Arquivo de junho \30\UTC 2011

30
jun
11

Aconteceu na Palavraria, nesta quinta, 30: Sarau Psicanarte

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Nesta quinta, 30, aconteceu na Palavraria o primeiro encontro deste ano do Sarau Psicanarte, promovido pelo ESIPP, com debate que teve por tema Afinal, o que querem as mulheres?, com a psicoterapeuta Sheyla Borowski e a historiadora Leticia Schneider Ferreira, sob a mediação de Elisa Caceres. A canja musical – acompanhada de uma “aula” sobre sitar indiana – esteve a cargo de Rafael Capaverdi (sitar) e Alexandre Becker (bongô).

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29
jun
11

A prosa ligeira de Jaime Medeiros Jr.: No caminho para Larissa

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No caminho para Larissa, por Jaime Medeiros Jr.

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Acetil Cefuroxima, data de fabricação 11/2010, prazo de validade 10/2013 , é o que estava escrito na caixa da medicação que comprei na farmácia. É o que, por fim, parece se dar com as coisas que somos capazes de pôr numa prateleira e vender. Têm um prazo de validade, uma data limite, após a qual é conveniente que não mais as utilizemos. O Mênon [escrito em uma data qualquer entre 428 e 327 a.C] ou o soneto Alma minha gentil, que te partiste [escrito em uma data entre 1524 e 1580 A.D.] parecem não trazer em si aposto qualquer prazo de validade, senão aquele intrinsecamente relacionado à materialidade do suporte, a qual também podemos comprar. Pondo-se as coisas nos seus devidos lugares, não se compra na farmácia o medicamento cefuroxima, mas, isto sim, o comprimido, ou o vidro de cefuroxima suspensão. A validade do medicamento se determina por outro prazo, o tempo necessário para que as bactérias hoje sensíveis a ele consigam desenvolver cepas com mecanismos de defesa suficientemente eficientes que as tornem resistentes à droga utilizada.

Há quem queira confundir o Mênon e cefuroxima. Dizendo que o prazo de validade dos antigos acabou e que deveríamos depositar neles apenas a nossa curiosidade, bem como fazemos quanto às técnicas dos romanos para a construção de aquedutos. No entanto o medicamento que nos propõe o Mênon não se pode comprar, meio se ganha, meio se conquista.

Cá estamos diante do livreto, quando de repente uma expressão posta em meio ao texto, estar em aporia, acaba por nos conduzir a um estado de alerta. Aporia, que até este momento nos soava ser unicamente um problema filosófico sem possibilidade de solução, como aquela aporia sobre o tempo que Kant nos propõe na Crítica da Razão Pura. Aqui, no entanto, no ponto em que Sócrates tem de responder ao paradoxo que Mênon tinha lhe proposto – como saber o que é virtude através da pesquisa, pois se não soubermos o que é virtude não saberemos o que procurar, e se por acaso a encontrarmos não o saberemos tê-la encontrado; de outro lado se soubermos o que é virtude, para que procurá-la? Platão, contudo, quando se serve da expressão estar em aporia, ele nos aponta um método, que se dá a partir do espanto que a percepção de que foram sim nossas certezas que nos trouxeram até aqui a este beco sem saída, e que, agora após consequente rompimento com aquelas certezas, bem como a um áporo nos vemos obrigados, depois de termos assimilado muito de nossas tonterias,  a cavar um caminho para fora deste mundéu sem saída em que nos pusemos a viver. Platão, deste modo, acaba por nos dar de presente o poema de Drummond, o Áporo [temos aqui em uma só palavra: inseto, aporia e flor (orquídea)]:

Um inseto cava
cava sem alarme
perfurando a terra
sem achar escape.

Que fazer, exausto,
em país bloqueado,
enlace de noite
raiz e minério?

Eis que o labirinto
(oh razão, mistério)
presto se desata:

em verde, sozinha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-se

Isto nos leva a fazer a pergunta junto com Kolakowski, no qual lemos en passant, referindo-se a Nicolau de Cusa: Os argumentos de Nicolau de Cusa derivam amiúde do arsenal dos céticos. Ele também é um místico. Isso prova que o cético e o místico podem estar em um só indivíduo. […] Pode o cristão acreditar em Deus e, ao mesmo tempo, afirmar que não sabe nada sobre ele? E por que não bebermos também do mesmo remédio ao lermos este Camões?

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

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Jaime Medeiros Jr. é poeta portoalegrense (1964), pediatra. Autor do livro de poemas Na ante-sala. Mantém os blogs Tênues Considerações e O Arco da Lira.

A prosa ligeira de Jaime Medeiros Jr. aparece neste blog quinzenalmente às quartas-feiras.

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29
jun
11

Vai rolar na Palavraria, nesta quinta, 30

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30, quinta, 19h: Debate: Afinal, o que querem as mulheres?, com a psicoterapeuta Sheyla Borowski e a historiadora Leticia Schneider Ferreira. Promoção do ESIPP.

Na atualidade, com tantos questionamentos perante a posição da mulher na sociedade, ainda não temos uma resposta absoluta para o que realmente esta mulher atual deseja? Será que haverá uma resposta?

Com Psic. Psicoterapeuta Psicanalitica Sheyla Borowski – Psic. Psicoterapeuta, Mestre em Psicologia Clínica – Sócia Fundadora, docente e presidente do ESIPP – idealizadora do Projeto Pais Bastante Bons

Historiadora Leticia Schneider Ferreira  – Graduada em História pela UFRGS e Mestre em Sociologia pela UFRGS. Doutoranda em História na UFRGS, sendo que a  tese versará sobre a questão do Gênero na Idade Média. Autora de capítulo em dois livros: 68: História e Cinema e A prova dos 9: A História Contemporânea no Cinema, e Organizadora do livro “Tio Sam vai a guerra: os conflitos bélicos dos Estados Unidos através do cinema”. Atualmente professora do Instituto Federal de Santa Catarina.
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28
jun
11

Aconteceu na Palavraria, neste sábado, 25

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Sábado passado, 25, aconteceu na Palavraria o lançamento do livro Pedrarias, poemas de Roberto Medina. Fotos do evento.

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26
jun
11

Programação de 27 de junho a 02 de julho

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30, quinta, 19h: Sarau Psicanarte: Debate Afinal, o que desejam as mulheres?

Na atualidade com tantos questionamentos perante a posição da mulher na sociedade. Ainda não temos uma resposta absoluta para o que realmente esta mulher atual deseja? Será que haverá uma resposta?

Com Psic. Psicoterapeuta Psicanalitica Sheyla Borowski – Psic. Psicoterapeuta, Mestre em Psicologia Clínica – Sócia Fundadora, docente e presidente do ESIPP – idealizadora do Projeto Pais Bastante Bons

Historiadora Leticia Schneider Ferreira  – Graduada em História pela UFRGS e Mestre em Sociologia pela UFRGS. Doutoranda em História na UFRGS, sendo que a  tese versará sobre a questão do Gênero na Idade Média. Autora de capítulo em dois livros: 68: História e Cinema e A prova dos 9: A História Contemporânea no Cinema, e Organizadora do livro “Tio Sam vai a guerra: os conflitos bélicos dos Estados Unidos através do cinema”. Atualmente professora do Instituto Federal de Santa Catarina.


02, sábado, 17h: Lançamento do livro Temas críticos em Direito (Editora Sob Medida)

 

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25
jun
11

A crônica de Mariana Ianelli: Sophia de Mello Breyner Andresen

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Sophia de Mello Breyner Andresen, por Mariana Ianelli

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Ilustração de Alfredo Aquino

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Daqui a uma semana haverá festa no bairro da Graça em Lisboa. Haverá festa no Algarve, em Lagos, na Granja, no Porto, em todos os lugares onde viveu Sophia, que desde há sete anos deixou de ser Sophia para ser tudo quanto existe e ela amava, os jardins, a luz, o vento, o mar ao longe. Será mais uma vez aquele frescor de rosas que vem da terra depois de haver chovido, aquele sonho lúcido de ver o mundo nascer de novo como num primeiro dia, de cantar o amor sem ironia e descobrir na palavra o nome das coisas. No mar será aquele friso branco de espuma, no ar um perfume de orégano e alecrim, uma pureza outra vez iluminada nos muros caiados, nas praças, nas casas, será essa festa um esplendor de formas reunidas, um instante de perfeita arquitetura, a presença viva que as imagens prometiam, uma alma de poeta que enfim cumpriu o seu destino de habitar a substância do tempo, florescendo nas tílias, nas camélias, nos rododendros, emergindo nas vagas que levam os barcos.

Sophia, íntima do próprio seu nome, sabia que mesmo perdida a infância guarda uma semente, sabia das coisas por amá-las, por olhar a paisagem longamente, sabia que a poesia não tem futuro, tem apenas mistério, que um poema não é uma aventura de linguagem, é um espelho para ver o mundo, um círculo em redor de uma coisa, uma aliança entre os versos e os dias. Sabia também que eram tempos difíceis, de descrença, de negação, de ameaça, e que ser fiel à imanência se tornou uma espécie de pecado. Mas Sophia confiava na unidade, no sentido positivo do universo, eram as coisas que a moviam e não conceitos, eram os livros vivos que lhe falavam, não os prodígios de criação nem os modismos. Para Sophia escrever era relacionar-se com o mundo, e o mundo para ela era sagrado, havia uma moral poética e uma forma de justiça em participar do real e estabelecer com ele uma harmonia. Sophia não separava vida e poesia, não entendia na literatura atual a excessiva preocupação com a linguagem, a contaminação do escritor por teorias, acreditava que era preciso combater com as trevas, escrever a partir do caos, e não de um texto, para chegar à geometria do poema.

Em uma de suas viagens à Grécia, diante do Golfo de Corinto, Sophia agradeceu por ter nascido. Nos templos gregos encontrou os seus poemas, na intimidade entre luz e arquitetura, no equilíbrio entre rigor e doçura. Em Roma contemplou maravilhada a regra de ouro na Praça do Capitólio. Nos parques de arvoredos em Berlim sonhou com a antiga Germânia das florestas. Em pleno voo a caminho de Macau, avistando a costa asiática, começou o seu livro Navegações. No México, pelo “dever de ver”, subiu ao topo da Pirâmide do Sol. Quando veio ao Brasil, adorou o cheiro da fruta e da madeira, as montanhas e as praias brasileiras, esteve em Recife, Cabo Frio, Ouro Preto, e quando desceu em Brasília viu a “Cidade de Atena”. Sophia perseguia uma paisagem e suas raízes, perseguia um tempo não dividido, a palavra na sua forma primitiva, o poema que não é literatura mas uma obra da atenção, uma túnica inconsútil, uma oferta dos deuses, uma aliança com a poeira das estradas, o ar entre as colunas, a casa entre o mar e a montanha, os frutos de setembro, as águas verdes de Brindisi.

Era amiga dos poetas, Sophia. Não perdia um minuto com “tricas literárias”, procurava apenas silêncio e tempo livre para escrever. Cantava o esplendor de Thasos e Egina, mas não esquecia o horror de Treblinka e Hiroshima. Batalhou dentro da política por uma sociedade em que a poesia fosse a pedra fundamental da educação e a cultura alcançasse o espaço cotidiano, como quando viveu o 25 de abril e as pessoas atravessavam o Rossio feito um bando de gaivotas. Sophia estava mergulhada na vida e sua vida na poesia, bons versos revelavam para ela dias bem vividos. Mãe de Xavier, Miguel, Sofia, Isabel e Maria, ensinou-lhes a ver a pedra, o ouriço, os búzios, as estrelas, ensinou-lhes a poesia no seu canto vivo, recitada em casa, a caminho do mercado, numa loja, num café, em todos os lugares, a poesia além dos livros.

Quando pequena, em noites de temporal, na casa do Porto, Sophia rezava para os pescadores conseguirem voltar a terra. Ouvia da mãe a história de uma menina que morava no mar e isso lhe parecia a máxima felicidade. No jardim semiabandonado da casa da avó, na primavera, colhia rosas e as mastigava. Em seu caderno de latim, no colégio, escreveu: “É-me necessário escrever versos, é-me proibido saber por quê”. Todas essas sementes da infância frutificaram. Sophia agora é tudo o que floresce, o que pede para ser visto, a quem possa ver o mar, a areia, a lua, os jardins, o fogo na floresta, o que pede para ser ouvido, a quem possa ouvir o ritmo das paisagens. Sophia é agora a abundância dessa festa.

Publicado em Vida Breve

 

Mariana Ianelli nasceu em 1979 na cidade de São Paulo. Poeta, mestre em Literatura e Crítica Literária, é autora dos livros Trajetória de antes (1999), Duas Chagas (2001), Passagens (2003), Fazer Silêncio (2005), Almádena (2007) e Treva Alvorada (2010), todos pela editora Iluminuras. Como resenhista, colabora atualmente  para os Jornais O Globo – Prosa&Verso (RJ) e Rascunho(PR). Saiba mais sobre a autora em seu blog http://www2.uol.com.br/marianaianelli/

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24
jun
11

Vai rolar na Palavraria, neste sábado, 25

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25, sábado, 18h: Lançamento do livro Pedrarias, de Roberto Medina (Redes Editora)

 

 Poesia é a emoção revivida na tranquilidade”

Wordsworth 

O livro “Pedrarias” compõe-se de um conjunto de poemas que tecem a forma com a temática objetivada pela experiência vivencial nos tempos desta modernidade ou pós-modernidade, comunicando-se com os velhos bardos e os novos que insistem refletir sobre o ser humano tomado e envolvido (ou perdido) em suas paixões e desejos. Conforme Edgar Morin, ser “Homo” implica ser igualmente “demens”: em manifestar uma afetividade extrema, convulsiva, cóleras, gritos, mudanças brutais de humor; em carregar consigo uma fonte permanente de delírios; em crer na virtude de sacrifícios sanguinolentos, e dar o corpo, existência e poder a mitos e deuses de sua imaginação.”

Além disso, “Pedrarias” dialoga com a concepção de amor líquido de Zygmunt Bauman, ou seja, uma das características é a marca do individualismo que se sobressai em nossas relações e as torna precárias, transitórias e voláteis. Para ele, a modernidade líquida  figura a troca e a transitoriedade: “os sólidos” conservam sua forma e persistem no tempo: duram, enquanto “os líquidos” são informes e se transformam constantemente, isto é, fluem. Para Bauman, a identidade nesta sociedade de consumo se recicla. Assim como no amor, ela é ondulante, espumosa, resvalante, aquosa tanto quanto líquida. Os afetos passam para a lógica dos mercados: descartabilidade para a vinda dos novos produtos –  “o amor, no caso, contém um risco terrível porque não é somente um que se engaja nele. Engaja-se a pessoa amada, engajam-se também os que nos amam sem que nós os amemos, ou os que amam a pessoa amada sem que ela os ame”, conclui Edgar Morin.

Armindo Trevisan ensina que a poesia é emoção em câmera lenta, emoção saboreável, podendo às vezes transformar-se em violência primitiva. Em “Pedrarias”, não há a intenção de ser um consolo, mas ser uma provocação nos nossos tempos de pós-modernidade. Tempos inominados. Tempos do desejo ou das ausências dele.

Uma proposta deste livro é recuperar as perguntas perdidas de Hannah Arendt:  perguntar de novo o que não mais nos perguntamos (O que é o homem? De quem somos contemporâneos? O que é a contemporaneidade?), e não ficar nas respostas que já mostraram que não há saída. Considerar a subjetividade é, para ela, atender às diferenças. Por conseguinte, a voz e vozes existentes nos poemas falam com um Pedro, sinônimo de “pedra”, exigindo um passado imaginado, um presente pressentido e um futuro fantasiado, o qual acena atrás de uma grossa noite escura. “Pedrarias” surge de uma emoção, depois se revela em textos pensados, pretendendo compartilhar com o leitor palavras ressignificadas enquanto registro da trajetória do humano, sem a crença de deuses terrestres, detendores de uma verdade. Enfim, são poemas para serem lidos em voz alta, mesmo que as almas amorosas estejam com as asas recolhidas no silêncio da vastidão do mundo.

 

Roberto Medina é escritor gaúcho, consultor de textos e professor de literatura. Participou das antologias 101 que contam e brevíssimos, ambas organizadas por Charles Kiefer. É autor com prêmios nacionais e internacionais nos gêneros poesia e crônica. Também possui peças teatrais encenadas. Além disso, ministra oficinas de escrita criativa.

 

Contato: prof.medina@gmail.com 

Editora: www.redeseditora.com.br

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