Posts Tagged ‘Rayuela 50 anos de publicação

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ago
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Vai rolar na Palavraria, nesta terça, 27: Rayuela, 50 anos de publicação, na programação da Festipoa revisitada 2013

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program sem.

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27, terça, 19h30: Rayuela, 50 anos de publicação: Bate-papo sobre o romance com Ernani Ssó, Karina Lucena e Liliam Ramos. Mediação: Luis Gonzaga Lopes. Na programação da Festipoa revisitada 2013

amarelinha

O JOGO DA AMARELINHA é um labirinto literário no qual Cortázar discute os questionamentos do homem diante de seu destino, conflitos, dúvidas e paixões. Dividido em três partes, pode ser lido de diversas formas. Cada leitor cria o seu próprio livro e ritmo.
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Julio Cortázar nasceu em Bruxelas, em 1914, mas foi educado na Argentina — país de origem de seus pais. Estudou Letras, trabalhou durante algum tempo como professor em áreas rurais até que em 1951 fixou residência definitiva em Paris, onde desenvolveu brilhante carreira literária, iniciada com a publicação de Los reyes. Entre suas principais obras destacam-se Bestiário, Octaedro e 62 Modelo para armar. Julio Cortázar morreu em Paris, em 1984.

ernani ssóErnani Ssó nasceu em Bom Jesus, RS, num ano de neve. Em 1974 entrou para o jornalismo, porque queria ser escritor. Saiu em 75, pelo mesmo motivo. Tem livros para adultos, mas prefere os infantis, porque são mais difíceis de escrever. Chama-se Ernani por causa de um galã de radionovela e Ssó, esse erro de revisão, de maluco, ou para não se sentir muito sozinho, como disse Mário Quintana. Escreve uma coluna semanal de humor, ou coisa parecida, na revista eletrônica http://www.coletiva.net

Karina LucenaKarina de Castilhos Lucena nasceu em Caxias do Sul/RS, em 1984. É doutoranda em Letras pela UFRGS, onde estuda as Literaturas de Língua Espanhola. Sua dissertação de Mestrado foi sobre Gabriel García Márquez e a tese de Doutorado sobre Juan Carlos Onetti. Faz parte do grupo de pesquisa “Para uma história materialista da literatura e da cultura brasileiras” que está pensando novas formas de organizar a literatura nacional, inclusive em seus pontos de contato com a produção da América Hispânica. É professora do Instituto Federal do Rio Grande do Sul. Junto com Lilian Ramos, conduz os debates do Evento de comemoração dos 50 anos da publicação de O Jogo da Amarelinha – Rayuela – de Julio Cortázar. do setor de espanhol do Instituto de Letras/UFRGS.

liliam ramosLilian Ramos é doutoranda em Letras – Literaturas Estrangeiras Modernas – Língua Espanhola, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Com Karina Lucena conduz os debates do Evento de comemoração dos 50 anos da publicação de O Jogo da Amarelinha – Rayuela – de Julio Cortázar. do setor de espanhol do Instituto de Letras/UFRGS.

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luis gonzaga lopesLuiz Gonzaga Lopes é repórter de cultura do jornal Correio do Povo.

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13
mar
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Jogo da amarelinha, capítulo 7, com julio cortázar

Toques da Palavraria [07]


Capítulo 7, do Jogo da amarelinha (Rayuela), na voz de Júlio Cortázar. A música de fundo é Vuelvo al sur, de Astor Piazzola e Fernando Solanas, executada pelo Gotan Project.

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Toco tu boca, con un dedo toco el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar, hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida entre todas, con soberana libertad elegida por mí para dibujarla con mi mano en tu cara, y que por un azar que no busco comprender coincide exactamente con tu boca que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.

Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y nuestros ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mi como una luna en el agua.

7

Júlio Cortazar

Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno da tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo de minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer e tudo recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha.

Tu me olhas, de perto tu me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, aproximam-se, sobrepõem-se e os cíclopes se olham, respirando indistintas, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. E, se nos mordemos, a dor é doce; e, se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu te sinto tremular contra mim, como uma lua na água.”

Tradução de Fernando Castro Ferro. O jogo da amarelinha, Julio Cortázar, Civilização Brasileira, 2009. Pág. 7.

Vuelvo al sur
Fernando Solanas e Astor Piazzola

Vuelvo al Sur,
como se vuelve siempre al amor,
vuelvo a vos,
con mi deseo, con mi temor.
Llevo el Sur,
como un destino del corazón,
soy del Sur,
como los aires del bandoneon.
Sueño el Sur,
inmensa luna, cielo al reves,
busco el Sur,
el tiempo abierto, y su despues.
Quiero al Sur,
su buena gente, su dignidad,
siento el Sur,
como tu cuerpo en la intimidad.
Te quiero Sur,
Sur, te quiero.
Vuelvo al Sur,
como se vuelve siempre al amor,
vuelvo a vos,
con mi deseo, con mi temor.
Quiero al Sur,
su buena gente, su dignidad,
siento el Sur,
como tu cuerpo en la intimidad.
Vuelvo al Sur,
llevo el Sur,
te quiero Sur,
te quiero Sur…

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