Posts Tagged ‘psicologia

23
out
16

Vai rolar na Palavraria, nesta sexta, 28, Lançamento do livro O cheiro do desejo em cena.

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ESTA SEMANA NA PALAVRARIA b

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28, sexta, 18h: Lançamento do livro O cheiro do desejo em cena – bate-papo com os autores e sessão de autógrafos.

10-28-o-cheiro-do-desejoO livro aborda o entendimento de três filmes: Perfume – a história de um assassino, O cheiro do ralo e Perfume de mulher, a partir da metapsicologia freudiana.

Autores:

 

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Palavraria - livros a.

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31
out
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A crônica de Guto Piccinini: Sobre a morte (1)

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Sobre a morte I, por Guto Piccinini

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A morte é sempre uma experiência traumática. Configura um acontecimento de proporções que extrapolam as palavras e ao possível de ser simbolizado. Não podemos tomar a morte apenas como um corpo que tomba, uma vez que este corpo é permeado por uma sequência de discursos, uma linha que costura nossa existência (e como a vamos concebendo) e a todos a sua volta. Enlace “místico”, recheado de desejo e suposições. A morte, pois, reconfigura de modo trágico esta linha simbólica em que nos enlaçamos, e cujas consequências apenas compreendemos um tempo após o acontecimento em si. Denominamos “luto” esta passagem, este movimento de ir e vir compondo novas redes simbólicas sobre esta existência, ou talvez possamos denominar esta nova fase como uma “não-existência”. Existência ausente, como uma fantasia bem elaborada e que compõe novos sentidos, novas histórias. Ao passo que algo sempre permanece, algo sempre nos escapa.

Falar sobre a morte requer também que deslizemos do privado ao público, oscilando entre estes campos encontros possíveis. No primeiro caso, uma vida que esvai carrega consigo um mundo, uma história. São olhares que se perdem no tempo. Como colocamos acima, não há palavra que signifique o que é perder alguém querido, alguém que nos faça sentido. Literalmente perde-se algum sentido (simbólico e afetivo). Já no segundo caso, a relação se distingue exponencialmente: enquanto o acontecimento em si enlaça um corpo a seu destino traçado e incontornável, a ordem discursiva carrega como um furacão os sentidos sentidos. Argumenta-se que a ossada de um rei de nada se distingue de seu súdito mais miserável. Em vida, no entanto, há vidas mais matáveis do que outras. Isto, ao menos, é aquilo que legitimamos.

Sem dúvida, existem muitos modos de se encarar a morte. Um, que me guarda grande estima, carrega consigo uma desvinculação entre a noção de “vida” com um traço “biológico”. Um corpo, por esta via, será apenas um dos modos pelo qual a existência marca sua passagem. A vida enquanto corpo tem como um único direcionamento o existir, “independente da qualidade desta existência”. Não seria esta uma possibilidade de considerarmos a morte uma potência de vida? Não seria esta uma forma de nos debatermos com a vida sem potência? Michel Foucault é um autor marcado por seus estudos sobre o “poder”. Ao contrário da concepção mais corrente, do poder enquanto uma substância que as pessoas detém, marca o poder enquanto uma relação. É no entre-meio que as relações de poder se efetuam. Sai do “poder-forma”, e afirma um “poder-força”. No transcorrer de seus estudos, demarca a passagem de um poder da Soberania, no qual um rei detém o poder sobre a morte de seus súditos, para um poder Disciplinar, onde a relação de poder exerce sobre as vidas. Deste modo, o poder não mais se exerce marcado pelo “deixe viver, faz-se morrer”, articulando um “deixe morrer, faz-se viver”. Imprecisão esquemática, mas operativa quanto as formas: a vida passa a ser um ato político, enquanto a morte, um ato de resistência.

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Guto Piccinini, psicólogo, mestre em psicologia social e frequentador da Palavraria. Atualmente experimentando palavras.

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19
ago
12

Livros de Shermer já estão na Palavraria

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O escritor Michael Shermer, psicólogo e historiador da ciência norte-americano, estará em Porto Alegre para conferência no Fronteiras do Pensamento no próximo dia 27 de agosto. Três de suas obras mais recentes em português (veja as sinopses abaixo) já estão à venda na Palavraria.

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Ensine ciência a seu filho

Foi para os pais – cientistas ou não – que desejam manter viva a curiosidade dos filhos, que Michael Shermer escreveu Ensine ciência a seu filho.  A obra inclui uma introdução a assuntos de física, astronomia, química, biologia etc. Com termos simples, claros e corretos, explica conceitos básicos de tal forma que os pais podem facilmente entender e compartilhar com os pequenos – e nunca mais eles vão precisar responder “porque é assim”.

A obra é muito mais que um livro de conceitos científicos: ela ajuda a entender como se faz ciência e a usar o método científico no dia a dia. Com diversos exemplos e sugestões práticas, Shermer mostra maneiras de incentivar as crianças a buscar as respostas a tantas questões, iniciando-as no caminho do pensamento racional.

A abordagem, diz Shermer, deve ser de honestidade e de desafio constantes. Há dicas, por exemplo, de como lidar com dúvidas para as quais você não sabe a resposta e, mais importante, o que fazer quando você e seu filho não conseguem encontrar a resposta. O indicado em momentos como esses é dizer que a ciência se constrói exatamente de perguntas não respondidas (essas são sem dúvida boas perguntas) e que, quem sabe, um dia seu filho se torne um cientista para estudar aquele tema de forma mais profunda – e então finalmente achar uma resposta.

Para completar, o livro traz uma série de experiências que podem ser feitas em casa, com materiais comuns, uma forma divertida e educativa de se passar um tempo em família.

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Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas

Poucos podem falar com mais autoridade pessoal das crenças humanas do que Michael Shermer. Ele conta que se tornou cético depois de uma odisseia de dez anos pelo mundo da saúde alternativa e das terapias para melhorar a aptidão física. Em seu livro, Shermer aborda sob uma ótica estritamente científica temas como a negação do Holocausto, o criacionismo, as experiências de quase morte e a paranormalidade. Segundo ele, nada supera o método científico, que envolve a obtenção de dados para formular e testar as explicações dos fenômenos naturais, desenvolvido inicialmente nos séculos XVI e XVII.

Para Shermer, as pessoas acreditam em coisas estranhas porque faz parte da natureza humana procurar padrões, conexões de eventos, mesmo onde na verdade não existe nada. Seu livro serve como uma bússola ajudando a navegar pelo “frequentemente confuso desfile de afirmações e crenças que nos são apresentadas como histórias e padrões que fazem sentido”. Mas, acima de tudo, o autor demonstra que o cético não é um cínico nem um niilista. “O ceticismo é uma abordagem provisória das afirmações, é a aplicação da razão a todas as ideias”, diz. “O ceticismo é um método, não uma posição. Os céticos não entram numa investigação fechados à possibilidade de que o fenômeno seja real ou a afirmação seja verdadeira. Quando dizemos que somos céticos, queremos dizer que precisamos ver evidências concretas antes de acreditar.”

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Cérebro e crença

Sintetizando trinta anos de pesquisas, o psicólogo e historiador da ciência Michael Shermer subverte o pensamento tradicional sobre como os humanos formam suas crenças referentes ao mundo. Em palavras simples, as crenças surgem primeiro e seus motivos vêm depois. O cérebro, afirma Shermer, é o motor da crença. Usando dados sensoriais que fluem a partir dos sentidos, o cérebro procura e encontra padrões, para depois infundir-lhes significado na forma de crenças. Concebidas as crenças, nosso cérebro subconscientemente busca evidências que as confirmem, acelerando o processo de reforço – e esse continua num feedback positivo. Em Cérebro e crença, Shermer oferece exemplos reais de como o processo ocorre, indo da política, economia e religião para teorias conspiratórias, crenças sobrenaturais e paranormais. Demonstra por que a ciência é o melhor instrumento já concebido para determinar se nossas crenças correspondem ou não à realidade.

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Michael Shermer Professor e escritor norte-americano, é mestre em Psicologia experimental e Ph.D. em História da Ciência. Articulista semanal da Scientific American, é também fundador da Sociedade dos Céticos, instituição que publica a revista Skeptic e que investiga questões que se apresentam como paranormais ou supernaturais e que promove conferências com os principais nomes da ciência atual. De um cristão fervoroso na juventude até a mudança da faculdade de Teologia para Psicologia e Biologia, a diversificada história de vida de Shermer foi decisiva para que ele abordasse os mesmos questionamentos sob outros ângulos. Atualmente, divulga suas ideias pelo mundo através de palestras e escreve livros que rapidamente se tornam best-sellers.

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08
ago
12

A crônica de Guto Piccinini: Freud explica

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Freud explica, por Guto Piccinini

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Em minhas andanças pelo mundo pós formação em psicologia, não raro escuto a expressão chistosa “Freud explica”, mito em torno deste fenômeno judeu/austríaco/sexual chamado Sigmund Freud. Com o charuto em punho, o nariz nervoso e a genialidade de poucos, direciona especial atenção às relações produzidas na sociedade vitoriana, no caso das mulheres, sintoma de paralisias enigmáticas e gritos histéricos em suas fantasias incestuosas. Já no caso dos homens, do alto de sua soberba, o acúmulo de bens e as dificuldades de sustentação diante de um quadro levemente inclinado para a esquerda. Ousou-se a escuta (e já sabemos o quanto isso não será pouco). “Freud explica”. Chamam-me a atenção os sentidos deste dito. Como se pudesse existir algo a ser explicado! Pelo menos seria esta a esperança, não?

De Viena ao Brasil, tudo indica não haver nenhuma relação de necessidade entre os efeitos da produção teórica freudiana e as variadas áreas de conhecimento dentro, ou fora, da psicologia: haverá sempre algo por detrás e obscuro que poderá ser “descoberto”. Um desconhecido estranho. Um outro que nos habita. No caso de nós, profissionais da psicologia, sempre ganharemos um livrinho maroto sobre os feitos do velho lobo do mar, ou quem sabe uma biografia sobre a influência de sua carreira no estudo do inconsciente. O diploma não-pendurado na parede de meus aposentos confirma esta ironia: a psicologia é quase um sinônimo de Freud, e como ele explica, deve ter algo que eu explico também! Quem será este outro que me habita afinal de contas?!

Retomemos 1900. Freud publica o texto “A Interpretação dos Sonhos”, texto que futuramente seria considerado o texto inaugural da psicanálise. Em nosso olhar atual, presencia-se o advento de um outro modo de se entender o sujeito, fazendo frente ao cogito cartesiano, na medida em que a razão já não será o centro da subjetividade humana. “Penso, logo existo”, dará uma pequena porção ao “Sou onde não penso”, e a assunção do sujeito do inconsciente. Seremos um além desconhecido e com efeitos cotidianos, vide os casos de histeria estudados pelo autor, cuja sintomatologia biológica não encontra respaldo somente no corpo paralisado. Estranho e tão próximo. Nada mais justo a presença e a transcorrência de uma defesa chistosa que aponta para este desconhecido em nós. “Quem mexeu no meu queijo?!!”, indaga o defensor lógico do ordenamento ordenado e da razão precisa. Para todo o restante, Freud explica.

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Guto Piccinini, psicólogo, mestre em psicologia social e frequentador da Palavraria. Atualmente experimentando palavras.

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