Posts Tagged ‘Machado de Assis

24
out
13

Vem aí, em novembro, na Palavraria: curso Machado de Assis, com o professor Nicotti

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cursos 2013

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Curso Machado de Assis,

com o professor Nicotti

A partir de 23 de novembro

Na Palavraria*

O curso será oferecido em dois locais diferentes: na Palavraria (programação abaixo) e no Curso Absolutto (veja programação aqui).

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curso machado de assis

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nicottiJoão Armando Nicotti é licenciado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa. Estudou no Curso de Literatura Russa da UFRGS. Foi professor de literatura dos Colégios Anchieta, Israelita, Leonardo da Vinci (Porto Alegre e Caxias do Sul), Rosário e cursos pré-vestibulares em Porto Alegre e Caxias. É sócio-fundador do Curso Pré-Vestibular Absolutto.

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Palavraria - livros a

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17
mar
13

A crônica de Emir Ross: Sobre o nada

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Sobre o nada, por Emir Ross

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Nada tenho a falar sobre Machado de Assis. Mas sinto uma necessidade enorme de escrever algo. Sem importar o quê. Tem tanta gente falando nada sobre coisa alguma. Decidi falar nada sobre Machado.

Passado mais de um século, as pessoas ainda não perceberam o essencial no fundador da academia. Ainda discutem se Capitu deu ou não deu para Escobar. Acho que os discutidores do assunto não leram o livro. Ou ela fez inseminação artificial ou abriu as pernas para o amigo do marido. O fato do filho do casal ter o a cara e os trejeitos de Escobar não podem ser apenas obra de um narrador inconfiável.

Para mim, inconfiáveis são essas discussões. Machado não é uma discussão. É um estado de espírito. No fim, acho que ainda não aprendemos a ler. O que importa não é a traição. A importância está na necessidade que o autor nos provoca. A necessidade de falar sobre o assunto. Mesmo que nada haja a ser dito.

Em tempos de Big Brother (não falo do George Orwell, falo do Pedro Bial), o nada parece mesmo ser a tônica da cultura nacional. Parece que estamos meditando vinte e quatro horas por dia. Ou seja, com a mente vazia.

Nos anos dois mil, o que parecia impossível tornou-se lugar comum. Se antes precisava-se de anos para esvaziar a mente para conseguirmos meditar, agora faz-se num simples toque no power. Tudo bem que não se medita, mas com a mente vazia já é meio caminho andado.

Talvez esse seja o caminho para a paz em nosso país: a meditação. Nunca pensei que Pedro Bial tivesse esse poder.

Aposto que o próprio Bhuda está fascinado com essa descoberta. Assim como Machado de Assis está se revirando no caixão pelas notícias e repercussão sobre sua obra que os vermes lhe trazem.

O que os vermes não devem comunicar são as atividades da Academia Brasileira de Letras. Nem os nomes de seus integrantes. Se a importância que a fugidinha de Capitu alcançou o faz revirar-se no caixão, imaginem se ele soubesse que o José Sarney faz parte da casa que ele fundou para abrigar a nata dos escribas tupiniquins.

Acho que devo assistir mais o plim-plim. Estou começando a gostar dessa história de falar sobre o nada. Depois do meu aperfeiçoamento, talvez eu já consiga falar nada sobre futebol, sobre o aquecimento global e, chegarei ao auge, falando nada sobre a política.

Mas, antes, preciso acompanhar muito o programa do Bial. Ouvi dizer que até pay-per-view tem. Vinte e quatro horas por dia. Vou assinar.

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Emir Ross é publicitário e escritor e mora em Porto Alegre. Tem participação em 9 antologias de contos e recebeu mais de 20 prêmios literários. Entre eles, o Felippe d’Oliveira em Santa Maria (3 vezes), o Escriba de Piracicaba (2 vezes), o Luiz Vilela de Minas Gerais (2 vezes), o José Cândido de Carvalho do Rio de Janeiro (2 vezes), o Prêmio Araçatuba, entre outros. Escreve no blog milkyway.terra.com.br.

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Emir Roos publica neste blog na primeira e terceira segunda-feira do mês.

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04
out
11

A crônica de Tiago Cardoso: Aires e Calvero

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Aires e Calvero: dois narradores maduros, por Tiago Cardoso

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Foto Tiago Cardoso

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Pensei que seria interessante criar uma aproximação entre a perspectiva de duas narrativas, protagonizadas, uma, pelo diário do conselheiro Aires, imortalizado por Machado de Assis em “Memorial de Aires”; outra, pela figura do comediante Calvero, criada e interpretada por Charlie Chaplin em “Luzes da Ribalta”. O olhar dos citados protagonistas a respeito do tempo da vida, especialmente naquilo que confronta algo como o romantismo da juventude e o ceticismo da maturidade, é o ponto de aproximação que identifiquei entre essas duas obras, e sobre o que, brevemente, farei alguns comentários.

O último romance machadiano apresenta um enredo a que temos acesso a partir do diário de um diplomata aposentado: o conselheiro Aires. Trata-se de um homem de sessenta anos de idade, viúvo, que nos idos do ano de 1888 voltava ao Rio de Janeiro, sua terra natal, para gozar da aposentadoria. Um pouco por conta do acaso e talvez mais por conta das relações de sua irmã, Rita, trava conhecimento com uma linda jovem e atraente viúva, enquanto esta ainda encenava os últimos movimentos do luto. Era Fidélia. Por seu turno, a história do último filme produzido por Chaplin nos Estados Unidos, e que havia sido pensado como a última obra da extensa carreira do cineasta britânico, é ambientada em Londres, igualmente no final do século XIX, e narra o encontro entre o também sexagenário Calvero e a jovem bailarina Thereza (Terry). Temos assim, duas narrativas elaboradas a partir da perspectiva de dois protagonistas homens, que têm por volta de sessenta anos de idade, ambientadas em circunstâncias históricas quase idênticas. No centro dos enredos, vemos contrastadas maturidade e juventude. A maturidade, simbolizada na perspectiva preponderantemente cética a respeito da existência, presente nas personagens do conselheiro Aires e do comediante Calvero. Aquele, um homem que tem em vista exclusivamente a fruição da aposentadoria, depois de anos dedicados à atividade diplomática. Este outro vive um longo ostracismo cênico, por conta do absoluto esquecimento e desinteresse do público e dos produtores em relação às suas performances. Já a juventude está materializada na figura das duas atraentes moças, aparentemente indefesas e inseguras quanto ao futuro: Fidélia, pela viuvez precoce, pela aparente tristeza do luto, e pelo rompimento com a figura paterna; Terry, porque desde muito cedo teve de enfrentar a vida de forma solitária, tendo sido obrigada a abandonar o sonho profissional de ser bailarina por conta de um estranho incidente de paralisia. Não obstante, estas moças pareciam ter, ao contrário daqueles protagonistas, “tudo pela frente”.

Tanto o romance quanto o filme desvelam uma visão benevolente e bondosamente interessada, com a qual os maduros protagonistas (Aires e Calvero) observam os movimentos das duas jovens. Isso não impede, ainda que de maneira velada, que reste insinuada uma fugaz pretensão de envolvimento amoroso entre os dois sexagenários e suas heroínas. A diferença de idade entre os possíveis amantes, no entanto, parece erguer um obstáculo indigno de superação. O que talvez diferencie Aires de Calvero, neste caso, é a constância. Calvero parece mais convicto com relação à sua (im)possibilidade como par romântico de Terry. Por outro lado, como nos adverte John Gledson, durante todo o curso da narrativa, o conselheiro Aires mostra-se “mutável e contraditório”, com relação à natureza da atração que nutre pela viúva. Essas impressões talvez sejam mais perceptíveis em Machado porque ao leitor é franqueado acesso, de forma minuciosa, aos pensamentos do conselheiro. Afinal, lemos seu diário. Já na narrativa fílmica, podemos notar muito rapidamente e de forma indireta aquilo que o inconsciente de Calvero revela, graças à cena em que um sonho do comediante é dramatizado. Talvez seja a única informação, no curso do filme, da qual possamos inferir que Calvero estivesse apaixonado pela jovem bailarina.

A resignação destes dois homens – e no caso de Calvero, abnegação, pois ele mesmo nega as súplicas apaixonadas de Terry que, modernizando os usos, pede-o em casamento –, parece dar a estas duas narrativas um mesmo tom: há que fenecer o velho para que o novo possa florescer. E é curioso notar que tanto Machado quanto Chaplin também experimentavam, à época da realização destas duas obras, a maturidade enquanto homens e enquanto autores. As figuras masculinas de seus protagonistas parecem realizar ora um ato de esforço, ora um ato de fuga, a fim de preservarem um distanciamento que tem por finalidade favorecer os desígnios naturais da vida, segundo os quais a juventude e a renovação devem vicejar.

 

Tiago Cardoso é frequentador da Palavraria, graduado em direito e mestre em filosofia pela UNISINOS.

 

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