Posts Tagged ‘Pena Cabreira

15
abr
12

Cartas à Palavraria, por Reginaldo Pujol Filho: I work for café, pão de queijo e cerveja

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I work for café, pão de queijo e cerveja, por Reginaldo Pujol Filho

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Carla,

Andei por Paris. E voltei de lá com uma ideia. E pra te explicar, vamos dar uma voltinha pela Palavraria? Assim, quando a gente entra na livraria, além de dar oi pro Carlos, pode caminhar reto uns 10 passos e aí chega na escada. Daí a gente pega e sobe a escada, esses degraus que tantas vezes fiz de arquibancada, tantas vezes subi pras aulas do Kiefer, bom, tá. Degraus subidos, no segundo andar, 3 opções: a sala grande, onde são/eram as aulas do Charles; a salinha do computador de onde de vez em quando vocês ouviam as leituras das aulas (pensa que eu não sei?); e, mais no fundo desse mini-corredor, aquela outra sala, menos utilizada, mas que tem até um banheiro. É isso, né? Pois era aí que eu queria chegar. Nessa sala. É que pensei assim: quando eu e a Jajá voltarmos pra Porto Alegre, onde é que a gente vai dormir? Daí tive a ideia: Carla, e se a gente fizesse um quarto com banheiro ali? Pronto, posso passar um tempo na Palavraria, por que não?  Tem pão de queijo, café, cerveja e os livros. Feito o carreto. Durante o dia, até dá-se uma força na livraria; quando não tiver movimento, posso escrever, ler um pouco. Não parece uma boa ideia?

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Em Paris é. A Shakespeare and Company que eu (e mais um bilhão de pessoas) fui visitar, além dos personagens míticos que faziam de lá ponto de encontro, tem essa história de até hoje albergar uns escritores. Dá espaço e livro pra eles escreverem, eles trabalham um tempo na livraria e a loja continua sendo uma das tantas atrações turísticas da cidade luz. Talvez hoje ela viva mais até de ser ponto turístico do que de ser livraria, difícil saber. Mas, apesar de ter que pedir licença pras pessoas (tirando fotos, mais do que lendo) pra andar lá dentro, não tem como negar que, mesmo com o verniz do turismo, por baixo dele ainda tem aura. Falo isso, porque dá pra pensar se é possível ainda hoje uma livraria construir essa fortaleza moral, ter tanto significado quanto os livros lá dentro, atrair gente do mundo inteiro pra conhecer o espaço ou pra fazer dela casa, escritório e inspiração. Pois torço pra que sim, sabe? A Shakespeare and Company é daquelas coisas que faz lembrar da importância da livraria como templo de escritores e leitores e de todo mundo que se relaciona com o livro e a literatura. É necessário que isso exista e que surja mais – embora o movimento nos dias de hoje seja justamente o contrário. Mais do que lugares pra encontrar livros, que as livrarias sejam o mundo, a pista de pouso, do mundo dos livros. É importante ter esse lugar pra encontrar o lançamento, o autor preferido, mas também os amigos, os conhecidos e os desconhecidos.  Digamos assim: eu não vou marcar um encontro com o Pena e o Rosp na Amazon. Não tem como. É preciso esses endereços onde a gente possa jogar um pouco de utopia fora. Afinal, mesmo os ideias e as manifestações e os movimentos nascidos na internet nos últimos tempos, no final das contas, precisam de gente tudo junto reunida pra acontecer de fato. E a livraria (digo livraria, não supermercado de livros) é essa praça, essa frente de palácio de governo, onde podem – e devem se reunir – todos esses que acreditam nessa utopia que é a literatura.

E claro que eu não sou o Hemingway nem o Sartre, mas também, vamos combinar, o nosso Monumento ao Expedicionário não é o Arco do Triufo e o Parcão não é bem o Jardim de Luxemburgo. Portanto, Carla, se quiser ajudar a montar esse quartinho aí, quem sabe? Eu trabalho por pão de queijo, café e cerveja.

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Reginaldo Pujol Filho, escritor portoalegrense, é um dos primeiros autores da Não Editora. Tem dois livros de contos publicados, Azar do Personagem e Quero ser Reginaldo Pujol Filho e é o organizador da antologia Desacordo ortográfico. Publicou contos em antologias como 101 Que Contam e Histórias de Quinta (organizadas por Charles Kiefer), 24 Letras Por Segundo (org. Rodrigo Rosp), no Janelas (projeto de cartazes literários dele com o amigo e poeta Everton Behenck) e no youtube. Mantem o blog Por causa dos elefantes.

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14
dez
11

Cartas à Palavraria, por Reginaldo Pujol Filho

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Carta pra Carla: tá tudo bem aqui, por Reginaldo Pujol Filho

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A última vez que eu fui na Palavraria, depois de uns abraços na turma, etecétera e tal, aconteceu assim: a Carla me olhou tentando sorrir e perguntou E aí, e as livrarias lá? Na hora não me caiu a ficha, mas agora, sempre que lembro da Carla perguntando e aí, e as livrarias lá, tenho a impressão de ver uma mãe perguntando pro filho que saiu de casa, tentando demonstrar interesse e felicidade pro filho que saiu de casa, alguma coisa como E aí, tá te alimentando direito? Ou, se o filho saiu de casa pra morar com aquela outra que ele insiste em chamar de esposa, a mãe perguntaria E aí, quem tá lavando tuas roupas? Isso aí do lado do bolso da camisa é uma mancha que não saiu? Aquele jeito de mãe de dizer que tá com saudade, que tá preocupada e que não entende porque que tu foi buscar tão longe, entre estranhos, tudo o que tu já tinha em casa, no teu quarto, entre as figurinhas do campeonato brasileiro e os cartuchos de Atari que ela ainda guarda pra ti.

Pois bem, dona Carla, resolvi te contar se tão me alimentando direito, se a minha roupa tá bem passada e por que livrarias tenho andado e vou andar aqui em Lisboa nesse ano longe de casa.  Espécie de cartinhas pra mãe (e quem sabe dicas pra quem vier a Lisboa e tiver uma síndrome de abstinência de livrarias).

A primeira livraria com que eu simpatizei por aqui se chama Pó dos Livros.

 Vai saber se é uma coisa edipiana de buscar uma projeção da Palavraria por aqui, mas é uma loja de bairro, tem muita coisa de editoras pequenas e independentes, realiza eventos e lançamentos (ainda não fui, mas tem) e, principalmente, tem um bar (ou café pra quem quiser assim). É claro que não tem assim, de repente, uma turma do Charles Kiefer descendo a escada e, de uma hora pra outra, lotando a livraria onde só tu estava até então. Nem o Pena chegando e perguntando se tem cerveja nesse buteco, ou o Rosp correndo com uma caixa de livros e, defeito gravíssimo, os donos não sabem que eu não preciso de copo quando peço uma long neck.

Tudo bem, acho que aos poucos vou me convencendo que vai ser preciso que eu frequente durante quase dez anos uma livraria, que os donos tenham a impressão de que me pegaram no colo, pra que eu encontre tudo isso em alguma outra.

Mas, vá lá, vou ter que achar a minha livraria por aqui.

E a Pó dos Livros pode ser. Porque além do bar, da simpatia do ambiente, tem o fundamental: um bom acervo de livros (com direito a um mini sebinho – ou alfarrabista, como eles dizem – na entrada), e gente que gosta de livros. Muitas vezes nem consultam o sistema pra pegar o livro que tu pediu. E, quando não sabem que título é esse que tu tá pedindo, em vez de dar uma meia dúzia de digitadas e te responder com uma voz de phone bank que dá pra encomendar, te perguntam Mas que livro é esse, pesquisam mais sobre ele, querem saber que diacho de livro é esse que eles, livreiros, não conhecem e, claro, depois encomendam. Porque, afinal de contas, é um pouco isso que faz a gente ir numa livraria, não é? É mais do que encontrar um livro, é estar em contato com o mundo desse e de todos os livros. E pra esse mundo ser completo, é preciso que quem está ali do outro lado do balcão não seja alguém que venda tão bem Camus quanto venderia rebimboca da parafuseta recondicionada pro teu Voyage. É saber que pode receber uma recomendação e uma dica bem mais preciosa do que Quem comprou este livro também comprou esse. É esse um dos motivos pelos quais eu procuro e gosto de ir em livraria. Claro, também pra encontrar uma dona que tenha a mania de fazer cócegas na gente. Mas isso eu acho que os portugueses são um pouco sérios demais pra fazer.

O que eu comprei na Pó dos Livros: Crítica e Clínica (Gilles Deleuze), Perder Teorias (Enrique Vila Matas) e Tree of Codes (Johnatan Safran Foer – encomendado, ainda não chegou)

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Reginaldo Pujol Filho, escritor portoalegrense, é um dos primeiros autores da Não Editora. Tem dois livros de contos publicados, Azar do Personagem e Quero ser Reginaldo Pujol Filho e é o organizador da antologia Desacordo ortográfico. Publicou contos em antologias como 101 Que Contam e Histórias de Quinta (organizadas por Charles Kiefer), 24 Letras Por Segundo (org. Rodrigo Rosp), no Janelas (projeto de cartazes literários dele com o amigo e poeta Everton Behenck) e no youtube. Mantem o blog Por causa dos elefantes.

26
abr
10

Aconteceu na Palavraria: a festipoa da sexta-feira

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Sexta-feira, 23, a FestiPoa continuou na Palavraria com Marco Sena, Samir Machado e Clô Barcelos conversando sobre capas de livros. Depois Felipe Azevedo fez a hora musical e Jorge Furtado, Juarez Fonseca e Pena Cabreira encerraram com um bate-papo sobre letras de canções na música popular brasileira. Mais um dia legal para a FestiPoa.

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