Posts Tagged ‘Jaime Medeiros Júnior

01
jun
15

Vai rolar na Palavraria, nesta segunda, 1, Clube de Leitura. Em foco o livro Nova gramática finlandesa, de Diego Marani

ESTA SEMANA NA PALAVRARIA b

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1, segunda, 19h: Clube de Leitura: Nova gramática finlandesa, de Diego Marani. Mediação de Jaime Medeiros Júnior.

nova gramática Trieste, 1943. Um homem à beira da morte chega a um navio-hospital alemão atracado no porto da cidade. Com um grave ferimento na cabeça, sem documentos, memória ou capacidades linguísticas, recebe o tratamento de um médico finlandês que se convence, pautado pelos poucos indícios disponíveis, de que está diante de um conterrâneo. Enquanto cuida de sua saúde, o médico lhe ensina a língua finlandesa, confiando que assim o ajudará a redescobrir sua identidade. Os dois são cúmplices nessa jornada de exílio e autoconhecimento, que vai levá-los “de volta” a Helsinki. Publicado na Itália no ano 2000, Nova gramática finlandesa foi aclamado pela crítica como obra-prima e ganhou diversos prêmios, entre eles o prestigioso Cavour. Desde então, foi traduzido para diversas línguas e virou um best-seller na Europa. Marani, que trabalha oficialmente como linguista da União Europeia, parece um nativo ao dar conta das (sabidamente complexas) língua e história finlandesas.
Por certo, no entanto, não se trata de uma apostila de língua ou de história. Remontando às narrativas que povoam o imaginário coletivo, como a de Rômulo e Remo, Mogli e Kaspar Hauser, Nova gramática finlandesa é um romance que mistura elementos de suspense e reflexões poéticas sobre a formação da identidade, a aquisição da linguagem, as guerras e os mitos de fundação de uma nação.

Diego Marani nasceu em Ferrara, na Itália, em 1959. Trabalha na Direção Geral de Interpretação de Conferências da União Europeia. Autor de mais de dez livros, entre romances e ensaios, Marani é famoso por ter inventado o europanto, uma mistura de várias línguas europeias combinadas sem regras ou gramática.

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Palavraria - livros a.

02
set
14

Aconteceu na Palavraria, nesta segunda, 1º, Clube de Leitura, com o romance Os fantasmas de Goya, de Jean-Claude Carrière e Milos Forman. Mediação de Jaime Medeiros Júnior

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aconteceu

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Aconteceu na Palavraria, nesta segunda, 1º, Clube de Leitura, com  o romance Os fantasmas de Goya, de Jean-Claude Carrière e Milos Forman. Mediação de Jaime Medeiros Júnior

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Palavraria - livros c.

 

29
ago
14

Vai rolar na Palavraria, nesta segunda, 1º, Clube de Leitura, com o romance Os fantasmas de Goya, de Jean-Claude Carrière e Milos Forman. Mediação de Jaime Medeiros Júnior

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ESTA SEMANA NA PALAVRARIA b.

De 01 a 6 de setembro de 2014

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01, segunda, 19h: Clube de Leitura – Os fantasmas de Goya, de Jean-Claude Carrière e Milos Forman. Mediação de Jaime Medeiros Júnior

os fantasmas de goya

Nos últimos anos do século XVIII a Espanha ainda era um império colonial imenso. Frente ao assédio das idéias laicas e republicanas que vinham da França revolucionária, a Inquisição – havia muito tempo em estado de dormência – tem um surto de vitalidade e decide mostrar suas garras. Francisco de Goya y Lucientes testemunha tudo isso. Pintor da Corte e glória da Espanha, Goya fazia retratos por encomenda de nobres, mercadores e autoridades da Igreja, como frei Lorenzo Casamares, homem implacável da Inquisição. Quando Casamares vê no ateliê de Goya o retrato da jovem Inés, filha do comerciante Tomás Bilbatua, que fora presa e acusada de heresia, os destinos dos três se entrecruzam numa história de lealdades e traições, de amor, tortura e morte, mas também de guinadas ideológicas e vinganças pessoais. Os fantasmas de Goya teve seus direitos vendidos para dezoito países e deu origem ao filme Os fantasmas de Goya, dirigido por Milos Forman.

Jean-Claude CarriereJean-Claude Carrière nasceu na França, em 1931. Roteirista premiado, trabalhou com alguns dos maiores diretores de cinema, sobretudo com Luís Buñuel, com quem colaborou em O discreto charme da burguesia, Bela da tarde e Esse obscuro objeto do desejo, entre outros.

milos formanMilos Forman, nascido na República Tcheca, em 1932, é um dos mais importantes cineastas da atualidade. Dirigiu, entre outros, Um estranho no ninho, Hair e Amadeus.

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Clube de Leitura Penguim/Companhia das Letras – Palavraria

clube de leitura

Inscrições gratuitas

O Clube de Leitura reúne, preferencialmente na primeira segunda-feira de cada mês, pessoas interessadas em ler e trocar idéias sobre obras da literatura clássica e contemporânea.

A primeira reunião foi em novembro de 2012 e desde então mais de uma dezena de obras já foram abordadas. Em cada reunião os participantes escolhem as obras a serem discutidas nos próximos encontros e os respectivos mediadores, que serão sempre alternados.

Os participantes do Clube de Leitura terão um desconto de 10%, ao adquirirem na Palavraria os livros destinados à discussão.

 

Informações e inscrições na Palavraria
Rua Vasco da Gama, 165 – 51 3268 4260 – de segunda à sexta das 11 às 21h
ou pelo email palavraria@palavraria.com.br.

 

 

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Palavraria - livros a.

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23
out
13

A prosa ligeira de Jaime Medeiros Júnior: Por que ler Províncias

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Por que ler Províncias, por Jaime Medeiros Júnior

Provincias

Santa Maria, feira do livro de 2012, paro para escutar Marcelo Canellas falar em entrevista em meio à praça Saldanha Marinho. Tema: jornalismo e jornalismo literário. Escuto e aprendo. Nenhuma notícia vem às páginas de um jornal ou vira matéria de TV com isenção. Quem refere fatos, fatalmente terá de alguma forma escolher como contá-los. Essa escolha nunca será isenta e não o deve ser. Então ele nos oferece exemplos de como uma mesma história pode ser dita de modos totalmente diferentes e sem falseá-la e com recepções totalmente diferentes. Não saberei aqui reproduzir os exemplos dados. Mas creio poder explicar o sentido da coisa. Busco alguns fatos, muito provavelmente já um tanto coloridos pela memória que tenho deles. Porto Alegre, década de 80, sessão da meia-noite no Cine ABC. Na tela,Tom Conti, encantado com os estupendos dotes de Kelly McGillis, apanha, em meio a relva da praça da pequena cidade onde estão, um raminho de Loranthacea e, tentando lhe explicar porque as palavras não são isentas de valor, pondera: imagine se deixássemos de chamar a isto erva de passarinho e o chamássemos de olhos de Maria. Muito provavelmente deixaríamos de descuidadamente pisar sobre a erva, e procuraríamos ver onde haveríamos de pousar nossos pés, cheios de medo de feri-la. Contar bem os fatos parece não ser mais que atinar, que descobrir o nome mais capaz de nos desvelar aqueles mesmos fatos.

Marcelo escolheu começar pelos espinhos. Santa Maria teve motivos pra chorar, ele nos situa dentro dessa dor. Mas aqui os cardos também podem coroar alguém, alguém que habita uma das tantas curtas histórias que ele vem nos contar. Histórias de gente, principalmente. Histórias de lembrar. Histórias de encontros. E aqui vale retornar à praça Saldanha Marinho e ouvir Marcelo dizer quão diferentes hão de ser a história na qual os fatos acabam por se submeter às expectativas que guardamos a respeito deles daquela que se registra a partir da escuta, história que é capaz de submeter nossas expectativas à realidade que nasce da capacidade de se surpreender com o que se escuta, escuta que é capaz de desentortar o sentido das coisas. O diagnóstico não é sequestrar a realidade dentro da letra morta do livro de patologia ou de clínica, mas sim ser capaz de construir sentido com o que se colheu na história e no exame do outro a nossa frente.

Se você aceitar o convite de se entregar a leitura do livro Províncias (Ed. Globo), haverá de saber o que acontece quando um menino se encontra com o elefante do circo, também do encontro de duas trôpegas criaturas em uma praça, do que acontece com uma balzaquiana após sua sombrinha ter-se quebrado pelo vento, ou com um beija-flor ao invadir uma biblioteca. E muito provavelmente descobrir o acento de um mundo que quer se fazer distante da nossa comum, apressada e citadina indisposição para com a vida. Pequenas histórias contadas pelo jornalista, pelo homem, e porque não confessar, pelo meu amigo Marcelo Canellas.

jaime medeiros júniorJaime Medeiros Jr (1964). Médico pediatra. Escritor portoalegrense. Publicou Na ante-sala (poemas, 2008) e Retrato de um tempo à meia-luz (crônicas, Modelo de Nuvem, 2012). Mantém o blog Simples Hermenáutica.

 

 

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03
maio
13

Vai rolar na Palavraria, nesta terça, 07/05: Clube de Leitura na Palavraria: Risíveis amores, de Milan Kundera

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clube de leitura

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Leitura do mês: Risíveis amores, de Milan Kundera

Mediação: Jaime Medeiros Júnior

 

07 de maio de 2013, terça-feira, 19h

Na Palavraria

risiveis-amores

Nos sete contos de Risíveis amores, Milan Kundera retira do amor e do sexo a seriedade que normalmente costuma recobri-los. As situações se desenvolvem a partir de um mal-entendido, de um jogo com o outro. A mentira – ou a a arte de iludir e ser iludido – está sempre em foco. Mas o engano, que se inicia como brincadeira, revela depois como o auto-engano governa todos os aspectos da vida. Assim, dois namorados fingem que não se conhecem e aos poucos percebem como são, de fato, dois estranhos. Em outro conto, um homem muito hábil mente e brinca com as pessoas, mas elas são tão crédulas que ele perde o controle da situação.Não são apenas histórias de amor que fazem rir. São, também, histórias sobre tentativas de repor alguma verdade na experiência amorosa.

milan kunderaMilan Kundera é autor tchecoslovaco nascido em 1929. Estudou música, literatura, estética e cinema. Militante comunista, foi por duas vezes expulso do partido. Vive na França desde 1975, sendo cidadão francês desde 1980. Seus romances geralmente tratam de escolhas e decepções. Em seus livros é recorrente a crítica ao regime comunista e à posterior ocupação russa de seu país, em 1968, quando foi exilado e teve sua obra proibida na então Tchecoslováquia. Entre outros prémios, Milan Kundera recebeu, pelo conjunto da sua obra, o Common Wealth Award de Literatura (1981) e o Prêmio Jerusalém (1985). Sua obra mais conhecida, A insustentável leveza do ser, ganhou em 1988 uma adaptação para o cinema, sob a direção de Philip Kaufman, com Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin  no elenco. Recebeu 2 indicações ao Oscar e reconhecimento mundial. Desde então Milan Kundera nunca mais autorizou a adaptação cinematográfica dos seus romances. De sua obra traduzida para o português, salientam-se, entre outros, A insustentável leveza do ser, A brincadeira, A arte do romance, O livro do riso e do esquecimento e Risíveis amores.

jaime medeiros júniorJaime Medeiros Jr (1964). Médico pediatra. Escritor portoalegrense. Publicou Na ante-sala (poemas, 2008) e Retrato de um tempo à meia-luz (crônicas, Modelo de Nuvem, 2012). Publica no seu blog Simples Hermenáutica e eventualmente no blog da Palavraria, na coluna A prosa ligeira de Jaime Medeiros Júnior. 

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Clube de Leitura Penguim/Companhia das Letras – Palavraria

Inscrições gratuitas

O Clube de leitura reúne, preferencialmente na primeira segunda-feira de cada mês, pessoas interessadas em ler e trocar idéias sobre obras da literatura clássica e contemporânea.

A primeira reunião foi em novembro de 2012, e discutiu o livro Terra Sonâmbula, de Mia Couto. Já foram enfocados Se um viajante numa noite de inverno (Italo Calvino), Caixa preta (Amoz Oz), Jacob, o mentiroso (Jurek Becker) e A ausência que seremos(Héctor Abad).

Em cada reunião os participantes escolhem as obras a serem discutidas nos próximos encontros e os respectivos mediadores, que serão sempre alternados.

Os participantes do Clube de Leitura terão um desconto de 10%, ao adquirirem na Palavraria os livros destinados à discussão.

 

Informações e inscrições na Palavraria

Rua Vasco da Gama, 165 – 51 3268 4260 – de segunda à sexta das 11 às 21h

ou pelo email palavraria@palavraria.com.br.

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Palavraria - livros a.

12
dez
12

A prosa ligeira de Jaime Medeiros Júnior: Breves considerações sobre uma leitura de Se um viajante numa noite de inverno de Ítalo Calvino

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Breves considerações sobre uma leitura

de Se um viajante numa noite de inverno de Ítalo Calvino

 

Por que escolhi ler este livro? Primeiramente porque Ítalo Calvino habitava o rol daqueles autores que são por mim mui admirados, e, contudo, pouco lidos. Explicando-me melhor, havia lido alguns ensaios de Por que ler os clássicos, algumas Cosmicômicas, e algum que outro dos seus contos. Guardei bons sentimentos. Depois, amigos, que tenho na conta de bons leitores, sempre faziam arrebatados elogios ao autor, e muitos especificamente a Se um viajante numa noite de inverno. Além disso, quando arguidos sobre o tema do livro, todos estes referidos amigos, calavam-se mantendo-se dentro dos limites de um sorriso sensível. Outro motivo, do qual me dou conta só agora no momento em que me ponho a escrever estas considerações, este foi um dos últimos livros que minha mãe leu com real contentamento.

Podemos agora começar a jornada de Se um viajante. E aqui a palavra jornada parece nos remeter direto ao clima mítico heroico em que se inscreve o livro. Talvez este tenha sido o motivo, de que mesmo sem planejar, vez ou outra me pegasse a lê-lo em voz alta. E, ao mesmo tempo, temos também um livro feito em matriz moderna, que não se esquiva de se utilizar de aparatos metalinguísticos para a construção do romance. Haveremos de descobrir por aqui, pois que a tudo permeia, uma verve irônica que não nos desmonta, mas que, de certo modo, até mesmo nos ergue, redime.

Mas se temos aqui a jornada de um herói, precisamos saber quem são os nossos protagonistas. O autor nos brinda com o casal Leitor e Leitora. E a narrativa se conduzirá na forma de uma fingida conversa entre o autor e o Leitor, fingida por que ouve-se só a voz do autor nesta conversa. Aqui estamos na bruma dos inícios e o autor escolhe um tom cinzento, incapaz de dar rosto ao nosso herói, e que nos leva, mesmo que sem sentir, a emprestar algo nossos próprios olhos, ouvidos, nariz e duas ou três lascas de nosso coração a este herói que passamos curiosamente a seguir.

Se a jornada de um herói se começa nas incertezas de um primeiro gesto, ela tem um percurso, e se destina à realização [a um fazer] da obra. Qual há de ser a obra de um leitor, senão ler? Mas todo herói há de travar algum embate para consecução de sua obra. Portanto nosso herói também terá de conhecer inimigos e que, neste caso, habitam o mais comezinho de nosso mundo.

Aqui haveremos de nos defrontar com todas as provas, peripécias, a que se sujeita passar um herói. O que nos conduz ao mundo mítico da repetição. Que nos obriga a entender que toda obra se faz de ritmo, marcação e tempo. Repetição que tem a ver com a experiência de estar condenado, de se viver uma sina. Há de se realizar os doze trabalhos. Mas o que será que está a se repetir por aqui? Já que as histórias porque passa o Leitor são sempre novas. O que aqui se repete é um mesmo mecanismo, que nos aprisiona neste movimento pendular entre a expectativa e a frustração, entre o prazer e a dor, entre a vida e a morte. Toda história em que se embrenha o leitor-herói se interrompe abruptamente, frustrando sempre e novamente suas expectativas. Este é o aspecto mítico da repetição.

De outro lado [e só agora, após o encontro do grupo de leitura, quando me ponho a escrever, é que me dou conta disso], poderíamos opor esta repetição que aprisiona àquela repetição que ensina, que nos redime, que nos liberta – Aqui é bom lembrar a pergunta que Calvino faz no apêndice de Se um viajante: Será mesmo que estas histórias não acabaram? Será que já não alcançaram seu fim? Elas não poderiam ser coligidas num volume de contos e serem aceitas em seu próprio metro? O que, talvez, nos levasse a concluir que o que nos frustra não é a história em si, mas a nossa expectativa de que não acabasse ali, mas sim um pouco mais adiante – Será esta a repetição que ainda nos levará a tentar saltar por sobre o abismo em direção ao outro, instaurando-se uma nova ordem, onde não há mais vítima para o sacrifício. Esta é a repetição de quem imita conscientemente seu mestre. Aqui o herói se entrega conscientemente a morte e dela há de tornar inda mais consciente [como todo herói que se preze, que sempre há de visitar o mundo inferior e dele tornar, veja-se os casos de Héracles, Odysseus, Orpheu, Teseu e Psiquê]. Aqui o herói se abandona ao fluxo da vida. E é, somente, esta experiência que há de nos conduzir a uma outra visão das coisas do mundo, pois se antes víamos apenas os pedaços, as partes, agora alcançamos ver o todo, inteiro. Por fim, tudo ganha outro sentido. E o Leitor, então, já pode pôr fim a jornada de Se um viajante numa noite de inverno de Ítalo Calvino repousando o livro sobre o criado-mudo.

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jaime medeiros júniorJaime Medeiros Jr (1964). Médico pediatra. Escritor portoalegrense. Publicou Na ante-sala (poemas, 2008) e Retrato de um tempo à meia-luz (crônicas, Modelo de Nuvem, 2012). Publica bissemanalmente no blog da Palavraria e no seu blog Simples Hermenáutica.

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30
nov
12

Vai rolar na Palavraria, nesta segunda, 05/12: Clube de Leitura

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05, segunda, 19h: Clube de Leitura: Se um viajante numa noite de inverno, de Italo Calvino. Mediação de Jaime Medeiros Júnior.

O Clube de leitura visa reunir, na primeira segunda-feira de cada mês, pessoas interessadas em ler e trocar idéias sobre obras da literatura clássica e contemporânea.

A segunda reunião, que será no dia 3 de dezembro de 2012, terá como foco de discussão o livro Se um viajante numa noite de inverno, de Italo Calvino (disponível na Palavraria). Em cada reunião os participantes escolhem as obras a serem discutidas nos próximos encontros e os respectivos mediadores, que serão sempre alternados.

Os participantes do Clube de Leitura terão um desconto de 10%, ao adquirirem na Palavraria os livros destinados à discussão.

Se um viajante numa noite de inverno – sinopse:

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se um viajante_capa

Nesse romance, Calvino consegue uma proeza notável: unir o prazer voraz da leitura às tortuosas questões da vanguarda literária. No centro de sua preocupação está um tema que os teóricos chamam de “crise da representação”, ou seja, no mundo capitalista contemporâneo, dividido, múltiplo, alienado, não teriam mais lugar os romances tradicionais, com princípio, meio e fim, que constroem personagens e organizam o mundo, dando um sentido às coisas. O leitor de hoje estaria condenado ou à leitura espinhosa de obras que se debruçam sobre si mesmas e procuram desesperadamente uma saída para a literatura, ou à superficialidade descartável das obras de simples entretenimento. Calvino “socorre” esse leitor que é inquieto e exigente mas que gostaria que os autores escrevessem livros “como uma macieira faz maçãs”. Para isso, faz do próprio leitor seu personagem principal, cuja grande missão é ler romances. E tal como você, leitor(a), ele entra numa livraria e compra este livro: Se um viajante numa noite de inverno. É aí que começa a história.
Prêmio Jabuti 1993 de Melhor Produção Editorial de Obra em Coleção

italo calvinoItalo Calvino. Nasceu em Santiago de Las Vegas, Cuba, em 1923, tendo ido logo a seguir para a Itália. Participou da resistência ao fascismo durante a guerra e foi membro do Partido Comunista até 1956. Em 1946 instalou-se em Turim, onde doutorou-se com uma tese sobre Joseph Conrad. Publicou sua primeira obra, Il sentiero dei nidi di ragno, em 1947. Com O visconde partido ao meio, lançado em 1952, o autor abandonou o neo-realismo dos primeiros livros e começou a explorar a fábula e o fantástico, elementos que marcariam profundamente a sua obra. Nos anos 60 e 70 aprofundou suas experiências formais em livros como As cidades invisíveis e Se um viajante numa noite de inverno. Considerado um dos maiores escritores europeus deste século, morreu em 1985.

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jaime medeiros júniorJaime Medeiros Jr (1964). Médico pediatra. Escritor portoalegrense. Publicou Na ante-sala (poemas, 2008) e Retrato de um tempo à meia-luz (crônicas, Modelo de Nuvem, 2012). Publica no seu blog Simples Hermenáutica.

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