Arquivo para janeiro \27\UTC 2013

27
jan
13

Vai rolar na Palavraria, nesta segunda, 28/01: Clube de Leitura na Palavraria: Jacob, o mentiroso, de Jurek Becker

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28, segunda, 19h30: Clube de Leitura – debate sobre a obra Jacob, o mentiroso, de Jurek Becker, com a mediação de Luiza Silva (Cia. das Letras).

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jakob o mentirosoLançado em 1969, Jakob, o mentiroso é tido como uma das obras-primas da literatura sobre o Holocausto. No Brasil, o romance foi publicado primeiro em 1987 e aqui é apresentado em nova tradução.

O narrador é um dos únicos sobreviventes que sabem a verdade sobre Jakob Heym, um homem que se tornou herói por acaso. E foi também o acaso que preservou a vida do narrador: pelas dimensões do extermínio, pelas proporções aterradoras do Holocausto, seria mais provável que não tivesse sobrado ninguém para contar a história. Mas sobrou – e alguém que padeceu com Jakob todo tipo de aflições num gueto judeu na Polônia, durante a Segunda Guerra.

O que fez Jakob, afinal? Mentiu: forjou notícias sobre a aproximação do Exército Vermelho, os possíveis redentores. Jakob suscita uma reviravolta surpreendente no gueto. Depois de suas mentiras, nada continua igual. Mas ele é um mentiroso contrariado, sem dotes imaginativos, sem brilho; seu repertório linguístico é limitado, suas palavras são escassas, custa-lhe urdir uma mentira qualquer. E Jakob, além disso, não se caracteriza propriamente por um temperamento destemido. Sua resistência à barbárie passa longe de todo heroísmo. As mentiras que divulga nascem da piedade; nunca resultam de um pensamento bem articulado. E, no entanto, suas minguadas palavras são esperadas e ouvidas com avidez pelos habitantes do gueto – todos indefesos, acuados pela banalidade do mal. As palavras, arma impalpável, são como o pão que falta a essa gente esfaimada, e um grama delas, como diz Jakob, já lhe basta para fabricar uma tonelada de esperança. Jakob, o mentiroso poderia ser um romance lúgubre. Jurek Becker, ao narrar a vida e a morte no gueto, presentifica as crueldades cometidas, as humilhações, as expectativas, o absurdo de uma situação em que seguir vivendo já equivale a um ato de heroísmo. Mas seu olhar é distanciado, livre de condescendências e de sentimentalismo. E seu tom é moldado por um admirável bom humor. O tratamento literário de que ele reveste as atrocidades do Holocausto é, enfim, lapidar.

jurek beckerJurek Becker. Nascido em Lodz, na Polônia, passou a infância num gueto. Morou em Berlim Oriental até fins de 1976, quando foi expulso do Partido Comunista e exilou-se em Berlim Ocidental, onde morreu em 1997. Seu romance Jakob, o mentiroso deu origem a dois filmes, o primeiro rodado na Alemanha Oriental e o segundo, de 1999, nos Estados Unidos (Um sinal de esperança, com Robin Williams no papel de Jakob).

luiza silvaLuiza Silva, nascida em 15 de outubro, sempre lendo escrevendo muitas palavras, desde Porto Alegre, no RS. Participou de algumas antologias de contos.

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Clube de Leitura Penguim/Companhia das Letras – Palavraria

Inscrições gratuitas

O Clube de leitura reúne, preferencialmente na primeira segunda-feira de cada mês, pessoas interessadas em ler e trocar idéias sobre obras da literatura clássica e contemporânea.

A primeira reunião foi em novembro de 2012, e discutiu o livro Terra Sonâmbula, de Mia Couto. Já foram enfocados Se um viajante numa noite de inverno (Italo Calvino) e Caixa preta (Amoz Oz).

Em cada reunião os participantes escolhem as obras a serem discutidas nos próximos encontros e os respectivos mediadores, que serão sempre alternados.  O próximo livro a ser debatido, no dia 4 de março, será Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera, com a mediação de Hilda Simões Lopes.

Os participantes do Clube de Leitura terão um desconto de 10%, ao adquirirem na Palavraria os livros destinados à discussão.

Informações e inscrições na Palavraria

Rua Vasco da Gama, 165 – 51 3268 4260 – de segunda à sexta das 11 às 21h

ou pelo email palavraria@palavraria.com.br.

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24
jan
13

A crônica de Guto Piccinini: A porta 53

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A porta 53, por Guto Piccinini

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Recostado entre dois grandes edifícios repousava o cansado prédio da, talvez, ainda mais cansada, rua Vigário Cruz. É lá que reside nosso insólito personagem, por detrás da porta 53. Os poucos vizinhos do prédio nunca o viram. Mesmo o mais antigo, já na casa dos 50 anos, pouco sabe sobre aquele senhor de idade avançada, bengala a tira colo e pele branca como um dos muitos nomes atribuíveis ao gelo. Ao restante dos moradores, um a um em seu movimento pendular, sobra este processo de fermentação, pelo qual a curiosidade atiçada pelo tempo vai crescendo a cada dia diante deste estranho ausente que permanece por detrás daquela porta de fundo de corredor. Frente a esses olhares atentos, era notória a escassez de visitas. Raras e, de modo geral, passageiras. Provável tempo para um abraço seco, um olhar condescendente e um ambiente pouco receptivo. Ninguém sabia ao certo o que ali fazia, qual sua procedência e porque aquela imponente porta pouco se movia.

Foi tornando-se um mito também para os mais antigos da rua, entre conversas à beira da calçada ou em encontros casuais nas feiras de sábado de manhã. Dizem que “quem tem boca vai a Roma”, mas ficaria mais simples dizer “quem tem boca fala”. E como falam! Algumas informações nos chegam vagas e desencontradas. Dizem que apareceu de modo furtivo em uma tarde de junho, nestes dias de calor pouco usual para a época do ano. Outros dizem que carregava uma pequena mala e um grande silêncio, esse mesmo que o acompanha desde então. Falatório grudento, pueril e pouco confiável. Recheado de insinuações persecutórias, no qual dou-me o direito de não exercer o relato: não são dignas de palavra. Fato é que este silêncio suscita o romance alheio. Não são poucos os que tentaram atravessar essa barreira erigida entre a porta e a imaginação da vizinhança. Como também não são poucos os que arriscaram um contato inocente, mas que também não estranham a ausência de resposta às batidas na porta. Ela completa a cena.

De dentro, mal sabem eles o ritmo provocado pelas esparsas batidas. No espaço entre uma e outra, ganham vida no peso desencontrado dos dedos, timbrosas mãos na velha madeira ao encontro de um único e persistente espectador. De dentro, os ouvidos pouco atentos ao vento, ao barulho dos carros, às intensas fofocas, ressoam estas vidas insossas a insistir de modo quase infantil neste encontro com o estranho. De dentro há silêncio. Para muitos este vazio de palavra esquece sua intensidade de sentidos, sua potência esmagadora. Este não é qualquer silêncio, podemos sair em defesa do personagem, pois de dentro muito se escuta. Uma imagem atrás da outra, como música em rádio popular, a se repetir irritantemente. Pelos sonhos, pelas frestas, pelo ranger do assoalho e pela pele já rugosa e fria. Do pó que se acumula, ao olhar parado em lugar nenhum, muitos lugares se remoem, violentos como são, crus como são. Já não poderiam ser diferentes, e é esse o lamento sincero do vazio que resta.

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Guto Piccinini, psicólogo, mestre em psicologia social e frequentador da Palavraria. Atualmente experimentando palavras.

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24
jan
13

Em 2013 a Palavraria faz 10 anos

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21
jan
13

Aconteceu na Palavraria, nesta sexta, 18/01: pocket musical com o grupo Casa da Montanha e Banda (ainda) Sem Nome

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Aconteceu na Palavraria, nesta sexta, 18, pocket musical com o grupo Casa da Montanha e Banda (ainda) Sem Nome. O Casa da Montanha é formado por Alexandre Carvalho (cavaquinho, voz e composições) e Peter Nehm (bateria e percussão); a Banda (ainda) Sem Nome é formada por Lucas Furtado (violão e voz), Isabella de Mendonça (bateria), Lorenzo Flach (guitarra) e Jonas Costa (baixo). Fotos do evento.

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19
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A crônica de Jeferson Tenório: Das vezes que parti sem dizer adeus

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Das vezes que parti sem dizer adeus, por Jeferson Tenório

 

Sempre achei que alguém deveria escrever a história dos pais separados que vão visitar seus filhos. Dos pais que convivem diariamente com a falta. Uma história dos pais fracos que enjoam nos ônibus e que tem medo de avião. Tenho um filho.  Nome dele é João. Não mora comigo.  Vive em Santa Catarina. Uma vez por mês viajo para vê-lo. Ele ainda não completou três anos. Nas primeiras viagens, cada vez que o ônibus fazia uma curva eu quase vomitava. Passados três anos e dezenas de idas e vindas na BR 101, construí uma fortaleza no estomago. Dostoiéviski tinha razão: A maior qualidade de homem é o de se habituar a tudo. Eu, no entanto, ainda não domei os aviões.

Antes de mais nada quero adiantar que não sou escritor. Um escritor escreve. Eu escrevo, mas não me sinto um profissional nisso. Por outro lado, creio que não preciso da chancela de um editor para continuar escrevendo. Não tenho idéia se o que escrevo é bom. Embora eu devesse saber disso, pois ensino literatura. Sou formado em Letras e isso parece me autorizar a criticar o texto dos outros. Já imitei muita gente antes de desistir de ser escritor. Agora eu tenho um diário e isso me basta. Este texto é um fragmento dele. Não vivo de escrever. faço rascunhos e observo as coisas. Estou bem assim. Com o tempo a gente aceita a possibilidade de não ser mais um vencedor e de querer dizer as verdades.

Como não sei se escrevo bem, criei uma espécie de máquina dentro de mim que chamo de “autocrítica”. Eu a treinei para captar as besteiras que ponho no papel. Mas às vezes a máquina falha e passo a ter menosprezo por algumas palavras que saem da minha cabeça e é isso que me dói. Antes me doía não ser bom como o Dostoiéviski, agora só me dói não ter o que dizer quando preciso dizer.

Meu filho está crescendo longe de mim. Não quero drama nem lamentações, por isso tenho este diário. É o meu modo de preencher a falta. Sei que o que escrevo não é nada perto de tudo que já se fez. O que não faz dessas palavras algo menos importante, pois este texto será lido por algumas pessoas, alguns amigos e talvez meu filho. Para mim, o João lendo, é o suficiente. Sinceramente, não sei se o que acontece na nossa vida é uma história que merece ser contada. Nem sei se tenho uma história para contar. Não sei se este diário vale apena. O que sei é já tive de voltar à Porto Alegre em silencio com um pranto amarrado nos olhos  ao sair escondido, porque não queria ver o João chorar na despedida.

Um dia eu pensei que pudesse escrever um romance para matar a ausência do meu pai, e depois me tornar um homem. Dizem por aí que a gente só cresce quando mata o pai. Acho besteira. Quando estou no ônibus e vejo a escuridão lá fora, sinto medo. Quando estou em um avião, tenho medo. Um medo infantil, idiota, como todos os medos. Portanto, acho que a gente pode matar o pai milhares de vezes, mas o fato é que a gente nunca cresce.

Eu nunca pensei em ser pai. Sempre achei que ter um filho era uma coisa para os outros. Eu tive um colega na escola, o André. Ele teve um filho quando estava no ensino médio. O André parou de estudar e eu fui no hospital ver a criança. Foi assustador. O André só tinha 16 anos. A mãe tinha 15. Todos diziam que eles tinham estragado o futuro deles. Ainda acompanhei o André por algum tempo. Ele trabalhou em um posto de gasolina da BR. Um ano depois eles se separam e o André começou a pagar uma pensão, mas nunca mais quis ver o filho. Agora ele tem outra família, tem mais dois filhos. E assim é.

Também nunca achei certo a gente obrigar alguém a nascer, vir para cá tomar bofetadas da vida o tempo todo. Mas somos teimosos e acreditamos que a vida é boa. Por outro lado, os filhos nos salvam. O João vai fazer três anos e não sabe, talvez demore a saber, mas ele me salvou da pior ciosa que uma pessoa pode carregar: o egoísmo. Acho que só consigo experimentar o que é alteridade quando tenho o João em meus braços. Com ele eu nunca sou “eu” sou sempre “ele”. Tenho um amigo de infância, o Jurandir, que tem uma filha de 5 anos. Quando ela nasceu eu perguntei ao Jura: Cara, como é isso de ser pai? Ele me olhou e sem muita explicação me disse: Sabe o que é amar alguém e nunca esperar nada em troca? Eu não sabia. Mas agora, Jura, eu sei. Te devo essa, meu amigo.

Uma coisa é certa: os pais sempre serão os culpados pela má formação dos filhos. Pais sempre erram. Com os filhos a gente nunca ensina nada direito. A gente só aprende. Quando se põe um filho no mundo a gente pensa que pode defendê-lo de tudo, chegamos a achar que somos eternos, que os filhos serão sempre pequenos e vão nos amar todo tempo. Às vezes os filhos, na vida adulta, nos perdoam pelas burradas que fizemos e então seguimos. Noutras, não há tempo para nada, nem para o perdão nem para o amor. Aí a vida vai passando, envelhecemos e depois temos de morrer para que os filhos sigam e conheçam a vida sozinhos.

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Jeferson TenórioJeferson Tenório. É feito de literatura. Professor e apaixonado por Dom Quixote. Premiado no concurso Paulo Leminski em 2009 com o conto “Cavalos não choram” e no concurso Palco Habitasul com o conto “A beleza e a tristeza”, adaptado para o teatro em 2007 e 2008, além de ter tido poemas selecionados no concurso Poemas no Ônibus em 2009. Faz mestrado em literaturas Luso-africanas pela UFRGS.

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18
jan
13

Aconteceu na Palavraria, nesta quinta, 17/01, lançamento do livro Por que a cidade?

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Aconteceu na Palavraria, nesta quinta, 17, lançamento do livro Por que a cidade? Escritos sobre experiência urbana e subjetividade, organizado por Luis Antonio Baptista e Marcelo Santana Ferreira. Apresentação do livro por Márcio Mariath Belloc e Fernando Freitas Fuão. (Editora da Universidade Federal Fluminense). Fotos do evento.

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Aconteceu na Palavraria, nesta terça, 15/01, lançamento do livro A sociedade justa

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Aconteceu na Palavraria, nesta terça, 15, lançamento do livro A sociedade justa e seus inimigos, de Antônio David Cattani e Marcelo Ramos de Oliveira. Fotos do evento.

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