Arquivo para maio \31\UTC 2011

31
maio
11

Aconteceu na Palavraria: lançamento do livro Conversando com teu silêncio, de Maria Panerai

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Aconteceu agora há pouco, na Palavraria, o lançamento do livro Conversando com teu silêncio, de Maria Panerai. Fotos do evento.

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31
maio
11

Aconteceu na Palavraria: lançamento do livro Impresso no Brasil – Dois séculos de livros brasileiros

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Aconteceu agora há pouco, na Palavraria, o lançamento do livro Impresso no Brasil – Dois séculos de livros brasileiros.  Apresentação dos textos e sessão de autógrafos com Aníbal Bragança, Antonio Hohfeldt, Elisabeth Torresini, Marília Barcellos. Mediação de Christa Berger. Fotos do evento.

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30
maio
11

Ficar de pé ou desmoronar-se: a experiência de leitura de Altair Martins

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Ficar de pé ou desmoronar-se, por Altair Martins

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Le Corbusier, em Por uma arquitetura, disse algo que é um tratado: que a arquitetura se confunde com a história de qualquer empreendimento humano, quando o homem ou é capaz de ficar de pé ou desmorona. Acho que isso vale para a leitura. E acho também que esse foi o meu caso.

Bem, começo explicando que vivi em uma casa onde não havia livros; meu irmão mais velho, Alex, num certo aniversário seu, ganhou da Professora Helnay um livro com um jacaré na capa. A professora o leu para as crianças que estavam na festa. Lembro a história – o jacaré que tinha um violão -, mas não lembro minha idade. Sei que, a partir de então, os livros se tornaram coisas nobres para mim, algo como objetos de se ficar apertando com as mãos. Porque eu lia com as mãos. E o que eu podia perceber com os livros, mesmo sem ainda saber de fato ler, era um outro modo de caminhar.

Comecei a ler oficialmente a partir das aulas regulares, sempre em escola e biblioteca pública: devorei toda a série vaga-lume (havia um número não muito extenso de títulos, e eu preferia os de aventura, como a Ilha Perdida, da Maria José Dupré, ou Os barcos de papel, acho que de José Maviael Monteiro; Menino de Asas, de Homero Homem – esse me fez sofrer muito. Depois, veio a descoberta da poesia, primeiro da ternura ora amarga ora lírica do Quintana; depois, o jeito do-contra de Drummond.

Por essa época entra o teatro com o impulso muito importante que isso me trouxe: o de aprender a ler pro outro. Digo isso porque muito leitor sofisticado não sabe ler. É só pedir uma leitura em voz alta pra ver como se engolem as vírgulas. Poesia, então, parece bula de remédio nuns bocas-tortas por aí. O teatro me ensinou a respirar lendo. (Recordo inclusive que foi como melhor ator de um festival de teatro que ganhei Guerra dentro da gente, de Paulo Leminski – maravilhoso).

A universidade. Bem, estudar francês e espanhol me levou a ler a tal literatura estrangeira. Admito que L’étranger, de Camus – primeiro livro em francês – mudou as solas dos meus pés. García Márquez me levou a um outro patamar de mundo, como se me desse pernas-de-pau.

Tudo isso, contudo, nada vale, nada diz em termos de sociedade. Quem é Camus ou quem é Machado para alguém que cruze uma avenida qualquer deste Brasil? O brasileiro lê muito pouco – não precisamos ir longe: o Brasil lê muito menos que o Uruguai e a Argentina. E o pior: o brasileiro lê pouco e muito mal. É presunçoso, já que aquilo que não entende não presta. Mas estimular a leitura na escola, por enquanto, é tarefa também de resistência, quando os pais não lêem nem dão condições à leitura. Eu ficaria contente se, ao menos, houvesse resguardo a uma criança que está lendo. Começa na educação familiar: uma criança está lendo, ora, esse é um momento religioso. Ela está em contato com o mundo e com deus? Não, senhores pais, ela está enfim em contato com ela mesma. Ela está exercitando uma parte mágica que mexe com emoção, com raciocínio, com criatividade. Seus valores estão em movimento. Sua cabeça está aprendendo a pensar pela via da linguagem, e assim ela está sendo batizada para interpretar o mundo. Porque interpretar as coisas da vida não é apenas ver e analisar e rir. É saber ver, interiorizar, moer e remoer, e, a partir de um mecanismo muito genuíno de cada um, interpretar. Interpretar: a primeira partícula dessa palavra diz muito, diz que é um caminho para dentro. Pelo amor de tudo quanto é santo, uma criança com o livro é uma criança abrindo um brinquedo para ver como é por dentro. O brinquedo, nesse caso, é ela mesma.

Com os livros aprendi muito sobre mim mesmo. Como Cecília, aprendi a me desmoronar e reedificar. Devo uma parcela considerável do que sou ao que li. Meus pés são feitos de compartilhações entre aquilo que a literatura me oportunizou e o que aproveitei de cada palavra. Como minhas condições eram difíceis desde a infância, parodiando Le Corbusier, ou os livros se me faziam pés ou eu me desmoronava. A leitura é sempre uma oportunidade. A leitura foi a minha oportunidade. Sem ler, creio que me acostumaria a olhar pro chão ignorante ao fato de que ele não me prende. Sem livros, um país pode crescer, mas não fica de pé.

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Altair Martins nasceu em Porto Alegre, em 1975. É bacharel em Letras e mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS. Leciona em escolas de Porto Alegre e é responsável pela cadeira de Conto no Curso de formação de escritores das Unisinos, em São Leopoldo. Como escritor, estreou com a antologia de contos Como se moesse ferro (1999), seguida de Se choverem pássaros. A parede no escuro, seu primeiro romance, foi vencedor do segundo Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria Primeiro Romance, em 2009. Com seus livros anteriores, Altair Martins também foi vencedor do Prêmio Guimarães Rosa da Radio France Internationale, em 1999, do Prêmio Luiz Vilela e do Concurso Nacional de Contos Josué Guimarães, em 2001 e do Prêmio Açorianos na categoria Contos.

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29
maio
11

Programação de 30 de maio a 4 de junho

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30, segunda, 19h: Lançamento do livro Impresso no Brasil, organizado por  Aníbal Bragança e Márcia Abreu (Editora UNESP). Apresentação dos textos e sessão de autógrafos com Aníbal Bragança, Antônio Hohfeldt, Elisabete Torresini e Marília Barcellos. Mediação de Christa Berger.

Impresso no Brasil – Dois séculos de livros brasileiros reúne diversos ensaios sobre o percurso da produção editorial brasileira, durante seus duzentos anos de história. A primeira parte da obra, intitulada “Uma nova história editorial brasileira: editores, tipógrafos e livreiros” apresenta 22 capítulos, que focalizam os aspectos da produção editorial nacional. Na segunda parte, “Cultura letrada no Brasil: autores, leitores e leituras”, 13 trabalhos analisam e interpretam a formação do leitor e do público para qual se dirigiram nossas produções editoriais, ao longo das décadas.

A obra constrói um panorama, entre outros assuntos, da produção de livros escolares e de alfabetização, literatura de cordel, da produção em jornais e periódicos, e analisa a história de editoras como Garnier, Melhoramentos, Civilização Brasileira, Companhia das Letras, Abril. O direito de autor e casos como Harry Potter e Paulo Coelho recebem análises especiais, na composição de um panorama sobre mercado e consumo recentes.

Impresso no Brasil constrói um retrato multifacetado, que expõe as peculiaridades da origem, os desafios do transcurso e o panorama que se descortina para esse elemento essencial da vida cultural do país: o livro. O lançamento conta, ainda, com introdução escrita pelo bibliófilo José Mindlin, cujo texto, produzido em 2007,  fala sobre o centenário da Impressão Régia.

Ficha Técnica:

Título: Impresso no Brasil – Dois Séculos de Livros Brasileiros
Organizadores: Aníbal Bragança e Márcia Abreu
Páginas: 663
Preço: RS 59,00
Assunto: História do Livro e da Leitura, História Cultural Brasileira, Mercado Editorial
Referência
Edição: 1

31, terça, 19h: Lançamento do livro Conversando com teu silêncio, ficção autobiográfica de Maria Panerai.

Maria Monteiro Panerai  nasceu em Santa Maria (RS). Escreveu aproximadamente 40 textos para rádio, entre peças e novelas, tendo publicados livros de contos, poemas e memórias.

04, sábado, 17h: Lançamento do livro A Autogestão na Perspectiva da Análise do Discurso, de Darlene Webler

Na obra, a autora investiga as práticas discursivas de trabalhadores inseridos em empreendimentos autogestionários, especialmente, em organizações associativas implementadas a partir da massa falida empresarial, desdobrando reflexões e análises sobre o funcionamento desses discursos.

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28
maio
11

A crônica de Mariana Ianelli: Nossa cruz interdita

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Nossa cruz interdita, por Mariana Ianelli

A suástica que hoje tem seus adeptos não é a mesma que Rudyard Kipling estampava na capa dos seus livros no começo do século 20. Já não representa um amuleto da sorte, representa a corrupção da inteligência que se incorporou a este símbolo desde a sua transformação num slogan nazista.

Estamos mais próximos de uma suástica tatuada no peito de um delinquente do que de uma suástica inscrita na cerâmica de um vaso antigo. O que por milênios foi um emblema de felicidade e harmonia em um século tornou-se uma insígnia do horror e do extermínio. Se nos coubesse dar um lugar para este símbolo, dificilmente pensaríamos numa catedral ou num templo budista. Mosaicos, esculturas, altares, portões de uma cidade e páginas de um livro santo já exibiram essa cruz como um signo de bom augúrio, proteção espiritual, equilíbrio. Hoje a suástica é a nossa cruz interdita. Não ousamos mais exibi-la, sob o risco de denúncia, de repúdio, de censura por falta de bom senso.

Como reabilitar uma cruz? É a pergunta que fica. Como desinfetá-la de uma representação hedionda, como pregá-la de novo no alto de uma fachada sem que isto seja a apologia de um crime, um insulto à memória de um povo, a extravagância infeliz de um polemista, como lembrar da pré-história de um símbolo e associá-lo antes a um santuário que a um campo de extermínio, como fazemos para girar essa cruz e, condizendo com o seu sentido, progredir.

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Ilustração de Alfredo Aquino

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Publicado em Vida Breve

 

Mariana Ianelli nasceu em 1979 na cidade de São Paulo. Poeta, mestre em Literatura e Crítica Literária, é autora dos livros Trajetória de antes (1999), Duas Chagas (2001), Passagens (2003), Fazer Silêncio (2005), Almádena (2007) e Treva Alvorada (2010), todos pela editora Iluminuras. Como resenhista, colabora atualmente  para os Jornais O Globo – Prosa&Verso (RJ) e Rascunho(PR). Saiba mais sobre a autora em seu blog http://www2.uol.com.br/marianaianelli/

Mariana Ianelli publica aos sábados no blog da Palavraria.

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27
maio
11

Aconteceu na Palavraria: lançamento do livro A vida no Orkut

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Nesta sexta, aconteceu na Palavraria o lançamento do livro A vida no orkut,  organizado por  Edvaldo Couto e Telma Brito Rocha. Fotos do evento.

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26
maio
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Vai rolar na Palavraria, nesta sexta, 27: Lançamento do livro A vida no orkut

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27, sexta, 19h: Lançamento do livro A vida no orkut,  organizado por Edvaldo Couto e Telma Brito Rocha

O Orkut hoje representa uma das principais referências de sites quando as pessoas estão conectadas, sobretudo os mais jovens. Não por acaso chama a atenção de pais, professores e pesquisadores. Vários trabalhos acadêmicos foram produzidos nos últimos anos e muitos outros estão em andamento para analisar as relações de fascínio, mas também as possibilidades de aprendizagens, entretenimento e comunicações que o Orkut oferece.

Diante da especial popularização do Orkut no Brasil e do crescente interesse de pesquisadores em investigar os processos  de comunicação, as práticas discursivas, os relacionamentos e as aprendizagens nas redes sociais, o livro reúne ensaios que resultam de pesquisas de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado, realizadas por professores em diferentes momentos em suas carreiras e em diversas universidades brasileiras. As abordagens são múltiplas, assim como as pluralidades e as possibilidades de interações no Orkut. Cada um a seu modo, os ensaios apresentam e discutem a complexidade e a variedade de vivências, abordam temas como as identidades, a estética corporal, o internetês, as representações de professores e de escolas, os discursos sobre a velhice, as imagens de família, as relações de fascínio, ideais de felicidade, os significados e sentidos que os participantes tecem em suas redes sociais na internet.

O livro ressalta que o Orkut se constitui em mais uma fonte de sociabilização digital, um espaço privilegiado para a ampliação de comunicação que favorece os intercâmbios, pois possibilita aos sujeitos vivenciarem relações para além de suas comunidades locais. É uma rede fascinante de invenção e exibição de subjetividades. Por fim, a intenção do livro é ampliar debates. Que as inquietações e as motivações aqui expostas contribuam para que pais, educadores e interessados em geral conheçam, sob esses ângulos, o que fazem e pensam jovens e adultos em suas redes sociais na internet, como festejam a vida no Orkut.


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