Posts Tagged ‘Leila Teixeira

02
mar
12

Fragmentos da eternidade, por Leila de Souza Teixeira: Para ler depois de assisitr ao “The fantastic flying books of Mr. Morris Lessmore”

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 Para ler depois de assisitr ao “The fantastic flying books of Mr. Morris Lessmore”, por Leila de Souza Teixeira

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Desde que o Charles Kiefer enviou o link aos alunos e ex-alunos, já assisti umas oito vezes. Então, mesmo que se tenha dito muito a respeito do “The fantastic flying books of Mr. Morris Lessmore” nos últimos dias, não resisti e escolhi ele como tema da coluna deste mês.

Não falarei como especialista, pois não sou, mas, sim, como simples leitora e espectadora. Não tentarei abordar todos os aspectos do filme, porque, como toda boa obra de arte, o curta-animação vencedor do Oscar 2012 possui muitos elementos e muitas camadas de significação. Apontarei apenas alguns detalhes que me encantaram profundamente.

O mundo perde as cores depois da catástrofe.

As cores começam a voltar para Mr. Morris quando ele encontra a moça desconhecida com os livros voadores. Retornam completamente ao mundo de Mr. Morris quando ele entra na Biblioteca.

Não há nenhuma outra pessoa com Mr. Morris, mas ele não está sozinho, pois os livros são a sua companhia.

Ele dorme sobre os livros. Cuida dos livros.

O livro antigo está jogado em um canto da estante. O livro antigo só deixa de morrer na “escrivaninha de operação” porque Mr. Morris o lê.

E, neste momento, minha sequência favorita. Mr. Morris entra no conteúdo do livro antigo. Sorri, chora, ri, assusta-se, revolta-se, cercado por um turbilhão de outros livros que estão contidos dentro do livro antigo. Depois, Mr. Morris é jogado de volta ao mundo em que vive, pensa no que acabou de lhe acontecer, pega seu livro de anotações e começa a escrever.

O espectador tem acesso a algumas dessas anotações*.

“Minhas últimas investigações transformaram várias das minhas antigas concepções (…) O muitos e variados pontos de vista que encontrei não confundem, mas enriquecem. Eu rio. Eu choro (…)”

“Fico me perguntando a respeito de coisas sem importância. Qual a diferença em saber as respostas? Se a vida é desfrutada, por que ela tem de fazer sentido?”

Totalmente adaptado ao dia a dia na Biblioteca, Mr. Morris passa a dar livros para as pessoas que estavam na catástrofe e que ficaram com uma vida em preto e branco. As cores voltam para as pessoas que recebem os livros.

Os livros voadores substituem as borboletas na mitológica cena das borboletas girando ao redor do corpo que está morrendo. A alma do Mr. Morris não é representada pelas borboletas, mas, sim, pelos livros: os livros são a alma do Mr. Morris.

O livro da vida dele volta à Biblioteca trazendo uma menina. Ela abre o livro e vê Mr. Morris na cena inicial do filme, sentado antes da catástrofe. A história de Mr. Morris retorna, eternizada. Para a menina, uma nova história começa.

http://morrislessmore.com/

*Tradução livre feita com a participação de Paulo Menechelli Filho.

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Leila de Souza Teixeira, nascida em Passo Fundo/RS em 1979, formada em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, participou dos livros “Outras Mulheres”, em 2010 e “Inventário das Delicadezas”, em 2007; venceu os concursos Osman Lins e Mário Quintana/SINTRAJUFE em 2006 e frequenta as oficinas Charles Kiefer desde 2005. Junto com Cristina Moreira e Daniela Langer, idealizou a Vereda Literária, programa de debates onde se enfocam temas literários, realizado na Palavraria.

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03
jun
11

Fragmentos da eternidade, por Leila Teixeira

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A jornada do hedonista: a jornada do anarquista, por Leila D. S. Teixeira

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O materialismo e o hedonismo como formas de reavaliar o relacionamento do homem com o mundo? O fazer filosófico baseado nas experiências pessoais de cada indivíduo? Falar se Michel Onfray está certo ou errado, em relação ao que pensam aqueles que o criticam, é pegar o caminho fácil (e, sobretudo, pretensioso) de achar que se tem competência para dizer o que é “certo” e o que é “errado” neste mundo. Dentre todas as coisas que poderiam ser ditas, vou me limitar a dizer que Onfray apresenta, na minha opinião, uma proposta muito atraente.

Em “A Teoria da Viagem – poética da geografia”, traduzido por Paulo Neves e publicado pela L&PM, Michel Onfray aponta três razões não excludentes para o surgimento do desejo de viajar.

Sob uma perspectiva holística, universal, mais ampla, a ânsia por viajar tem sua origem na vontade de voltar à essência, de fazer parte do movimento do mundo outra vez, de retornar à dinâmica molecular que se tinha durante as horas dentro do ventre materno, arredondado como um globo, como um mapa-múndi. Dentro dessa perspectiva maior, a escolha da destinação atende a necessidade que cada corpo tem de reencontrar o elemento no qual se sente mais à vontade e que foi outrora, nas horas placentárias ou primeiras, o provedor de sensações e prazeres confusos, mas memoráveis. “Existe sempre uma geografia que corresponde a um temperamento”.

Do ponto de vista local, menos abrangente, da relação do indivíduo com a comunidade que o cerca, o querer viajar surge da recusa do tempo laborioso da civilização em proveito do lazer inventivo e alegre. “O viajante nega o tempo social, coletivo e coercitivo, em favor de um tempo singular feito de durações subjetivas e de instantes festivos buscados e desejados. Associal, insociável, irrecuperável, o viajante ignora o tempo convencionado”, não possui relógio de pulso, mas, sim, um olho que se orienta pelo sol e pelas estrelas.

Sob um prisma individual, a vontade de viajar nasce no desejo do autoconhecimento, da partida em busca própria com o propósito, muito hipotético, de se reencontrar ou, quem sabe, de se encontrar. “A viagem supõe uma experimentação em nós que tem a ver com exercícios costumeiros entre os filósofos antigos: o que posso saber de mim? O que posso aprender e descobrir a meu respeito se mudo de lugares habituais e modifico minhas experiências? O que resta da minha identidade quando são suprimidos vínculos sociais, comunitários, tribais, quando me vejo sozinho, num ambiente hostil ou pelo menos inquietante?”.

As duas primeiras motivações, global e local, aproximam o viajante do nômade. Ambos sabem-se mortais, mas sentem-se como fragmentos da eternidade destinados a se mover num planeta finito. Ambos, com suas atitudes incontroláveis, com seus modos errantes, questionam as instituições, o Estado, o Direito, a religião: não se submetem facilmente às imposições sociais e políticas.

A terceira motivação afasta o viajante do turista. Para o turista, a viagem não significa busca ou autoconhecimento. Para o turista, a viagem consiste em um ato mecanizado, um preencher o check list de lugares já visitados.

Um detalhe importante que não pode ser esquecido é que, para Onfray, não há Odisséia sem o reencontro com Ítaca. Em outras palavras, o viajante tem que voltar para casa, para organizar o que viu, repensar o que passou e maturar o que aprendeu. O nomadismo perpétuo sairia dos limites da viagem e entraria no da vagabundagem.

O viajante volta ao lar, mas logo já ansia pela próxima viagem. “Saber-se nômade uma vez é o que basta para nos convencer de que tornaremos a partir, de que a recente viagem não será a última. A menos que a morte aproveite para nos colher… Até à beira do túmulo, é preciso querer, ainda e sempre, a força, a vida, o movimento”.

Leila D S Teixeira, nascida em Passo Fundo/RS em 1979, formada em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, participou dos livros “Outras Mulheres”, em 2010 e “Inventário das Delicadezas”, em 2007; venceu os concursos Osman Lins e Mário Quintana/SINTRAJUFE em 2006 e frequenta as oficinas Charles Kiefer desde 2005. Junto com Cristina Moreira e Daniela Langer, idealizou a Vereda Literária, programa de debates onde se enfocam temas literários, realizado na Palavraria.

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A partir desta data, Leila Teixeira passa a publicar neste blog na primeira sexta-feira de cada mês.

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16
nov
10

Aconteceu na Palavraria: debate A palavra, na 1ª Vereda Literária

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Agora há pouco, foi a vez da escritora Daniela Langer coordenar o debate que tinha por tema A palavra, no segundo encontro da 1ª Vereda Literária na Palavraria. Participaram as escritoras Cintia Lacroix e Leila Teixeira. Fotos do encontro.

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