale bem qualquer esforço.

– Seu José, mestre carpina,
e quando é fundo o perau?
quando a força que morreu
nem tem onde se enterrar,
por que ao puxão das águas
não é melhor se entregar?

– Severino, retirante,
o mar de nossa conversa
precisa ser combatido,
sempre, de qualquer maneira,
porque senão ele alarga
e devasta a terra inteira.

– Seu José, mestre carpina,
e em que nos faz diferença
que como frieira se alastre,
ou como rio na cheia,
se acabamos naufragados
num braço do mar miséria?

– Severino, retirante,
muita diferença faz
entre lutar com as mãos
e abandoná-las para trás,
porque ao menos esse mar
não pode adiantar-se mais.

– Seu José, mestre carpina,
e que diferença faz
que esse oceano vazio
cresça ou não seus cabedais
se nenhuma ponte mesmo
é de vencê-lo capaz?

– Seu José, mestre carpina,
que lhe pergunte permita:
há muito no lamaçal
apodrece a sua vida?
e a vida que tem vivido
foi sempre comprada à vista?

– Severino, retirante,
sou de Nazaré da Mata,
mas tanto lá como aqui
jamais me fiaram nada:
a vida de cada dia
cada dia hei de comprá-la.

– Seu José, mestre carpina,
e que interesse, me diga,
há nessa vida a retalho
que é cada dia adquirida?
espera poder um dia
comprá-la em grandes partidas?

– Severino, retirante,
não sei bem o que lhe diga:
não é que espere comprar
em grosso tais partidas,
mas o que compro a retalho
é, de qualquer forma, vida.

– Seu José, mestre carpina,
que diferença faria
se em vez de continuar
tomasse a melhor saída:
a de saltar, numa noite,
fora da ponte e da vida?

13ª cena – Uma mulher, da porta de onde saiu o homem, anuncia-lhe o que se verá:

– Compadre José, compadre,
que na relva estais deitado:
conversais e não sabeis
que vosso filho é chegado?
Estais aí conversando
em vossa prosa entretida:
não sabeis que vosso filho
saltou para dentro da vida?
Saltou para dento da vida
ao dar o primeiro grito;
e estais aí conversando;
pois sabeis que ele é nascido.

(…)

18ª cena – O carpina fala com o retirante que esteve de fora, sem tomar parte de nada:

– Severino, retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida;
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, severina
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.

E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.

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agosto 2019
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