Posts Tagged ‘Mario Vargas LLosa

24
dez
10

A quase crônica de Nelson Safi: Mario Vargas Llosa

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Mario Vargas Llosa, por Nelson Safi

É a primeira vez que acontece, ter opinião formada sobre o ganhador do Nobel de literatura. O inédito, neste caso,  é esse ganhador ser um escritor de quem já li quase toda obra antes do prêmio. Pelo que lembro, todos os outros ganhadores só fui ler depois de serem agraciados, até mesmo o Gabriel Garcia Márquez e o José  Saramago. Poderia simplesmente dizer que o prêmio fez justiça e encerrar por aqui, já que o Nobel, sozinho, é referência suficiente. Mas este é apenas o primeiro parágrafo, tenho umas linhas a mais para argumentar.

Primeiramente o óbvio, o prêmio chegou a um autor que há muito deveria ter sido contemplado. Acredito que ninguém achou o resultado injusto. Ultimamente a “acadimia” sueca vinha premiando autores que, na minha opinião de consumidor de livros, não mostraram a que vieram. Mas não estou aqui para discutir critérios de premiações, e esse assunto foi bem divulgado à época do Prêmio Jabuti. Gosto muito dos escritores latino-americanos, dele em especial, por retratarem nosso continente e história. E a identificação é fácil, nossos cotidianos foram muito semelhantes.

Mas qual seria a razão por eu gostar tanto do que ele escreve? Não vou repetir aqui o que muitos críticos (comentadores?) literários já devem ter feito, dissertar sobre os recursos estilísticos do autor (e com mais competência do que eu teria feito). O que posso dizer é que o escrevinhador é um grande contador de histórias. E tanto faz se são narradas na primeira ou na terceira pessoa, sempre sou envolvido por elas. O que as faz tão boas é a sempre competente construção dos personagens. Nenhum é caricato, todos têm a sua importância e, o principal, é impossível ficarmos alheios às suas existências (aliás, são tão reais quanto nós mesmos, talvez até mais).

Para encerrar, é claro que alguns romances são melhores que outros, tenho os meus preferidos. Entre eles está A Guerra do Fim do Mundo. Quem poderia acreditar que fosse um peruano o responsável pelo melhor romance que já se publicou sobre a Guerra de Canudos. Transcrevo o primeiro parágrafo do livro:

“O homem era alto e tão magro que parecia sempre de perfil. Sua pele era escura, seus ossos proeminentes e seus olhos ardiam com fogo perpétuo. Calçava sandálias de pastor e a túnica azulão que lhe caía sobre o corpo lembrava o hábito desses missionários que, de quando em quando, visitavam os povoados do sertão batizando multidões de crianças e casando os amancebados. Era impossível saber a sua idade, sua procedência, sua história, mas algo havia em seu aspecto tranquilo, em seus costumes frugais, em sua imperturbável seriedade que, mesmo antes de dar conselhos, atraía as pessoas.”

Abraço,

Nelson Safi

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Nelson Safi nasceu em Porto Alegre faz tempo. Iniciou na literatura em 2002 ingressando na Oficina de Contos de Charles Kiefer. Ganhou uns prêmios por aí. Em 2004 lançou seu primeiro livro de contos (por enquanto o único), Balas de coco e outras histórias amargas, e ainda participou da antologia 101 que contam, organizada por Charles Kiefer. Em 2005 participou das antologias brevíssimos! e Histórias de quinta, organização de Charles Kiefer. Em 2006 participou das antologias Contos do novo milênio, editada pelo IEL – Instituto Estadual do Livro, e 103 que contam, ambas organizadas por Charles Kiefer. Por enquanto era isso.

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Nelson Safi passa publica no blog da Palavraria mensalmente, na terceira sexta-feira do mês.

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07
out
10

Palavraria indica: Sabres e utopias, livro de Mario Vargas Llosa

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Sabres e utopias, livro de Mario Vargas Llosa. Editora Objetiva, 2010.

À venda na Palavraria – R$ 49,90

Reserve seu exemplar – palavraria@palavraria.com.br, 3268 4260
ou venha até a loja: Rua Vasco da Gama, 165 – Bom Fim

Em Sabres e utopias, Vargas Llosa nos mostra que não é apenas um excelente romancista – “um dos melhores do mundo”, nas palavras de John Updike -, mas também um crítico e ensaísta brilhante, e um exímio observador da história recente da América Latina.
Nos artigos reunidos no livro, ele fala sobre os mais diversos temas: política, direitos humanos, literatura e artes plásticas, economia e história. Acima de tudo, Vargas Llosa se mostra um defensor aguerrido da democracia e da liberdade. Ele ataca com precisão tanto os regimes militares de direita, corruptos e violentos, quanto as ditaduras de esquerda, que prometem utopias mas entregam somente repressão e autoritarismo.
Com respeito ao Brasil, ele faz análises impactantes sobre a situação política atual, com duras críticas à relação entre Lula e Fidel Castro, e constrói relatos comoventes sobre grandes nomes da literatura – como Euclides da Cunha e Jorge Amado -, em textos selecionados especialmente para esta edição.

Jornalista, dramaturgo, ensaísta e crítico literário, Mario Vargas Llosa é um escritor consagrado internacionalmente. Nascido em Arequipa, no Peru, em 1936, ganhou notoriedade literária com a publicação do premiado romance A Cidade e os Cães (1961).  Mudou para Paris nos anos 60, e lecionou em diversas universidades americanas e européias, ao longo dos anos. Com uma vasta produção literária, que inclui peças teatrais, ensaios e memórias, Vargas Llosa publicou sobretudo romances, entre eles Conversa na Catedral, Pantaleão e as Visitadoras, Tia Júlia e o Escrevinhador, A Guerra do Fim do Mundo, Quem Matou Palomino Molero? e Cartas a um Jovem Escritor. Foi vencedor dos prestigiosos prêmios Cervantes, Príncipe de Astúrias, PEN/Nabokov e Grinzane Cavour. Numa incursão ao mundo da política, candidatou-se, em 1990, à presidência do Peru, perdendo a eleição para Alberto Fujimori. O autor vive entre Londres, Paris, Madrid e Lima.

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18
set
10

Vargas Llosa fala sobre seu romance Conversa na Catedral

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Conversación en La Catedral. Em entrevista de 27 de julho de 2008, concedida no programa de televisão peruana Ventana Indiscreta ao jornalista Luis Felipe Gamarra, Mario Vargas Llosa lê trecho de seu livro Conversa na Catedral, relata a origem da idéia central deste romance e explica os vínculos da obra com a história política peruana.

Vargas Llosa estará em Porto Alegre agora em outubro, no Fronteiras do Pensamento 2010.

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09
set
10

Palavraria indica: A casa verde, de Vargas Llosa

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A casa verde, livro de Mario Vargas Llosa. Ed. Alfaguara, 2005.

À venda na Palavraria – R$ 55,00

Reserve seu exemplar – palavraria@palavraria.com.br, 3268 4260
ou venha até a loja: Rua Vasco da Gama, 165 – Bom Fim

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Segundo romance de Vargas Llosa, A Casa Verde é, também, um de seus livros mais ambiciosos. Nele, o autor entrelaça a voz de diferentes personagens para narrar a história de um prostíbulo montado perto de uma das cidades mais isoladas do Peru, mudando a rotina de seus habitantes. Publicado originalmente em 1966, o romance recebeu no mesmo ano o Prêmio da Crítica, na Espanha, e, em 1967, o Prêmio Internacional de Literatura Rómulo Gallegos, na Venezuela, como melhor romance em língua espanhola. Vargas Llosa tinha apenas 29 anos quando terminou o livro. Antes, já havia tido grande sucesso com a publicação dos contos reunidos em Os chefes (1959) e com o lançamento de seu primeiro romance, A cidade e os cachorros (1963). Com A Casa Verde, ele se firmou como um dos principais autores latino-americanos dos anos 1960. Em A Casa Verde Dom Anselmo é um forasteiro misterioso que constrói, às margens da pequena cidade de Piúra, no Peru, uma casa de dois andares, dividida em diversos cômodos, e toda pintada de verde. Em pouco tempo, os habitantes desse pacato vilarejo descobrem as verdadeiras intenções desse homem: pois mulheres desconhecidas são vistas naquela construção, que nada mais é que um prostíbulo instalado em um dos locais mais ermos do país. Batizada de “A Casa Verde”, ela não reúne somente prostitutas, corruptos e criminosos. Aos poucos, os moradores – e mesmo alguns militares – são atraídos ao local, num caminho sem volta de perdição e desespero. Com influências de William Faulkner e Gustave Flaubert, Vargas Llosa cria um texto vibrante, em que a voz do narrador se mescla à fala dos personagens, e ações do passado e do presente se intercalam num fluxo inovador.

Jornalista, dramaturgo, ensaísta e crítico literário, Mario Vargas Llosa é um escritor consagrado internacionalmente. Nascido em Arequipa, no Peru, em 1936, ganhou notoriedade literária com a publicação do premiado romance A Cidade e os Cães (1961).  Mudou para Paris nos anos 60, e lecionou em diversas universidades americanas e européias, ao longo dos anos. Com uma vasta produção literária, que inclui peças teatrais, ensaios e memórias, Vargas Llosa publicou sobretudo romances, entre eles Conversa na Catedral, Pantaleão e as Visitadoras, Tia Júlia e o Escrevinhador, A Guerra do Fim do Mundo, Quem Matou Palomino Molero? e Cartas a um Jovem Escritor. Foi vencedor dos prestigiosos prêmios Cervantes, Príncipe de Astúrias, PEN/Nabokov e Grinzane Cavour. Numa incursão ao mundo da política, candidatou-se, em 1990, à presidência do Peru, perdendo a eleição para Alberto Fujimori. O autor vive entre Londres, Paris, Madrid e Lima.

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04
set
10

El viaje a la ficción, por Mario Vargas Llosa

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Mario Vargas Llosa: El viaje a la ficción. Em vídeo produzido pela Revista Letraslibres, Mario Vargas Llosa expõe sua visão sobre o fenômeno literário e os vínculos entre a realidade e a ficção. O escritor estará em Porto Alegre no dia 4 de outubro, como convidado do Fronteiras do Pensamento.

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