Posts Tagged ‘paulo prates

13
dez
11

A precisão do impreciso: poemas da oficina

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A precisão do impreciso: Poemas da Oficina

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Poemas lidos no sarau poético A precisão do impreciso, da Oficina de Poesia Ronald Augusto, realizado em novembro último na Palavraria.

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de súbito
não morri

sustive o tempo
sem saber o que fazer com ele

gotas de ti intercalo a miçangas
escondo as marcas do inverno

não ponho os pés no pedaço onde me perdi

(Maria da Graça)

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na procura por vestigios
a vassoura varre vento e vozes
forja atalhos aproxima e se-distancia
do tempo e no tempo

deixa-se abracar pelas coisas
num trilho brilhante
ruidos do arrastar
sungra silenciosamente tambem tetos e paredes

e sem dizer nada
surpreende a orelha
antes de existir alguma coisa
um ponto, uma palavra
escoamento

(Jackeline Barcellos)

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caminho como se soubesse de todas as encruzilhadas
dos atalhos e acasos
no gesto, escalo o muro à procura da vista
gradeei um cemitério de objetos
museu de cera a preencher o lugar das ausências
que cercaram meu início
monotonia circular do cotidiano
as costas arqueadas
a cada manhã que brota à janela
me fazendo esquecer de onde não vim
não cuspi nos pratos em que comi
ao invés disso, os preenchi de pressas,
de choros rasos e quantos
engoli cada toque
como se fosse o último, como se fosse o mote
tenho, no entanto, um estômago sensível:
não sabe guardar pedras

(Deisi Beier)

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O mundo da linguagem me desfaz

Por entre o mundo mudo da memória

Esquecida ao acaso no asfalto
A agulha se move ágil entre dedos
Sento-me ao sol

Sou mácula que arde
Forte haste rija

Que o tempo vai brunindo

(Paulo Prates)

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Considerações do alfafeto I

deixava para trás aquela escrita
pouca coisa mais que o menos
e o que lhe acrescentasse
as experiências de euzinha
seria lucro na mesmice do seu alfabeto
fez uma réstia de todos os erres
repúdio
raiva
réplicas de si recuperando erros
emendou-se no p da palavra
que daqui pra frente é pauta
piso
possibilidades
de versar em sua estrofe

ainda crua

(Liana Sinara)

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Efeito Kosmopolis

Eu tenho uma puta vontade de comer
Uma puta vontade de comer tudo que eu vejo e escuto
Uma puta vontade de estar em tudo que eu vejo e escuto
Uma puta
Transformar-me em uma puta
Uma puta ideia vencida
Coberta e sorvida
Cortada-etéril-precisa

Uma lima
Amarela na América
Verde na Europa
Inexistente em Abril
Em Hebreu
Contagiosa e azeda
Como duras patas de penas mortas
Como o azul apagado do teu silêncio

A lima puta
Mercadante e periférica
Compaginada em tantos rascunhos
Convencida de tantas derrotas
Imposta
À mostra

(Juliana Ben)

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Conveniência e rumor de impulso

Entre o fim e o vão de uma ideia
esse intervalo
pedaço de omitir-se
polpa e circunspecção

Se eventualmente pudesse desfigurá-lo
de forma nítida
suspenderia o excesso de luz
que me esconde aos extremos

Redefino o traçado
limite oposto
sobre a imagem de um caixilho
recuperado aos escombros do éter

Sem menos escora
sustento fachadas, ruídos

Em evidente descaso
ao cenário
a poeira germina por costume
não o das tradições valiosas               incálidas
mas o do descontínuo sem-cuidado
com que se atrelam
(vagoam-se) um após outro
o mesmo dia

(Denise Freitas)

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o abandono da anatomia
na unha da fala
o codinome do pulso
no fio da meada
a forma avessa
à pele

(João Pedro Wapler)

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Silêncio ao Mar

O meu silêncio é uma nau com todas as velas pandas
Infladas pelo vento duvidoso do (des)conhecimento
Deslizando por mares habitados por estranhas criaturas
Que no silêncio encontram o desencontro de si mesmas
Contorno o cabo-da-boa-esperança e lanço minha rede
Recolho apenas letras soltas que somem com a espuma
Deixando aos pássaros nada a dizer para alimentar sua fome
Fecho as portas do porão abarrotado de expressões vazias
E tranco a cadeado para que não saiam a perturbar as estrelas
Que silenciosamente guiam os poetas na escuridão das palavras
Tanta coisa digo em meu silêncio que não resta dizer mais nada.

(Sirlene Maria Vieira)

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Bicho

responde à chuva
ao vento
ao sol
com o seu jeito de ser.
Vive a resposta desinteressada
indiferente à pegada do destino.
O medo é ornamento do animal mais belo.
Selvagem na outra íris
seu silêncio é camuflagem ao olhar que captura.
Respingo de humanidade
na sua voracidade
de querer viver
seja jacarandá, índio,
trepadeira, gafanhoto,
uma alga ou algo mais.
Fareja sem saber
que o infinito é logo ali…
Aonde tudo começa outra vez sem relógios…
Responde instintivamente
aos presságios e aos sonhos,
responde todas as incógnitas
existindo
E bebe com toda a sua sede de bicho
sem supor que está rezando.

(Márcio Rodrigo Gelain)

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Renga[*]

 

um ponto no áspero cercado
e se as pernas
se a musculatura inescultural
se o fôlego se esses recursos todos
e a seguir sua falência
fossem apenas feixes no asfalto
linhas rígidas do esquadro
traduziriam o limiar

um dia se cansa de tudo
e não há mais nada
nada na camada subterrânea
e na face os olhos
reescrevem a caminhada
que já é flor torta
destemperada
com as pupilas parodiando aromas
e as camadas de pólen dançando
em pleno asfalto
justo ao ponto do empecilho
de qualquer modo entre
a desenvoltura dos rochedos
se ocuparia da pressa
em agitar-se sem nenhum contorno
emaciado sob um sol de março

hipotético anseio  de perpetuar-se
a despeito da inaptidão congênita
da secura entranhada

alonga
a nódoa do girassol sem vértice
na escassez de rotas
amarelas ou alvas

flor de nada dizer
a ser
simplesmente entre os feixes
matéria de cor
matéria cortada de orvalho seco

(por Maria da Graça, Denise Freitas, João Pedro Wapler, Jackeline Barcellos, Deisi Beier, Liana Sinara, Paulo Prates e Juliana Ben)

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[*] O renga é um tipo de diálogo cantado e uma espécie de divertimento literário em que se misturam os elementos lírico, cômico e satírico. Surgiu no início do século XII, apreciado pelos poetas da corte e sociedade aristocrática japonesa de então. O haicai tal como é praticado hoje, é resultante do renga (ou tanka). O renga, portanto, era um poema coletivo, em que um poeta compunha a primeira estrofe (hokku), um terceto com 5-7-5 sílabas (ou sons). Em seguida, outro poeta compunha a segunda estrofe, um dístico de 7-7 sílabas (ou sons). Assim cada poeta que chegava escrevia um dístico de 7-7 sílabas, após um hokku. O renga do grupo da Oficina A precisão do Impreciso não obedece à estrutura rígida da métrica japonesa. Trata-se de um renga não-ortodoxo, de linhagem moderna. Trata-se da tradição renovada no presente.

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15
nov
11

Aconteceu na Palavraria, no sábado, 12/11: lançamento do livro “enquanto água”, de altair martins

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Lançamento do livro  Enquanto água, de Altair Martins. Fotos do evento.


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07
nov
11

Aconteceu na Palavraria, nesta sexta, 04/11: Sarau das oficinas Ronald Augusto

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04, sexta, Sarau poético A precisão do impreciso – Oficinas Ronald Augusto, com a participação de Denise Freitas, Deisi Beier, Liana Marques, João Pedro Wapler, Maria da Graça, Paulo Prates, Jackeline Barcellos, Juliana Ben e convidados. Fotos do evento.

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27
dez
09

Aconteceu na palavraria: sarau das oficinas Ronald Augusto

Dia 9 de dezembro o pessoal das Oficinas de Poesia Ronald Augusto apresentou ao público o sarau Sem outro sentido que não a beleza, leitura de poemas produzidos. Canções de Ronald ao violão deram o tom musical do encontro. Participaram erika almeida, paulo prates, loiva serafini, jaime medeiros jr, deisi beier e liana sinara marques.

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